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Entrevista

CPI da Covid foi criada para combate político e atingir Bolsonaro, diz Ciro Nogueira, líder do centrão

Assim como o presidente, Nogueira afirma que o foco da CPI deveria estar nos governadores, que receberam recursos e não teriam preparado os estados para a crise sanitária.

"Ninguém, nenhuma pessoa em sã consciência acha que o presidente vai tentar sabotar a vacinação da população. Se for esse o foco da CPI, vai começar de uma forma errada". disse. (Foto: Reprodução)

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BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS) — Um dos principais aliados do presidente Jair Bolsonaro (sem partido) no Senado e apontado como líder na defesa do governo na CPI da Covid, o senador Ciro Nogueira (PP-PI) reconhece que houve erros no enfrentamento à pandemia, mas afirma que a comissão será apenas um "combate político" que não ajudará a frear o avanço do coronavírus.

"A população não está atrás de culpados, ela está atrás de se imunizar, ser bem tratada nos hospitais", afirmou em entrevista ao jornal Folha de S.Paulo. "São erros que a população vai poder avaliar logo depois, no momento correto e, principalmente, nas eleições do próximo ano."

Assim como o presidente, Nogueira afirma que o foco da CPI deveria estar nos governadores, que receberam recursos e não teriam preparado os estados para a crise sanitária.

Por outro lado, não vê necessidade de a comissão investigar a lentidão na vacinação no Brasil enquanto o país bate recordes de mortes por dia, mas apenas buscar algumas explicações. Acha ainda menos relevante investigar o comportamento negacionista do presidente em relação às vacinas.

"Ninguém, nenhuma pessoa em sã consciência acha que o presidente vai tentar sabotar a vacinação da população. Se for esse o foco da CPI, vai começar de uma forma errada". disse.

PERGUNTA - O Brasil vive um pico da pandemia, com recordes de mais de 4.000 mortes por dia e agora contabilizamos um total de 360 mil mortes. Tendo em mente esse quadro, por que se opor à instalação de uma CPI para investigar erros e omissões do governo no combate à Covid?

CIRO NOGUEIRA - Esse é o tipo de discussão que não tem inocente. Os culpados são todos, inclusive o Congresso Nacional, que ainda hoje não sancionou o Orçamento por conta do atraso do ano passado.
É o governo federal que errou nessa situação, os governadores que receberam recursos e não investiram no combate à pandemia, fizeram caixa. Pode ter tido erro nas prefeituras. O mundo político do país errou até certo ponto em não ter tomado as medidas corretas.
Eu fui contra a instalação da CPI pela forma como vai estar sendo criada, apenas para combate político, para tentar apenas atingir o presidente da República. Qual a acusação contra o governo federal? Eu vejo muito mais acusações contra os governadores. Não vejo uma acusação contra o governo federal por desvio de recursos. Agora já tiveram operações da Polícia Federal em diversos estados.

O senhor faz até um mea-culpa, mas o presidente, que deveria em tese ser o coordenador do enfrentamento à pandemia, criou conflitos com governadores, ironizou as vacinas. A responsabilidade maior pelos erros da pandemia deveria ser dele?
CN - Efetivamente quem teve mais culpa foram os governadores, que receberam os recursos e não prepararam os estados para o enfrentamento da pandemia. Quem está vacinando a população é o presidente Bolsonaro. Todas as vacinas que chegaram hoje efetivamente à vida da população foram pagas e estão sendo distribuídas pelo governo federal.

Mas é normal que as negociações com os laboratórios sejam feitas pelo governo federal, como em outros países. Agora aqui houve atraso na importação de insumos, a gestão do governo atrasou a chegada das vacinas, não?
CN - Erros aconteceram. Não estou isentando o governo federal da sua culpa. Nós deveríamos ter tratado dessa questão da vacinação antes, adquirido vacinas antes. É um tipo de discussão que não tem inocentes. Não tem ninguém 100% certo ou errado.

O que o senhor elenca como erros?
CN - Do presidente, essa questão de ter minimizado [a pandemia] no início, o uso da gripezinha, [as críticas ao] uso da máscara, foram erros. Agora, efetivamente, os erros dos governadores foram muito maiores do que os do presidente.

O senhor fala que a CPI será um combate político. Mas isso não é natural, uma vez que é direito da minoria investigar governantes?
CN - Não tenha dúvida que a minoria tem o direito à CPI, mas acho que o momento é inoportuno. A população não está atrás de culpados, ela está atrás de se imunizar, ser bem tratada nos hospitais. E no que essa CPI vai contribuir para imunizar a população? Em nada. Ela é uma CPI única e exclusivamente feita, neste momento, para combate político.
O que é mais grave para se investigar? O desvio de dinheiro público no meio de uma pandemia ou se o Bolsonaro estava usando máscara ou não? Todos esses erros que estão apontando do Bolsonaro, são erros conhecidos. Agora desvios de recursos, não ter utilizado recursos que o governo federal mandou para o combate à pandemia, é muito mais grave.
E muita gente usa essa CPI como palanque. Agora eu, que tenho 26 anos no Parlamento, não vejo como uma CPI funcionar sem ser presencial, a instalação também deve ser presencial.

