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Aulas

Professores de redes privada e pública apontam desigualdade no atual modelo de aula online

Muitas unidades da rede privada já estão prontas para seguir protocolos de saúde, mas decidiram manter as portas fechadas.

A rede pública brasileira possui cerca de 80% dos estudantes do ensino básico. As escolas particulares ficam com os outros 20%. (Foto: Reprodução)

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Na véspera do dia anunciado pela Prefeitura do Rio para a reabertura das escolas particulares, incertezas rondam pais e alunos. Muitas unidades da rede privada já estão prontas para seguir protocolos de saúde, mas decidiram manter as portas fechadas. 

Apesar de o município ter autorizado o retorno das turmas de 4º, 5º, 8º e 9º anos a partir de amanhã, o estado prorrogou suas medidas restritivas e avisou que colégios só poderão recebê-las quando houver risco menor. Enquanto o cenário não se define, professores apontam falhas no ensino a distância: pesquisa feita pela organização não governamental Nova Escola, ao qual o EXTRA teve acesso com exclusividade, mostra desigualdades na transmissão de conteúdo e participação aquém da esperada de estudantes e familiares nas aulas virtuais.

No Estado do Rio, a pesquisa contou com entrevistas de 708 professores. Entre os que trabalham unicamente na rede pública, 67% disseram que poucos alunos têm participado das atividades online. No sistema privado, esse índice cai para 30%.

— Crianças e adolescentes de escolas particulares do Rio têm mais acesso ao aprendizado neste período de isolamento social. Se a desigualdade já existia antes da pandemia, agora está mais acentuada — alerta Ana Ligia Scachetti, gerente pedagógica da Nova Escola.

Entre os motivos do problema estão o menor acesso às tecnologias por parte de alunos da rede pública e, em muitos casos, a falta de ambiente adequado para estudar, diz Andrea Ramal, doutora em Educação pela PUC-Rio. E, segundo ela, é importante considerar que muitos pais de alunos da rede privada vêm trabalhando em home office, tendo mais facilidade para acompanhar o ensino online.

O estudo, que abordou cerca de 9 mil professores de todo o país entre 16 e 28 de maio, também mostra que 36% dos profissionais de educação do Rio classificaram sua saúde emocional como ruim ou péssima em relação a antes da pandemia.

— Destes, 85% são mulheres. Boa parte dessas professoras estão em casa, lidando com a família, atuando em uma jornada dupla ou tripla — observa Ana Ligia.

Outro aspecto abordado pela pesquisa foi o atraso no calendário letivo: 34% dos professores (tanto de escolas públicas como particulares) revelaram que ainda estavam promovendo atividades de revisão do primeiro bimestre. No Rio, a falta de um padrão não se limita à questão da aplicação de conteúdo — entre as escolas particulares, há divergências de posicionamento. Das 14 unidades e redes de ensino com as quais o EXTRA entrou em contato nesta reportagem, só quatro informaram que pretendem reiniciar as atividades em salas de aula, mas só a partir da segunda quinzena deste mês e apenas para as famílias que o desejarem, pois o ensino online continuará.

Transmissão de conteúdo

Enquanto recebe mais alunos, o orçamento encolhe com novos gastos pela frente. De 30 redes de ensino que responderam levantamento do EXTRA, 16 (nove municipais de capitais e sete estaduais) registraram migração de alunos das redes particular para as públicas. Juntas, receberam 34,6 mil novos estudantes. Por outro lado, projeção da Associação Nacional de Pesquisa em Financiamento da Educação (Fineduca) mostra que, até o fim do ano, o setor pode perder cerca de R$ 19,1 bi (7% do orçamento nacional). Essa é a tempestade perfeita que já se abate na educação brasileira.

— Para classe média baixa, a educação é um dos maiores componentes em seus orçamentos e é um dos primeiros investimentos que as famílias têm que cortar em épocas de crise, como a atual — afirma Lucas Hoogerbrugge, gerente de estratégia política do Todos pela Educação.

A rede pública brasileira possui cerca de 80% dos estudantes do ensino básico. As escolas particulares ficam com os outros 20%.

— No Rio, essa migração já começa a ser percebida — afirma Frederico Venturini, diretor do Sindicato das Escolas Particulares (Sinepe): — Podemos ver que os números de matrículas canceladas nas séries com menor idade são os que mais crescem. Segundo o Sinepe, a queda de receita das escolas particulares é de 25%.

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