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CPI Covid

Witzel bate boca com Flávio Bolsonaro em CPI da Covid e diz que não é porteiro para ser intimidado

Em diversas ocasiões, o ex-governador afirmou que houve atuações da Polícia Federal e do Ministério Público Federal que se caracterizaram "intervenções" no estado a ele próprio.

O ex-governador Wilson Witzel (PSC) bateu-boca com o senador Flávio Bolsonaro (Patriota-RJ) (Foto: Reprodução)

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BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS) — Em uma sessão tumultuada da CPI da Covid, o ex-governador Wilson Witzel (PSC) bateu-boca com o senador Flávio Bolsonaro (Patriota-RJ), filho do presidente da República, Jair Bolsonaro, e disse que não era "porteiro" para ser intimidado pelo parlamentar.

A fala era uma referência ao porteiro do condomínio em que o presidente Jair Bolsonaro tem residência no Rio de Janeiro, que inicialmente afirmou que os assassinos da ex-vereadora Marielle Franco (PSOL) teriam ido à casa do chefe do Executivo, mas que depois mudou a sua versão.

"Senador, o senhor pode ficar tranquilo que eu não sou porteiro. Não vai me intimidar, não. Mas, senador Flávio Bolsonaro, vossa excelência é contumaz ao dar declarações atacando o Poder Judiciário, especialmente o juiz Flávio Itabaiana.", afirmou Witzel a Flávio. Pouco antes o depoente também disse que o senador era mimado e mal educado.

Em diversas ocasiões, o ex-governador afirmou que houve atuações da Polícia Federal e do Ministério Público Federal que se caracterizaram "intervenções" no estado a ele próprio.

A cúpula da comissão chegou a sugerir uma sessão fechada, questionando o depoente se ele se sentia inseguro para prestar esclarecimentos naquelas condições. Witzel afirmou que não se intimidaria, mas que aceitaria a sessão fechada, apenas com membros da CPI, para apresentar alguns elementos de investigação que ser sigilosos.

"Então nessa reunião eu faço questão de apresentar elementos para iniciar uma investigação contra pessoas que estão desvirtuando a atuação funcional e nós vamos descobrir quem está patrocinando investigação contra governador, quem está patrocinando essa questão criminosa e o resultado é um só: 490 mil mortes", afirmou.

Durante a sessão, o ex-aliado de Jair Bolsonaro usou sua fala para disparar ataques contra o presidente. Disse que Bolsonaro promove uma narrativa durante a pandemia do novo coronavírus para "fragilizar" os governadores estaduais.

"Foi uma narrativa pensada, estrategicamente pensada. Os governos estaduais ficariam em situação de fragilidade, porque não teriam condições de comprar os insumos, respiradores e, inclusive, atender os seus pacientes no Sistema Único de Saúde, que, embora seja um excelente sistema para um país como o nosso, tem dificuldade", afirmou.

"Então, o que ficou claro é que a narrativa construída pelo Governo Federal foi para colocar os Governadores numa situação de fragilidade, porque os Governadores tomaram as medidas necessárias de isolamento social. E isso tem repercussões econômicas", completou.

O ex-governador também culpou o governo do presidente Jair Bolsonaro pela situação atual no enfrentamento da pandemia, por não ter havido uma liderança central nas ações.

Witzel se referiu em mais de uma vez à investigação a respeito da morte de Marielle Franco.

Em outubro do ano passado, depoimento revelado pela TV Globo mostrou que o principal suspeito de matar a vereadora e o motorista Anderson Gomes, o sargento aposentado da Polícia Militar, Ronnie Lessa, reuniu-se com outro acusado, o ex-policial militar Élcio Queiroz, no condomínio Vivendas da Barra, na Barra da Tijuca, no Rio de Janeiro.

É o mesmo local onde o presidente Jair Bolsonaro tem uma casa.

A reunião ocorreu no dia do crime, em 14 de março de 2018. As informações são de depoimento obtido pelo Jornal Nacional, da TV Globo.

Segundo depoimento de um porteiro do condomínio, obtido pelo programa, Élcio teria dito na portaria que iria à casa de Jair Bolsonaro, que na época era deputado. Os registros de presença da Câmara dos Deputados, no entanto, mostram que Bolsonaro estava em Brasília nesse dia.

Senadores da CPI da Covid já reclamaram entre si nos bastidores do comportamento de Flávio na comissão. Os parlamentares dizem que o filho de Bolsonaro costuma aparecer em depoimentos mais rumorosos para o governo e costuma encarar o depoente.

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