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Anderson Silva por Bruce Buffer: "Mostra às pessoas coisas que ninguém nunca viu antes"

Locutor do UFC relembra comercial gravado com o brasileiro na Argentina, onde pôde conhecer melhor o "Spider": "É a pessoa mais simpática e gentil do mundo até a hora de começar a lutar".

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Sempre que Anderson Silva esteve no octógono do UFC, Bruce Buffer estava lá para anunciá-lo. Neste próximo sábado, em Las Vegas, será a última vez em que o famoso locutor do Ultimate o chamará por “Spider” em cima do cage, antes do duelo com Uriah Hall que marcará sua despedida do MMA. O brasileiro está marcado na história do esporte, e tem também um cantinho especial nas melhores memórias de Buffer.

- É um legado que provavelmente nunca será tocado, e é um legado que será um indicativo só dele. E isso é realmente sobre o que é ter um legado, ser lembrado por ser exatamente você, não por mais ninguém, você lança tendências, você mostra às pessoas coisas que ninguém nunca viu antes. E não foi uma vez só, foi contínuo. Sua grandeza não foi apenas por uma noite, continuou sendo melhor e melhor e melhor. É impossível que Anderson não deixe um legado - disse Buffer em entrevista exclusiva ao Combate.

Com um conhecimento de quem está sempre à beira do octógono em praticamente quase toda a temporada, ano a ano, Bruce Buffer diz que também já se deparou com outros atletas tentando imitar o brasileiro. Eles não tiveram sucesso.

- Já vi pessoas tentando, mas ninguém é como Anderson Silva. Ninguém vai bater como ele, te aviso quando ver, mas não tenho visto ninguém como ele. Não recomendo isso aos lutadores, certo? Anderson sempre conseguiu se sair bem, exceto por uma vez que sabemos. O momento mais difícil e doloroso do Anderson para mim aconteceu bem na frente de onde eu estava sentado ao lado do octógono, quando o Chris Weidman bateu na perna dele e seu tornozelo quebrou bem feio. Já vi essa lesão antes, mas você nunca se acostuma a isso. E quando você os escuta chorando, e eles choram, você pensa, nossa deve ser muito doloroso. Não quero ver os lutadores machucados, quero vê-los fazendo grandes lutas e que façam mais lutas incríveis, e que cuidem de suas famílias.

Um dos momentos mais marcantes para Buffer, americano de 63 anos, aconteceu no UFC 134, em 2011, no Rio de Janeiro, evento que marcou a volta da organização ao país depois da solitária edição em São Paulo em 1998. Naquela noite, Anderson Silva defendeu o cinturão dos médios (até 84kg) num passeio diante do japonês Yushin Okami na luta principal.

- Foi tão espetacular porque foi a primeira vez que ouvi a plateia dizendo “it’s time” de volta para mim, o que me impressionou muito. Quando anuncio, estou olhando para os olhos do tigre, e não que eu não preste atenção aos fãs, mas estou focado no lutador. Então, toda a minha intenção é dar a eles toda a minha força no pulmão, minha energia, minha paixão, para anunciá-los e levantá-los nesse momento.

A relação com Anderson Silva se aprofundou durante as gravações de um comercial na Argentina, onde não faltaram estrelas. Ali, em 2012, Bruce Buffer pôde conhecer um pouco mais o brasileiro na intimidade.

- Sempre estive com o Anderson no octógono, mas, quando fui a Buenos Aires, filmamos um comercial de televisão com ele, (o ator) Steven Seagal e (o lutador) Lyoto Machida. Consegui visitar o Anderson, conhecê-lo melhor pessoalmente, ter um momento de interação com ele. Ele estava treinando com Steven Seagal e Machida na academia e essa foi a primeira vez que tive alguma interação com o Anderson. E desse ponto em diante, sempre que nos encontrávamos, ele era muito educado. Ele é a pessoa mais simpática e gentil do mundo até a hora de começar a lutar. E sempre fiquei muito impressionado com ele, porque é um cara muito calmo e cavalheiro, sempre tive muito apreço por ele.

Acostumado a ver sempre de perto os lutadores que sobem ao cage mais famoso do mundo, Bruce Buffer pode falar com propriedade sobre muitos deles. Ele garante ter logo visto no brasileiro que ele seria especial. Anderson Silva foi campeão peso-médio do UFC de outubro de 2006 a julho de 2013.

- Tenho essa sensação o tempo inteiro. Olhando para Anderson, era óbvio que o cinturão de campeão ia estar ao redor da sua cintura. Já vi isso em outros lutadores também. Em geral, tenho um bom olho para lutadores. Estou nesse jogo, não somente no UFC, mas no boxe também, por mais de 30 anos. Tendo uma mentalidade de lutador e por ter ficado frente a frente com lutadores, também tenho essa sensação e consigo vê-la em outros lutadores, como quando vi Israel Adesanya, George St. Pierre e Anderson Silva. Algumas pessoas que surgiram, como o Anderson Silva, têm o que chamo de “o fator”. São pessoas que você consegue observar que foram destinadas a serem grandes, que os fãs vão gostar deles, ir até eles e torná-los favoritos. O Anderson Silva é um campeão do povo, especialmente para os brasileiros. E ele ganhou respeito pelo mundo todo porque, vamos ser sinceros, é um dos melhores de todos os tempos que já entrou em um octógono, definitivamente.

E para mostrar que estar diante de Anderson Silva era especial, Bruce Buffer passou a usar ainda mais os pulmões para anunciar a lenda em ação.

- Tem um momento que está no YouTube onde tomei um pouco de ar e foi assim: “Anderson The Spider [puxa um ar] Silva”, pulando para cima e para baixo. E o único motivo que faço isso é porque sinto a emoção do momento, que é muito forte, e o fato de que as pessoas amam vê-lo lutando. Foi como quando me curvei para Randy Couture quando achei que era sua última luta, e pensei que nunca tinha me curvado para ninguém, mas me curvei para a grandeza. Para Anderson, pensei: como posso dar mais a ele? Então, dei meu ar.

Fonte: Combate.com

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