R$ 119,90
enviado por Paulo Gilberto Morais dos Santos em 12 de julho de 2010
Caro leitor,
Cheguei, ontem, de uma viagem a Juazeiro do Norte, Ceará, utilizando a BR 361, a mesma onde há cerca de uma semana perderam a vida num terrível e lamentável acidente quatro músicos paraibanos do Sexteto Brasil, entre os quais o maestro e professor-doutor Radegundis Feitosa, considerado um dos três melhores trombonistas do mundo.
Ponderando que o aludido acidente aconteceu no trecho compreendido entre as cidades de Itaporanga e Piancó, e que foi causado pela tentativa do motorista de livrar-se de jumentos que se encontravam sobre o leito da rodovia, resolvi contar os animais existentes no asfalto ou à margem dele.
Para o meu espanto, cheguei à casa dos vinte e dois – é, amigos, vinte e dois animais nos trinta quilômetros que separam as duas cidades, sendo a maioria deles burros e jumentos. Como há desses animais por ali! Querem saber quantos policiais rodoviários federais vi nesse trajeto da BR 361? Nenhum! Isso mesmo, nenhum policial, aliás, ao longo de todo o restante da viagem até Patos.
Essas perguntas deixo no ar: 1) Como em uma BR não há um posto, sequer, da Polícia Rodoviária Federal? 2) O que, na prática, fazem os policiais rodoviários federais? 3)O que esperam para cumprir e fazer cumprir a missão que lhes cabe? 4) Quantas pessoas haverão de pagar com a própria vida pela omissão e pela irresponsabilidade?
No sítio da Polícia Rodoviária Federal (www.prf.gov.br) está solenemente escrito como missão: “Fiscalizar diariamente mais de 61 mil quilômetros de rodovias e estradas federais, zelando pela vida daqueles que utilizam a malha viária federal para exercer o direito constitucional da livre locomoção”. Bonito, não é? Verdadeiro? Nem tanto.
Mensalmente, percorro nas estradas paraibanas e potiguares, sobretudo em BRs, a média de 1.200 km e raramente sou abordado por um policial rodoviário federal no cumprimento do seu ofício. Também não lembro da última vez em que vi um caminhão da PRF carregado de animais recolhidos como conseqüência do “zelo pela vida daqueles que utilizam a malha federal para exercer o direito constitucional da livre locomoção”.
Sou dessas pessoas inconformadas com o descaso com que em geral é tratado o povo brasileiro e costumo manifestar meu inconformismo. Desta feita, valho-me da boa vontade dos amigos blogueiros que quiserem/puderem tornar público este desabafo que, mesmo não vindo a dar em nada, servirá para anunciar que estou fazendo a minha parte.
Patos (PB), 12 de julho de 2010.
Paulo Gilberto Morais dos Santos (PeGê), 59, aposentado. ( RG 143.124/RN)