2,6 mil paraibanos tentaram parar de fumar no ano passado
Thiberio Rodrigues
"Eu achei que seria mais fácil. Até consegui parar por alguns meses, mas depois que passei por alguns problemas voltei com vício e não consegui mais evitar". É o que diz a cabeleireira Patrícia Alves (nome fictício para a reportagem), 31 anos, sobre suas tentativas de conter o vício no cigarro. Ela começou a fumar aos 18 anos, esporadicamente, e aos poucos foi aumentando a freqüência.
Aproximadamente 2,6 mil paraibanos procuraram centros de apoio públicos para parar de fumar em 2011, de acordo com dados da Secretaria Estadual de Saúde (SES). O tabagismo é um dos fatores de risco mais fortes para o aparecimento de câncer, que é a segunda causa maior de morte na Paraíba. Segundo a SES, a doença foi responsável por 25.224 mortes em dez anos no Estado.
O tabagismo é considerado pela Organização Mundial da Saúde (OMS) a principal causa de morte evitável em todo o mundo. A OMS estima que 1,2 bilhões de pessoas, um terço da população adulta, sejam fumantes. Pesquisas do órgão comprovam que aproximadamente 47% de toda a população masculina e 12% da população feminina no mundo fumam.
Tratamento
Em toda a Paraíba, existem 40 Centros de Referência para Tratamento dos Fumantes, onde fumantes podem buscar apoio, de maneira gratuita, para se livrar do vício provocado pela nicotina. O serviço é oferecido em Unidades de Saúde da Família, em Centros de Atenção Psicossocial (Caps), Centros de Atenção Integral à Saúde (Cais), Núcleos de Apoio à Saúde da Família (Nasf) e Centros de Saúde em 31 municípios. Em alguns casos, os pacientes abandonam o cigarro com menos de um mês de acompanhamento.
O tratamento nos Centros de Referência para Tratamento dos Fumantes acontece por meio de programa desenvolvido pelo Ministério da Saúde, que repassa medicamentos ao Estado. De acordo com Gerlane Carvalho de Oliveira, coordenadora do Núcleo de Doenças e Agravos Não Transmissíveis da SES, ao procurar um dos Centros, o paciente é recebido por uma equipe multiprofissional, com médicos, psicólogos, enfermeiros, entre outros. "Eles passam, inicialmente, por uma avaliação clínica e começam a integrar um grupo com, geralmente, 15 fumantes, que também querem se livrar do vício", explicou.
Com o grupo, o paciente enfrenta quatro sessões, sendo uma por semana. Nelas, os fumantes trocam informações e, sobretudo, recebem orientações de como substituir a ansiedade de fumar. "Cada caso é diferente. Existem fumantes que, na terceira sessão, por exemplo, sem uso de medicação, conseguem abandonar o vício", contou Gerlane.
Apesar de não ter feito tratamento em um dos centros, o funcionário público Marcelo Barbosa, 41, fumou durante 18 anos, havia parado por quase um ano, voltou a fumar e atualmente está há quatro meses sem fazer uso do cigarro. "Não vou negar que ás vezes ainda sinto vontade, mas tento preencher essa vontade com outras coisas. Malhar, por exemplo, tem me ajudado bastante. Decidi parar por conta própria até para não influenciar meus filhos", disse Marcelo.
Na Paraíba, o tratamento de fumantes acontece em unidades de saúde da Capital, que possui cinco centros; Campina Grande, também com cinco; e Aroeiras com dois. Em 28 cidades existe um centro: Bayeux, Caaporã, Cabedelo, Guarabira, Belém, Alagoinha, Bananeiras, Solânea, Esperança, Lagoa Seca, Queimadas, Remígio, Soledade, Taperoá, Cuité, Monteiro, Sumé, Patos, Piancó, Catolé do Rocha, São Bento, Cajazeiras, Sousa, Pombal, Princesa Isabel, Jurú, Tavares e Bonito de Santa Fé.
Doenças Decorrentes do Tabagismo
De acordo com a SES no período de 2001 até agosto de 2011, o câncer foi responsável por 25.224 mortes na Paraíba, sendo 12.933 em homens e 12.291 em mulheres. Os óbitos por neoplasias aconteceram em todas as faixas etárias, entretanto, o maior número de mortes se concentra na faixa a partir dos 50 anos. Nesta faixa, foram registradas 20.668 mortes, o que representa 82% de todas as ocorrências.
Além do câncer, o tabagismo pode acarretar em outras doenças como hipertensão, infarto, angina, derrame e doenças respiratórias obstrutivas como a bronquite crônica e enfisema pulmonar.

comentários