MMA

Gabi cita ‘superação’ em vitória no ROAD e projeta: ‘Quero conquistar um cinturão’

"Após quase três anos e seis lutas, estou me sentindo mais madura e mais confortável no MMA. O que eu quero agora é um cinturão na categoria peso-pesado". Disse a faixa preta

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Após um ano de 2017 conturbado no MMA, Gabi Garcia voltou de forma triunfal para a modalidade em 2018. No último 12 de maio, pelo evento ROAD FC 47, a multicampeã de Jiu-Jitsu teve uma atuação impecável e derrotou Veronika Futina ainda no primeiro round, após encaixar um justo mata-leão. O duelo marcou a primeira apresentação da brasileira no octógono, já que pelo Rizin Fighting Federation, Gabi vinha lutando em um ringue.

Com uma carreira invicta de cinco vitórias e um “No Contest” no MMA, a gaúcha tem novos planos em mente dentro do esporte. Em entrevista exclusiva à TATAME, Gabi Garcia revelou seu desejo de disputar um GP feminino valendo o cinturão na divisão peso-pesado.

“Após quase três anos e seis lutas, estou me sentindo mais madura e mais confortável no MMA. O que eu quero agora é um cinturão na categoria peso-pesado. Acho que esse é o meu próximo desafio, participar de um GP e conquistar um cinturão”, disse a faixa-preta.

Confira a entrevista completa com Gabi Garcia:                      

– Superação após dificuldades em 2017 e luta no ROAD FC

Foi uma superação mesmo essa vitória, pois 2017 não foi um ano bom para mim, apesar de eu ter vencido o ADCC. Eu não estava motivada, eu não tinha vontade nem de treinar, mas eu coloquei na cabeça que 2018 eu teria que dar a volta por cima novamente. Eu vim de mais de 10 anos lutando Jiu-Jitsu, não tive férias, fui para o MMA e teve muita cobrança, não só de fora, mas de mim mesmo. Em janeiro, eu comecei a treinar aquilo que eu achava que era o meu ponto fraco, surgiu esse convite do ROAD FC e me dediquei para essa luta. Foi minha estreia no octógono, algo muito legal… Eu achei que ia me perder um pouco, mas eu gostei de lutar e acho que foi como eu esperava. Precisamos corrigir muitas coisas, é claro, mas eu também recebi muitos elogios. Fico feliz com a minha evolução e acho que consegui soltar um pouco mais o meu jogo, ter mais tranquilidade na luta.

– Provocações da russa Veronika Futina antes do duelo                          

É uma coisa que eu preciso até me acostumar. Eu venho do Jiu-Jitsu, é óbvio que existe a rivalidade, as pessoas não são melhores amigas do oponente (risos), mas eu acho que no Jiu-Jitsu existe um respeito, diferente do MMA. Eu acho que muita gente que luta MMA, começou a treinar no MMA, ele não vem de uma arte marcial, e quando você vem de uma arte, você aprende o respeito, a questão da hierarquia. Eu não estou acostumada a falar muito antes, porque a gente tem que respeitar nosso adversário, independentemente de quem for. Ela falou muita coisa… Ela falou da minha família, me ofendeu. Ofender a mim até vai, mas minha família não dá. As meninas vão por um caminho errado, que é um caminho de me ofender e achar que vou ficar na adrenalina e que, por conta disso, vou dar brechas. Não, eu entro muito consciente e faço o plano dela dar errado. Eu fiquei quieta e fui respondendo aos poucos. As pessoas falam e precisam entender que eu não caso lutas, não sou dona de evento, todas as lutas que me oferecem, eu aceito. Querendo ou não, já é o terceiro evento que está abrindo categoria e eu sou pioneira nisso, então, ao invés de falarem, deveriam me agradecer (risos). Essa menina me chamou de desgraça, disse que ia tirar minha fama na Ásia e eu só fiquei quieta. Depois da luta, ela pediu desculpas, e ali ela deve ter visto o motivo de eu estar ali, precisa respeitar a minha história. Toda vez que eu ia para a finalização no braço, eu soltava para bater mais (risos), mas eu procurei definir a luta logo também. Essa é a lição que fica, as pessoas falam demais, com certeza.

– Experiência de lutar no ROAD FC e para os chineses                   

Eu fiquei impressionada com o ROAD. Eu passei a acompanhar mais quando eles abriram a categoria feminina e o evento é enorme. Foi transmitido lá na China para 40 milhões de pessoas, o que é incrível. Eu fiquei impressionada com a arena, foram mais de 30 mil pessoas, e com a produção, foi tudo muito bem organizado. É o segundo GP que eles estão fazendo, já fizeram um outro valendo 1 milhão de dólares para o vencedor em uma categoria mais leve, agora estão fazendo para os mais pesados e espero que façam um GP feminino também. Eu gostei muito de lutar pela organização, me surpreendeu e eu quero muito voltar a lutar lá. Meu público é na Ásia, eu gosto muito de lutar lá e os fãs do Japão são enlouquecidos (risos), recebo um carinho muito grande. Agora na China também, foi muito bom. Eu acho que me consolidei na Ásia e fico muito feliz por isso, essa conquista.

– Futuro no MMA e retorno ao Rizin Fighting Federation                         

Eu sou contratada do Rizin. O ROAD FC entrou em contato comigo para fazer essa luta e, como eu tenho contrato exclusivo com o Rizin, eles entraram em contato com o Rizin e me emprestaram. Provavelmente, eu volto a lutar pelo Rizin nos próximos meses, eu conversei com o presidente do evento e ele quer que eu lute no card de julho. Eu quero lutar o máximo que puder, seja no Rizin, no ROAD ou em outro evento que me dar chances.

– Próximos planos e objetivos sobre seu futuro no MMA                                

As pessoas cobram muito. Minha melhor amiga é a Cris Cyborg, e eu nunca serei como ela, nem é minha intenção (risos). Ela é a melhor no esporte dela (MMA) e eu já fui nove vezes melhor do mundo no meu esporte, eu entrei para o Hall da Fama no meu esporte, e com 29 anos eu decidi mudar para uma nova modalidade, que é o MMA, por um desafio pessoal. As pessoas acham que vão ver a Gabi do Jiu-Jitsu no MMA, só que tem trocação, Wrestling e tudo que é preciso juntar e colocar em um só esporte. Após quase três anos e seis lutas, estou me sentindo mais madura e me sentindo mais confortável. O que eu quero agora é um cinturão na categoria peso-pesado. Acho que esse é o meu próximo desafio, participar de um GP e conquistar um cinturão, isso é o que eu tenho em mente agora.

– Retorno às competições com o quimono no Jiu-Jitsu                                    

Todo mundo pede para eu voltar ao Jiu-Jitsu. Lutei o ADCC ano passado, venci, eu vou lutar novamente no ADCC ano que vem. Esse ano, estava nos meus planos lutar o Mundial de Jiu-Jitsu da IBJJF, porque faz 10 anos do meu primeiro título na faixa-preta, mas eu acabei de lutar MMA, não dá tempo de me preparar para as meninas que estão chegando agora. Eu até gostaria de estar lutando, eu nem parei para pensar nisso ainda, mas já é em menos de duas semanas. Eu acho que até consigo, porque meu Jiu-Jitsu está ainda melhor que antes (risos), mas eu ainda vou lutar mais um Mundial. Não sei se esse ano, no próximo, mas eu não encerrei minha carreira no quimono ainda. Devo isso aos meus fãs e também para me despedir das competições do quimono. Eu não me aposentei ainda.

Fonte: Tatame.com

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