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Bethe conta recomeço após derrota para Ronda: "Sou uma nova mulher"

Lutadora relembra como superou primeiro revés na carreira, fala sobre a mudança de camp para os EUA e diz que Tate não continuará com o cinturão por muito tempo

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Sem lutar desde agosto de 2015, Bethe Correia volta ao octógono neste sábado, no UFC Tampa, contra Raquel Pennington, 11ª colocada no ranking peso-galo feminino do Ultimate.

A lembrança da derrota para Ronda Rousey (e dos memes que se sucederam à ela) agora fazem parte do passado. Afinal, a ex-contadora, que iniciou sua carreira profissional no MMA há apenas quatro anos, é dura na queda. 

O processo de superação, no entanto, foi doloroso, pois o revés para Ronda Rousey, no Brasil, também foi a primeira derrota de sua carreira. Mas Bethe está acostumada a superar desafios. Prova disso é que ela superou uma série de limitações nos últimos oito meses, a começar pela mudança de camp para os EUA, país cuja língua ela não dominava. Lá ela buscou refúgio em uma pequena cidade, próxima a San Jose, na Califórnia, quartel general da AKA (American Kickboxing Academy), time de estrelas do esporte como Daniel Cormier, Luke Rockhold, Cain Velásquez e Khabib Nurmagomedov.

- Eu tive uma preparação para a luta contra a Ronda bem complicada. Não foi fácil! Meu sonho é ser campeã, e eu estava perto disso, mas sonho sem fazer a coisa certa não funciona! Quando a luta acabou, eu estava em estado de choque, não tinha caído a ficha. Eu falava que queria lutar logo, parecia que nada tinha acontecido. Depois de uma semana que fui cair na real. Foi muito difícil! Vi que precisava de um tempo...Percebi que minha vida pessoal e profissional precisavam ser refeitas. Não tinha que reorganizar...tinha que refazer mesmo e, para isso, tinha que sair do Brasil. Eu amo o Brasil, mas mesmo você amando tanto algo, isso pode te magoar.

Fui brutalmente julgada por algo que a mídia distorceu em busca de ibope. Então, resolvi vir treinar um tempo nos EUA, para arrumar minha cabeça e me entender mais como lutadora. Às vezes você tem que sair da sua zona de conforto. Hoje sinto que fiz a coisa certa! Sou uma nova mulher! E só descobri isso quando tive coragem de mudar tudo - conta a lutadora paraibana em entrevista ao Combate.com

A mudança de ares e de treino trouxe novos elementos ao jogo de Bethe. Além de falar da preparação para o retorno ao octógono, a brasileira também abriu o jogo sobre o trash-talk contra Ronda, analisou uma possível luta com Cris Cyborg e disse que acredita que Miesha Tate não ficará com o cinturão da divisão por muito tempo.

- Vejo a Tate como uma campeã vulnerável. Não a vejo segurando o cinturão por muito tempo. Não a vejo com nível muito acima das outras meninas da categoria. Sem falar que não gosto dela! Tenho um assunto inacabado com ela e é uma coisa que quero resolver. Não pararei de lutar até resolver isso e fazer ela engolir tudo o que falou de mim por um ano já. Ainda vou lutar com ela, valendo ou não cinturão. Pode ser luta preliminar, em peso-casado ou até mesmo no quintal de casa... É questão de honra! Mas deixei isso de lado por meu foco, que agora é só na Raquel - dispara.

Confira o bate-papo na íntegra:

Combate.com: Como foi a experiência de se mudar para os EUA? Teve dificuldades em se adaptar e em se comunicar?

Bethe Correia: A experiência aqui foi incrível! Os americanos são muito fãs de MMA e têm uma visão do esporte bem diferente do Brasil. Eu também estou impressionada com o número de fãs que tenho aqui. É incrível! Conheci pessoas maravilhosas e vários brasileiros também. Quando à me comunicar,  eu desenrolo no "macaquês" como ninguém (risos).

Como foram os treinos para essa luta contra a Raquel? Teve alguma parte que você focou mais?

Eu foquei mais em mim no que na Raquel e todos os dias eu descobria falhas minhas. Aqui na AKA tem muitos atletas de estilos diferentes e eu sempre achava erros meus e buscava consertar. Acho que na luta contra a Ronda fiquei tão focada em estudar o jogo dela e no que não fazer com ela, que acabei esquecendo de mim. Descobri aqui que sou muito mais poderosa e habilidosa que imaginava.

O camp foi todo feito nos EUA? 

Sim. Meu camp para essa luta foi de foco e isolamento. Deixei família e amigos e me isolei numa pequena cidade tranquila, próximo a San Jose para treinar.
Quem vai estar no seu córner? Vão falar português ou inglês?
Meus córneres são: Leandro Vieira, Javier Mendez e Edelson Silva. Leandro e Edelson falam português, são brasileiros. Já o Javier não fala português, mas consigo compreendê-lo.

