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Governo Bolsonaro escolhe servidor de carreira como novo diretor do Inpe

Nardin ocupava até então o cargo de coordenador-geral de Ciências Espaciais e Atmosféricas do órgão.

O novo diretor do Inpe será o geofísico espacial Clézio Marcos de Nardin. A nomeação foi publicada na edição desta sexta-feira (2), no Diário Oficial da União. (Foto: Reprodução)

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BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS) — O ministro Marcos Pontes (Ciência, Tecnologia e Inovação) nomeou um novo diretor para o Inpe (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais), após mais de um ano com um militar comando o órgão de forma interina.

O novo diretor do Inpe será o geofísico espacial Clézio Marcos de Nardin. A nomeação foi publicada na edição desta sexta-feira (2), no Diário Oficial da União.

Nardin ocupava até então o cargo de coordenador-geral de Ciências Espaciais e Atmosféricas do órgão. O engenheiro é formado pela UFSM (Universidade Federal de Santa Maria) e é doutor em Geofísica Espacial pelo próprio Inpe, título obtido em 2003.

O novo diretor está no órgão desde 1997.

Seguindo os ritos tradicionais, o novo diretor foi escolhido a partir de uma lista tríplice definida pelo comitê da pasta responsável pela seleção dos candidatos. A lista não foi divulgada.

Nardin terá um mandato de quatro anos.

Em nota em seu site, o SindCT (Sindicato dos Servidores Públicos Federais na Área de Ciência e Tecnologia do Setor Aeroespacial) afirmou que o novo diretor é um cientista "qualificado".

"Clézio é um cientista qualificado, formado e treinado no próprio Inpe, onde se doutorou em Geofísica Espacial e atualmente é Coordenador-Geral de Ciências Espaciais e Atmosféricas do Inpe. E assim se credenciou, aos olhos do Comitê de Busca, para dirigir uma instituição tão complexa como o Inpe, que nos seus 59 anos de existência tem prestado bons serviços à sociedade e contribuído para o avanço da Ciência", afirma o texto.

O novo diretor vai substituir o militar Darcton Policarpo Damião, que ocupava o cargo de diretor interino desde agosto do ano passado.

Darcton Policarpo Damião assumiu o cargo após a demissão do físico Ricardo Galvão, nome respeitado no meio científico brasileiro. Galvão entrou em conflito com o presidente Jair Bolsonaro, por conta dos dados referentes ao desmatamento na Amazônia. Bolsonaro acusou a equipe do Inpe de "mentir" em seus alertas de crimes ambientais.

A nomeação do novo diretor acontece em um novo momento em que o órgão é alvo de fortes críticas de setores do governo, dessa vez por conta dos dados referentes a queimadas na Amazônia e no Pantanal. O vice-presidente Hamilton Mourão chegou a afirmar que "alguém lá dentro" divulga os dados para fazer "oposição ao governo".

O vice-presidente também já afirmou que pretende criar uma agência para centralizar os dados de monitoramento dos satélites. A nova agência seguiria o modelo norte-americano e, portanto, ficaria sob a responsabilidade de militares.

Além disso, em um momento em que o Inpe enfrenta restrições orçamentárias, o Ministério da Defesa abriu licitação internacional para a contratação de um satélite radar — que capta imagens entre as nuvens — ao custo de R$ 145 milhões.

A proposta foi momentaneamente abandonada, após determinação do Ministério da Economia para novos cortes no orçamento vigente, de 2020.

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