UFC

Charles do Bronx pede title-shot e garante que Khabib não volta: "Jurou diante do túmulo do pai"

Com sete vitórias seguidas, brasileiro se diz preparado para "estilo maluco" de Tony Ferguson no UFC 253 e acredita que, se vencer, enfrentará vencedor de Dustin Poirier x Conor McGregor pelo cinturão peso-leve.

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A fala acelerada característica não transparece nervosismo, mas confiança. Com sete vitórias seguidas no peso-leve, todas por nocaute ou finalização, Charles "do Bronx" Oliveira sabe que o seu momento é especial no UFC. Atualmente ocupando o sétimo lugar no ranking da categoria, o paulista vai enfrentar o terceiro colocado da lista, Tony Ferguson, no co-evento principal do UFC 256, no próximo sábado. Mesmo recebendo a oferta da luta com apenas 20 dias de antecedência - a preparação ideal seria de 12 semanas, ou três meses - Charles entende que não poderia rejeitar a oportunidade de finalmente enfrentar um dos tops da categoria.

- Eu já estava treinando, e pedindo direto um cara mais bem ranqueado do que eu. Eu sabia que isso iria acontecer uma hora ou outra. Eles me dariam um cara ranqueado, mas não com tempo, e sim em cima da hora. Eu não estava treinando 100%, mas estava treinando, fazendo um ou dois treinos por dia. Agora tenho 20 dias para a máquina rodar. Essa é a real. Não tem como você sair de uma luta dessa. Vai ser com 20 dias mesmo e dia 12 estaremos prontos - garantiu Oliveira em entrevista ao Combate.

Topar uma luta deste calibre com pouco tempo de sobreaviso vale apenas uma coisa para Do Bronx: a oportunidade de disputar o cinturão em seguida. Com o atual campeão dos leves, Khabib Nurmagomedov, oficialmente aposentado, o brasileiro vê o caminho livre para que ele receba o title-shot se vencer Ferguson.

- Eu aceitei a luta sabendo o que vai acontecer. Quem vai lutar pelo cinturão? Justin Gaethje? Ele correu o tempo todo na luta contra o Khabib. Fez uma luta feia e foi finalizado no segundo round. Só não foi finalizado no primeiro porque acabou o tempo. Dan Hooker vem de derrota. Rafael dos Anjos está vindo de vitória, beleza, já foi campeão da categoria, e perdeu quando lutou pelo cinturão dos meio-médios. Ele está chegando agora e já vai lutar pelo cinturão? Não tem como. Eu estou vindo de sete vitórias seguidas e os três que estão na minha frente já foram campeões interinos - o único que foi campeão da categoria foi o Conor McGregor. Não tem pra onde correr, não tem outra lógica.

O cinturão, todavia, ainda está sob os cuidados de Khabib. Dana White, presidente do UFC, mantém a fé que o russo vai voltar atrás e retomar a carreira no MMA. Do Bronx, por sua vez, acredita que Nurmagomedov vai manter sua palavra.

- Está tudo muito bem desenhado. O homem lá se aposentou, não tem o que fazer. Ele jurou diante do túmulo do pai dele que não lutaria mais. Prometeu para a mãe. O homem tem que ter palavra. Se ele deu a palavra no túmulo do pai, com certeza não volta mais pra lutar. Não tem o que fazer. Charles Oliveira x Tony Ferguson, quem passar - e com certeza eu vou passar - é o próximo desafiante ao título. E Dustin Poirier x Conor McGregor. Quem ganhar é o cara que vai lutar contra mim (pelo título) lá para o meio do ano. Não tem mais nada a se falar.

Antes disso, Do Bronx tem que vencer Tony Ferguson, um lutador que venceu 12 lutas seguidas no UFC e já foi campeão interino dos leves. Além disso, dono de um estilo nada ortodoxo. Mesmo com pouco tempo de preparação, o brasileiro garante ter o jogo do adversário mapeado.

- Essa é uma luta dura, porque ele tem um estilo próprio de lutar - meio louco, se movimentando de um lado para o outro, jogando a mão, giratório de perna, entra rodando para pegar o seu pé pra colocar você pra baixo. Ele trabalha muito bem as cotoveladas, que eu acho que é a arma mais forte que ele tem. Acho que é só isso, de resto é um jogo meio louco. A gente tem que respeitar, tomar cuidado, lutar quieto e 100% consciente.

Ferguson estava prestes a disputar o cinturão linear contra Khabib em abril, mas a pandemia do novo coronavírus forçou o cancelamento do evento. As restrições de viagem impediram o russo de entrar nos EUA para a luta, e o americano acabou disputando o cinturão interino contra Justin Gaethje em maio. Deu errado: "El Cucuy" acabou derrotado. E é daquela luta que Do Bronx tira lições valiosas para enfrentá-lo.

- Acho que a luta dele contra o Justin Gaethje mostrou que a gente tem que estar com a cabeça no lugar, focado e com a guarda alta o tempo inteiro. Não cair na loucura dele, nas brincadeiras e nas risadas. Deixa ele rir e brincar. Eu vou lutar três rounds focado, esperando a brecha aparecer. Quando a luta for pra baixo, tem que ser aquele meu jiu-jítsu de pressão, de certeza que vou pegar na primeira oportunidade que aparecer. Vamos respeitar, mas dia 12 de dezembro eu vou chocar o mundo.

Além da perda de peso, os lutadores têm uma nova preocupação para a semana pré-luta: a Covid-19. Com o crescente número de lutas canceladas de última hora por contágios, Charles está sendo cauteloso dentro do possível.

- A minha equipe pediu para eu me concentrar em lutar, porque eles estão resolvendo todo o resto. Não estou pensando em nada, o tempo inteiro de máscara, passando álcool em gel na mão... as pessoas que treinam comigo estão fazendo da mesma forma. Eu não estou brincando. Infelizmente o mundo inteiro está passando por esse problema. Pode acontecer de eu pegar ou o Tony Ferguson pegar. Mas não quero nem pensar nisso. Só quero pensar em treinar, bater o peso bem e fazer uma grande luta. Me precaver o máximo possível, não ficar saindo, ficar dentro do quarto e só sair pra treinar e cortar o peso que falta - concluiu.

Fonte: Combate.com

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