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Bolsonaro diz que autoridades que pedem passaporte da vacina estão extrapolando

"Entendo que aquelas autoridades, outras, que estão exigindo passaporte vacinal, calcadas numa lei de fevereiro do ano passado, onde não existia vacina ainda, estão extrapolando", disse o presidente.

O presidente Jair Bolsonaro 11/11/2021. (Foto: UESLEI MARCELINO / REUTERS)

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BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS) — O presidente Jair Bolsonaro (PL) disse nesta quinta-feira (2) que órgãos que cobram apresentação de certificado da vacinação contra a Covid estão "extrapolando".

"Entendo que aquelas autoridades, outras, que estão exigindo passaporte vacinal, calcadas numa lei de fevereiro do ano passado, onde não existia vacina ainda, estão extrapolando", disse o presidente em evento no Palácio do Planalto.

Bolsonaro não citou nomes dos órgãos que estão cobrando a vacinação. Alguns prefeitos e governadores fazem essa exigência para liberar a entrada em locais fechados, shows e outros eventos.

A lei mencionada pelo presidente é a 13.979/2020, que determina que o governo pode adotar medidas restritivas em resposta à pandemia, como a vacinação e o controle de entrada de viajantes.

As declarações de Bolsonaro forma feitas durante evento sobre o auxílio que o governo irá conceder para famílias pobres comprarem gás de cozinha.

Desde o dia 12 de novembro o governo ignora pedido da Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) de cobrar o passaporte da vacina de quem entra no Brasil, como revelou o jornal Folha de S.Paulo.

No mesmo evento, o presidente voltou a apostar no discurso negacionista e lançou dúvida sobre a segurança e eficácia das vacinas. "Não façamos da vacina um cavalo de batalha para objetivar fins políticos lá na frente", disse.

A descoberta da variante ômicron disparou o alerta de diversos países. O governo Bolsonaro decidiu barrar a entrada de viajantes de seis países africanos: África do Sul, Botsuana, Suazilândia (Eswatini), Lesoto, Namíbia e Zimbábue.

A Anvisa ainda pede para fechar a fronteira com outras quatro nações (Angola, Maláui, Moçambique e Zâmbia), mas o governo cobra mais dados antes de bater o martelo.

O presidente voltou a afirmar que o Brasil não suportaria novo "lockdown". "O vírus será para sempre, não podemos, nós não aguentaremos mais novo lockdown", declarou.

Apesar da fala de Bolsonaro, o Brasil não fez lockdown, o confinamento radical para combater a transmissão do coronavírus, durante a pandemia. Nesse tipo de intervenção, a população tem a mobilidade muito reduzida por um período determinado, como estratégia para conter a disseminação.

Em entrevista à Folha de S.Paulo na última sexta (26), o presidente da Anvisa, Antonio Barra Torres, defendeu a cobrança da vacinação nas fronteiras. Ele disse que a medida ainda evitaria o turismo antivacina no Brasil, uma vez que, para escapar de barreiras impostas em outras nações, pessoas não vacinadas podem enxergar o país como um destino favorável.

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