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Suposto caso da doença da urina preta é investigado em Americana, no interior de São Paulo

Os cientistas não sabem se a substância é produzida devido à maneira como a carne é armazenada ou se ela vem de algas consumidas pelos animais.

A doença da urina preta é causada por uma toxina que pode ser encontrada em peixes e crustáceos - (Foto: Willy Kurniawan-1ºmar.2021/Reuters)

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RIBEIRÃO PRETO, SP (FOLHAPRESS) — Uma suspeita da síndrome de Haff em investigação em Americana, no interior paulista, eleva para ao menos seis os estados que apuram possíveis casos da popularmente conhecida "doença da urina preta".

Uma mulher de 31 anos, que não teve o nome divulgado, procurou o hospital Unimed, de Americana, com sintomas, de acordo com a Vigilância Epidemiológica. A suspeita surgiu na última terça-feira (21).

A doença é causada por uma toxina que pode ser encontrada em peixes e crustáceos — os cientistas não sabem se a substância é produzida devido à maneira como a carne é armazenada ou se ela vem de algas consumidas pelos animais.

Ela ganhou o nome popular devido ao fato de a urina escura ser um dos sintomas causados por um quadro chamado rabdomiólise, que é marcado pela destruição das fibras que compõem os músculos do corpo.

A Secretaria da Saúde de Americana informou que se trata de um caso isolado, que ainda está em avaliação, e que não houve outro caso suspeito identificado no município.
A paciente recebeu alta médica no último final de semana, está bem e não apresenta sintomas, segundo a prefeitura.

Antes desse suposto caso em São Paulo, já foram notificadas suspeitas ou mesmo casos confirmados da doença em Amazonas, Pará, Ceará, Bahia e Pernambuco.

A amostra coletada em Americana foi enviada na última sexta-feira (24) ao Instituto Adolfo Lutz e, conforme o GVE (Grupo de Vigilância Epidemiológica) de Campinas, o órgão aguarda orientações do Ministério da Saúde sobre o local para onde o exame será mandado.

Não há previsão, portanto, para que o resultado seja divulgado.

O maior número de notificações do problema no Brasil está no Amazonas, onde uma força-tarefa foi criada para analisar amostras de sangue e soro de pacientes com suspeita da doença.

Também estão sendo observados os rios que banham os municípios em que há casos e seus peixes possivelmente contaminados, além dos frutos que servem de alimento para os animais. As análises ainda não foram concluídas.

No total, havia 61 casos suspeitos de rabdomiólise em dez municípios do estado até a última semana.

No Pará, seis casos suspeitos da síndrome de Haff estão sendo investigados — um em Belém, um em Trairão e quatro em Santarém, segundo a secretaria de saúde.

No Ceará, até 21 de agosto, foram notificados nove casos suspeitos da doença.

Já na Bahia, após dois anos sem registros, as notificações da síndrome têm reaparecido desde agosto do ano passado, quando 40 casos foram confirmados, sem ocorrência de mortes. Em 2021, já são ao menos 18 notificações — 13 confirmadas e cinco sob investigação.

A recomendação de órgãos de saúde é procurar atendimento imediato em caso de escurecimento da urina e desenvolvimento de rabdomiólise, que exige que o paciente seja rapidamente hidratado por até 72 horas.

Para evitar a doença, a orientação é que a população consuma pescados ou crustáceos de locais que ofereçam segurança e procure não ingerir o alimento cru.

Segundo o Ministério da Agricultura, todos os casos estão sendo acompanhados pelas equipes de epidemiologia da pasta em cooperação com os Laboratórios Federais de Defesa Agropecuária e o Instituto Federal de Santa Catarina.

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