Objetos usados no carnaval estão até 120% mais caros
EstadãoO leão não dá folga para os contribuintes nem mesmo nos dias de folia no Carnaval. Para se ter uma idéia, a cerveja - um dos produtos mais consumidos nessa época - embute uma carga tributária de 54,8% do valor da bebida, segundo pesquisa do Instituto Brasileiro de Planejamento Tributário (IBPT).
O economista do Instituto Millenium, Alfredo Marcolin, explica que o porcentual pode chegar a mais que o dobro disso se descontarmos também os impostos de venda. "A carga considerada na pesquisa é sobre o valor de venda. É imposto sobre imposto. Devemos considerar o valor de custo do fabricante, já descontando os impostos da venda", diz. Ele calcula que a carga no caso da cerveja suba para 121,2% se o valor for calculado sobre o preço de custo ao fabricante
Dois motivos explicam a elevada carga tributária. Um deles é o alto gasto do governo. "O Estado gasta demais gasta demais. Para suportar os dispêndios, ele cria essa carga tributária enorme", diz Marcolin.
A forma como os impostos são cobrados no Brasil também penaliza os consumidores. "Na maior parte dos países se tributa mais a renda, lucro e patrimônio. No caso do Brasil, são impostos indiretos, nos produtos. Incide mais sobre o consumo", explica o presidente do IBPT, João Eloi Olenike. Nesse tipo de cobrança, não há distinção entre pobres e ricos já que há uma só alíquota por produto para todos os consumidores.
A maneira de cobrar o imposto, de maneira indireta, foi definida na Constituição de 1988. Para os especialistas, é possível reduzir a carga, mas desde que haja uma reforma tributária. "A mudança não precisa ocorrer toda de uma vez, poderia ser feita em vários anos, em partes, mas desde que seja feita", afirma Olenike. O Imposto de Renda, cobrado em cima da remuneração de cada contribuinte, seria uma forma mais justa de tributação.

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