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Ministro do Meio Ambiente diz que não acompanhou dados do desmatamento

"Quando voltar ao Brasil vou falar com o ministro Anderson [Torres, da Justiça,] para entender esses dados do Inpe. Não acompanhei esses números, estava focado nas negociações", disse Leite.

Em pronunciamento na plenária na qual falaram todas as partes do Acordo de Paris, a delegação brasileira disse: "Estamos quase lá. Mas ainda não estamos lá". (Foto: Reprodução)

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GLASGOW, ESCÓCIA (FOLHAPRESS) — O ministro do Meio Ambiente do Brasil, Joaquim Leite, afirmou que não acompanhou os números que mostraram desmatamento recorde em outubro deste ano. Os dados foram divulgados na manhã desta sexta (12) pelo Inpe (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais).

"Quando voltar ao Brasil vou falar com o ministro Anderson [Torres, da Justiça,] para entender esses dados do Inpe. Não acompanhei esses números, estava focado nas negociações", disse Leite.

Durante a semana, porém, em vários discursos e painéis no pavilhão brasileiro durante a COP26 (conferência sobre mudanças climáticas da ONU), o ministro afirmou que viajava todas as semanas para acompanhar no local o combate ao desmatamento e que a ação da Força Nacional e do Ministério da Justiça já estavam dando resultado.

Leite também disse que não falaria de "desafios de cada país, mas do desafio global", embora tenha ressaltados vários pontos do que ele chama de "Brasil real", que, segundo ele, promove o "desenvolvimento verde inclusivo".

Na entrevista de menos de 15 minutos, o Ministério do Meio Ambiente escolheu os jornalistas que poderiam fazer perguntas. Apenas uma delas, da TV Globo, foi sobre a devastação recorde da floresta.

CORTE DE ÁRVORES EM ALTA

Números divulgados nesta sexta (12) pelo Inpe indicaram alertas de desmatamento em outubro em uma área recorde desde que o levantamento é feito, em 2016.

Segundo o sistema Deter, foram derrubados 877 km² de floresta amazônica, o maior número para esse mês desde que o levantamento começou a ser feito, em 2016. O índice ficou 5% acima do de outubro de 2020.

O número contradiz o discurso do governo Bolsonaro, que, nas reuniões e palestras durante a COP26 afirmou que o desmatamento ilegal já estava sendo combatido com aumento de recursos e de patrulhamento.

A delegação brasileira vinha sendo criticada por ativistas climáticos por não divulgar o Prodes, dado oficial do desmatamento, também medido pelo Inpe. Com base em números de agosto de um ano a julho do ano seguinte, ele costuma estar disponível no começo de novembro.

Entidades ambientais estimam que esse cálculo anual, mais preciso que o Deter, também mostre um desmatamento muito semelhante ao do ano anterior e superar os 10 mil km².

No período 2019-2020, foram derrubados 11.088 km² de floresta, um recorde na década.

A falta de controle no corte ilegal da floresta pode prejudicar as negociações feitas na conferência climática pelo Itamaraty, que foi elogiado por adotar uma posição mais flexível e procurar consensos que permitissem concluir a regulamentação do Acordo de Paris.

Prevista inicialmente para terminar nesta sexta, a COP26 deve se estender pelo sábado e até pelo domingo, já que não houve acordos em pontos chaves.

Um rascunho de texto foi publicado na manhã desta sexta, com a proposta de dobrar o financiamento para ações de adaptação às mudanças climáticas nos países em desenvolvimento até 2025, em comparação com os valores arrecadados em 2019.

Os itens de transparência, marcos temporais e mercado de carbono, pendentes para a conclusão do livro de regras de Paris, permanecem com pouca definição, mas há otimismo sobre as possibilidades de negociação.

Em pronunciamento na plenária na qual falaram todas as partes do Acordo de Paris, a delegação brasileira disse: "Estamos quase lá. Mas ainda não estamos lá".

A diplomacia brasileira disse estar preocupada que o texto ainda tivesse duas opções. "Exortamos nossos parceiros que trabalhem conosco para que possamos começar a implementar o Acordo de Paris de forma plena."

No rascunho, a menção ao fim dos subsídios aos combustíveis fósseis, proposta no rascunho publicado na última quarta-feira (10), sofreu alterações que, segundo observadores das negociações, teriam a assinatura do lobby do petróleo e carvão.

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