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Alan Nuguette ignora a catimba de Bobby Green: "Ninguém é mais folgado do que o carioca"

Peso-leve brasileiro, não luta há 20 meses, diz que espera se apresentar mais uma ou duas vezes em 2020 e garante que nocauteará ou finalizará o americano no sábado.

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Ausente do octógono desde 2018, quando foi derrotado por Scott Holtzman no UFC 229, o peso-leve Alan Nuguette finalmente terá a oportunidade de voltar a lutar. Inicialmente agendado para enfrentar Rodrigo Vargas, o brasileiro viu o rival mudar, e agora enfrentará Bobby Green no próximo sábado, no "UFC Waterson x Hill". Em entrevista exclusiva ao Combate, Nuguette analisou o estilo de Green, e deixou claro que não se preocupa com as provocações que o americano costuma fazer na hora da luta.

- O Bobby Green é um cara do boxe, já estudei um pouco as lutas dele. Vamos fazer um confronto de grappler contra um striker. Ele tem o estilo parecido com o do Rodrigo Vargas, que eu ia enfrentar, então a estratégia não mudou muito, só ajustamos um pouco, porque ele gosta de ser mais malandro, mais catimbeiro, gosta de tirar onda no cage. Essa é a diferença dele. Mas a gente já está acostumado. Viemos do Brasil, e não tem mais catimba que no Brasil. Não tem ninguém mais folgado que o carioca (risos). Estamos acostumados com isso. O Bobby Green vai ser uma brincadeira de criança. Espero que eu consiga finalizar ele, porque estamos trabalhando muito o jiu-jítsu, ou no "ground and pound". Vai ser nocaute ou finalização.

Ao contrário do que se possa imaginar, Nuguette gostou da mudança de adversário. Mais experiente e tarimbado que Vargas, Bobby Green tem mais nome no evento, o que o brasileiro considera importante para, em caso de vitória, impulsioná-lo no ranking.

- A mudança foi muito boa. O Bobby Green é um cara respeitado na companhia, já é antigo, e a gente quer mesmo se testar com os grandes, então vai ser uma boa oportunidade lutar contra um cara de peso. Vai ser uma das maiores vitórias da minha história aqui no UFC, e vai me impulsionar para o top 10, para eu começar a lutar com os caras maiores. É difícil entrar nessa caixa. A minha categoria é uma das mais cheias do UFC, tem muitos atletas gabaritados. O cinturão vinha mudando muito de mãos, só agora o Khabib conseguiu segurar. Mas se ele quiser defender todo mês, sempre vai ter um cara querendo lutar com ele.

A dificuldade de encontrar parceiros de treinos em meio à pandemia do novo coronavírus atrapalhou um pouco a preparação de Alan Nuguette, mas o peso-leve conseguiu recrutar alguns sparrings em Orlando, nos EUA, aonde está morando, e contou também com a ajuda de Ronaldo Jacaré, que cedeu a sua garagem para alguns treinos.

- O camp foi bom. Sempre tem alguns empecilhos, mas a gente desvia. Não tem como, como esse novo normal, né? A gente tá tentando se adaptar e fazer da melhor maneira possível. Graças a Deus consegui trazer meu treinador, Josuel Distak, e a gente conseguiu fazer um bom camp com algumas pessoas. Ficamos na dúvida se chamávamos alguns momes, porque não sabíamos se eles estavam saindo de casa ou não. Fica essa incógnita sempre, né? Mas o trabalho foi bem feito, tive uma estrutura boa na Gracie Barra, em Orlando. Tinha uma academia só pra eu treinar e fazer a preparação física. Também fiquei na garagem do Jacaré, tranquilo. Ele me ajudou bastante, e eu sempre levava um sparring ou outro. Foi bom. Tivemos uma dificuldade de material humano, mas conseguimos solucionar isso. O Jacaré ajudou bastante no início, mas quando fui descendo de peso, fui chamando uns amigos mais leves para continuar o treinamento (o Jacaré tá muito pesado). Deu tudo certo.

A adaptação ao estilo de treinos na cidade americana também não foi fácil para Nuguette. O brasileiro conta que os atletas locais não estavam acostumados com a intensidade dos treinos que ele costuma fazer, o que dificultou um período da preparação.

- Eu senti um pouco quando eu cheguei, porque aqui o nível de treino é muito diferente. Nós viemos com uma ideia, mas no Brasil a gente tem muito mais qualidade de treino, muito mais atletas aguerridos. Aqui, se você treina um pouco mais duro, muitos atletas não entendem. E nós estamos acostumados a treinar forte mesmo, como se fosse luta. Aqui eles treinam muito mais leve e deixam o esforço pra luta. Foi ruim para eu me adaptar a isso. Mas eu consegui trazer o meu treinador e conseguimos voltar e fazer o que sempre fizemos: treinar como se fosse lutar, para quando chegar na luta, ela ser um treino.

Perguntado sobre os planos futuros, Nuguette garantiu que pretende lutar mais uma ou duas vezes em 2020, pois conta com a facilidade de estar morando nos EUA. as restrições de entrada de pessoas de outros países por conta da pandemia, na sua opinião, pode facilitar a lembrança do seu nome por parte do UFC para fazer mais lutas.

- Estamos prontos depois de quase 20 meses sem entrar no octógono. Quando eu ia lutar teve a pandemia e adiou mais cinco meses. Agora estou com mais um filho e preciso trabalhar. Quanto mais trabalho, melhor. Agora que o UFC restringiu para lutar quem mora aqui nos EUA, muita gente dos outros países não está conseguindo entrar, então se nós conseguirmos ficar longe dessa doença, acho que vai dar para lutar mais uma ou duas vezes esse ano ainda.

UFC Waterson x Hill       
12 de setembro de 2020, em Las Vegas (EUA)
CARD PRINCIPAL (21h de Brasília):        
Peso-palha: Michelle Waterson x Angela Hill
Peso-leve: Ottman Azaitar x Khama Worthy
Peso-mosca: Roxanne Modafferi x Andrea Lee
Peso-meio-pesado: Ed Herman x Mike Rodriguez
Peso-pena: Billy Quarantillo x Kyle Nelson
CARD PRELIMINAR (18h de Brasília):           
Peso-mosca: Matt Schnell x Tyson Nam
Peso-leve: Frank Camacho x Brok Weaver
Peso-leve: Matt Frevola x Roosevelt Roberts
Peso-meio-médio: Bryan Barberena x Anthony Ivy
Peso-leve: Bobby Green x Alan Nuguette
Peso-mosca: Sabina Mazo x Justine Kish
Peso-galo: Sijara Eubanks x Julia Avila
Peso-pesado: Roque Martinez x Alexander Romanov


Fonte: Combate.com

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