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O clima de "fim de governo", que costuma rondar as salas da presidência no período que precede as eleições, deu espaço ao otimismo no governo Lula. Mesmo em tempos de crise, a preocupação, atualmente, parte da oposição, que hoje vê as chances de crescimento de Dilma Roussef nas pesquisas aumentarem.
Josias de Souza, colunista da Folha e blogueiro da Folha Online, diz que a oposição parece entrar na disputa presidencial "condenada à derrota". O colunista explica que a alta popularidade do presidente 84% de aprovação, segundo pesquisa faz com que aliados papariquem ainda mais o governo, que chega ao fim no próximo ano. "O próprio Lula tratou de deflagrar sua sucessão, transformando o que seria um sinal de fraqueza em fortaleza", afirma.
Josias de Souza lembra que todo esse cenário favorável a Lula se dá em um ambiente de crise mundial. O IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) divulgou uma queda de 3,6% no PIB (Produto Interno Bruto) no quarto trimestre do ano passado, em relação ao terceiro trimestre.
Em despeito à pesquisa, que registra o maior recuo da série histórica do PIB, iniciada em 1996 pelo IBGE, o presidente "nada de braçada e expõe Dilma Roussef país afora". Já a oposição, que tem dois candidatos vistosos os governadores José Serra, de São Paulo, e Aécio Neves, de Minas Gerais, segue sem esboçar um discurso alternativo ao de Lula. "Parece que o presidente está caminhando sozinho na passarela, que não há oposição."
Diante deste quadro, Josias diz que o risco de o eleitor pensar que as coisas estão indo bem, não havendo, portanto, a necessidade de uma mudança, aumente, favorecendo Dilma, a indicada de Lula. "Esse é o dilema que a oposição está vivendo hoje no Brasil", afirma.
Fonte: Josias de Sousa