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ClickJus: Segurança da informação demonstra a necessidade de confiança na economia de dados

Os dados estão no núcleo da economia e fomentam a inovação. Pessoas e negócios usam dados para reduzir os custos de transação e tomar decisões informadas.

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Não é novidade que os dados constituem um ativo estratégico, determinam inclusive a competitividade e a relevância de uma organização. O crescimento exponencial das novas tecnologias diversifica a capacidade de coleta de dados e amplia a disponibilidade destes. Hoje, tendências podem ser identificadas de maneira única. 

Os dados estão no núcleo da economia e fomentam a inovação. Pessoas e negócios usam dados para reduzir os custos de transação e tomar decisões informadas. Atores diversificados, como indivíduos, famílias e organizações são simultaneamente consumidores e produtores de dados. Esse ecossistema digital delineia os contornos da economia de dados.

Este ativo se torna cada vez mais rapidamente um fator crítico para as atividades econômicas, transformando-as profundamente. Os seus efeitos têm o potencial de beneficiar vários setores da sociedade e da economia, organizando novas oportunidades de desenvolvimento e crescimento econômico.

Entretanto, a confiança é peremptória. A sua ausência pode retirar a estabilidade de ambientes de negócios e desorganizar mercados. Ganham importância, por isso, padrões de governança, mecanismos de segurança de informação e regulamentos que aperfeiçoem a proteção das partes interessadas, inspirando e mantendo a confiança na economia de dados.

Recentemente, a imprensa nacional divulgou incidentes de segurança da informação, tais quais o ataque cibernético ao Superior Tribunal de Justiça, que tornou inacessível toda a base de dados da Corte, abrangendo a integralidade do acervo de processos judiciais, bem como a exposição de dados de milhões de usuários de plataformas privadas de reserva de hospedagem, a exemplo de dados pessoais e detalhes sobre reservas feitas desde 2013.

Por parte do Judiciário brasileiro a resposta foi imediata. Na data de ontem, o Presidente do STF e do CNJ, Ministro Luiz Fux, anunciou a criação, pelo CNJ, de um Comitê Cibernético de Proteção à Justiça Digital, a fim de monitorar e debater iniciativas voltadas a aperfeiçoar a segurança dos sistemas eletrônicos dos Tribunais brasileiros.

Nas atividades econômicas, as empresas, igualmente, precisam focar em iniciativas vocacionadas à preservação da informação dos clientes e das partes relacionadas, assegurando o envolvimento da alta administração, o treinamento e a educação corporativa de colaboradores, terceiros e fornecedores. Sem dúvidas, medidas como estas contribuem para reduzir custos, aumentar a confiança e melhorar a reputação.

Este contexto demonstra a urgência e a indispensabilidade de que as organizações mapeiem os fluxos de informação, revisem políticas de acesso remoto, protocolos de segurança de provedores de nuvem e serviços de data centers, diagnosticando riscos e vulnerabilidades, juntamente a avaliação da conformidade das operações aos requisitos previstos nas legislações e nos regulamentos das jurisdições em que desenvolvem suas atividades.

Faz-se necessário, portanto, avaliar os níveis de integridade e criptografia, proteção dos dados, assertividade das ferramentas de segurança e soluções de detecção e resposta, englobando todas as operações e interações da organização. Ou seja, repensar uma nova abordagem que promova a reformulação das operações de TI e a adoção de padrões elevados de governança por meio de planos de ação específicos, utilizando indicadores para monitorar o desempenho dessas novas estratégias corporativas, que visam ampliar a eficiência das operações de segurança da informação.

A tecnologia também pode ser um suporte para alcançar essas finalidades, desde a implementação de técnicas de autenticação variadas para confirmar a identidade de usuários (autenticação em duas etapas, biometria, cartão de identificação) até os modelos de Inteligência Artificial desenvolvidos para que autonomamente reconheçam ameaças e identifiquem riscos de incidentes de segurança de informação, a partir da correlação entre dados de várias ferramentas de segurança assentados em regras predefinidas, aprimorando a capacidade de resposta aos incidentes.

A segurança da informação é, pois, uma convocação para que as organizações estabeleçam uma estrutura sólida que dissemine a confiança das pessoas e das partes interessadas na economia de dados. Esperam-se iniciativas que assegurem níveis elevados de proteção à privacidade e aos dados pessoais, de maneira que seja fomentado um ambiente de negócios inovador e em crescimento contínuo.

Wilson Sales Belchior – Graduado em Direito, especialista em Processo Civil e Energia Elétrica, MBA em Gestão Empresarial, Mestre em Direito e Gestão de Conflitos, Doutorando em Direito Constitucional. Advogado, palestrante, professor universitário em cursos de pós-graduação em diferentes estados e autor de diversos artigos e livros, publicados em revistas, jornais, portais de notícias e editoras de circulação nacional. Atualmente é Conselheiro Federal da OAB eleito para o triênio 2019-2021 e Presidente da Comissão Nacional de Direito Bancário.

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