O senhor compara com governadores, que são fiscalizados por diversos órgãos. O senhor não acha que o Congresso é visto como a melhor alternativa para uma investigação efetiva do governo?
CN - Não dá para comparar o trabalho da Polícia Federal e do Ministério Público Federal com o do Congresso Nacional. São pessoas que têm mais instrumentos, estão há mais tempo acompanhando essa situação do que o Congresso agora achar que vai descobrir todos os malfeitos. Não vejo a menor possibilidade agora de começar a ter mais instrumentos do que a PF e o MPF.

De 0 a 10, o quanto o senhor acredita da CPI possa apontar um erro no enfrentamento da pandemia e evitar que se repita? Por exemplo: apontar um culpado e afastá-lo do cargo.
CN - Zero. Uma CPI dessa vai demorar 90 dias e, pelo que conheço das pessoas que estão envolvidas, que são profissionais de holofotes, vão querer prorrogar depois. Pode esperar que não vai sair resultado em 90 dias.

Da parte da base do governo, quais os próximos passos? Vão buscar retardar o início dos trabalhos?
CN - Eu não estou indo lá para defender governo, estou indo lá para ter efetividade. Se é para esclarecer, vamos esclarecer tudo. Quem cometeu algum erro, não dá para proteger. Seja presidente da República, seja governador, seja prefeito. Eu não achava que o momento não era esse para buscar culpados.

Qual seria o momento correto?
CN - Logo depois que as pessoas estiverem imunizadas, que as pessoas estiverem bem tratadas.

O senhor fala que a CPI terá apenas um caráter de combate político e citou ' vão investigar se o presidente usa ou não máscara'. Acredita que a CPI vai se resumir a isso?
CN - Não tenho muito otimismo quanto a ela porque foi criada para combate político. O momento correto era depois buscarmos os culpados, quem desviou dinheiro público, quem cometeu erros que possa ter prejudicado a população, mas no segundo momento. São erros que a população vai poder avaliar logo depois, no momento correto e, principalmente, nas eleições do próximo ano.

O senhor fala que não estará lá para defender o governo, mas votaria em requerimentos para convocar autoridades, como o ex-ministro Pazuello?
CN - Depende do espírito do que venha a ser [o requerimento]. Eu não vejo problema nenhum em convocar ninguém. Antes de avaliar os motivos, não vou me posicionar, mas nem vou querer proteger ninguém se eu achar pertinente que seja convocado. Se a comissão não tiver objetivos claros de ajudar o país, de esclarecer as coisas, nem governo e nem oposição podem contar comigo.

O senhor defende que a comissão comece olhando para onde?
CN - O plano de trabalho vai ser apresentado pelo relator, mas a coisa mais importante para ser investigada é o desvio de recursos públicos.

O senhor acredita que a lentidão da vacinação precisa ser investigada na CPI?
CN - Não sei se investigada, mas explicada. Eu acho que tem uma série de denúncias de alguns estados estão mais atrasados, com listas de vacina. Eu acho que são coisas que podem ser explicadas.

Deve-se investigar a postura do presidente, que, por posição ideológica, retardou ou sabotou a compra de vacinas?
CN - Isso aí é impossível de acontecer. Eu conheço o perfil do presidente. Ele não é homem de sabotar uma situação dessas, é impossível de comprovar, porque não é verdade isso aí. Ninguém, nenhuma pessoa em sã consciência acha que o presidente vai tentar sabotar a vacinação da população. Se for esse o foco da CPI, vai começar de uma forma errada.

A correlação de forças na CPI é desfavorável ao governo, além da possibilidade de a relatoria ficar com Renan Calheiros, considerado oposição pelo Planalto. A base do governo busca articular para ter na presidência e relatoria outro nome?
CN - O ideal era ter um nome independente.

Quem seria independente?
CN - Isso é muito subjetivo. Eu não estou aqui para fazer juízo de valor, o próprio senador Renan Calheiros é um homem experiente, é um homem que respeito, é legítimo ele estar na CPI, ter pleiteado.

Qual a avaliação do senhor sobre a decisão do Supremo Tribunal Federal sobre a CPI?
CN - Foi um erro. Não concordo com essa intromissão. Mas respeito, e eles têm legitimidade para tomar essa decisão. Então a decisão judicial se cumpre. Eu advogo que o Congresso modifique a legislação para evitar decisões monocráticas e que elas passem a ter um caráter colegiado.

PP não teme ser acusado de ter sido cúmplice do Bolsonaro nas falhas na pandemia?
CN - De forma nenhuma. O presidente teve muito mais acertos do que erros nessa condução. Acredito que nós vamos ser reconhecidos, assim como fomos reconhecidos na última eleição, nos tornando o partido que mais cresceu no país.

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