Quais são os pontos fortes da Raquel e como você acha que os estilos de vocês se casam nessa luta?

Raquel é uma lutadora dura, que se entrega à luta. Ela sempre faz boas lutas e acredito que sábado também será um grande duelo! Ela é uma boa trocadora que se arrisca bem no chão. Estou animadíssima, pois acredito que temos tudo para ganhar a luta da noite! E ainda quero o prêmio de melhor performance junto! 

O que mudou na Bethe Correia que enfrentou a Ronda para a Bethe de hoje?

A única coisa que mudou em mim foi que aprendi a ter o comando da minha vida. Ninguém pode tomar decisões por você, porque quem sente o que se passa na sua vida é apenas você.

Na época da luta contra a Ronda, muita gente criticou a falação e as provocações que vocês trocaram. Se arrepende de ter dito alguma coisa?

Não me arrependo de nada. Foi incrível viver tudo que vivi! Foi tão incrível que farei de tudo para ter uma nova história no UFC. É a minha vida tudo isso! Só aprendi com tudo o que vivi quem é verdadeiro e falso. Também aprendi o lado bom e ruim da mídia.
Desde a sua luta contra a Ronda muita coisa mudou na divisão… o cinturão já passou pela mão de outras duas lutadoras. 

Acha que a categoria ficou mais interessante depois que a Ronda perdeu?

Eu sabia que isso ia acontecer uma hora ou outra, só a Ronda que não enxergava isso...E eu entendo. Quando estamos invictos, nos sentimos fortes e confiantes ao ponto de achar que nunca perderemos. E a Ronda ainda tinha o fator de todos ao seu redor e a mídia fazerem-na acreditar nisso. Bem...aconteceu. MMA é diferente de todos os outros esportes, pq não é apenas uma modalidade, é de tudo um pouco. Por isso, todo mundo pode perder. Favoritismo é uma ilusão.

Como vê a Miesha Tate como campeã?

Vejo a Tate como uma campeã vulnerável. Não a vejo segurando o cinturão por muito tempo. Não a vejo com nível muito acima das outras meninas da categoria. Sem falar que não gosto dela! Tenho um assunto inacabado com ela e é uma coisa que quero resolver. Não pararei de lutar até resolver isso e fazer ela engolir tudo o que falou de mim por um ano já. Ainda vou lutar com ela, valendo ou não cinturão. Pode ser luta preliminar, em peso-casado ou até mesmo no quintal de casa... É questão de honra! Mas deixei isso de lado por meu foco, que agora é só na Raquel.

Como vê a luta entre a Miesha Tate e a Amanda Nunes? Acha que a Amanda mereceu a chance ou acha que a Holly Holm merecia revanche?

Acredito que todos que chegam na disputa de título merecem de alguma forma. O UFC não dá uma chance dessa do nada! Quanto à Holly, ela é uma grande atleta. Foi graças à ela que a categoria deu essa reviravolta. Acho que ela merece sim lutar novamente pelo título, mas não agora...Tudo é uma conquista.

O que achou da estreia da Cris Cyborg no UFC Curitiba? Acha que há espaço para um nova divisão feminina no UFC ou ela terá que se adequar ao peso-galo em seus próximos combates? 

Se eu acho que deveria abrir uma nova categoria? Eu queria é que abrissem todas (risos). Seria um sonho ver o MMA feminino chegar ao patamar do masculino, com várias categorias, vários atletas... Espero ver um dia isso acontecer. Porém, para isso acontecer, as mulheres precisam se descobrir como lutadoras. Há muitas garotas com esse dom, que não sabem que podem ser lutadoras. A Cris é sinonimo de persistência, batalhou tanto pra entrar no UFC que acredito que até quem era contra aprovou! 

Aceitaria enfrentar a Cris Cyborg no futuro?

Eu não consigo entender como lutar com a Cris parece ser algo tão anormal para as pessoas! Eu gosto muito de representar o Brasil e lutar contra uma brasileira seria melhor minha última opção, só lutaria se o UFC pedisse. Por promoção, só se a luta fosse pelo cinturão ou uma luta principal, por exemplo...Mas lutaria sim com a Cris, até porque lutar com ela deve ser uma adrenalina incrível!

UFC: Teixeira x Evans
16 de abril de 2016, em Tampa (EUA)
CARD DO PRINCIPAL (a partir de 21h de Brasília):
Peso-meio-pesado: Glover Teixeira x Rashad Evans
Peso-médio: Lyoto Machida x Dan Henderson
Peso-casado (até 72,5kg): Khabib Nurmagomedov x Darrell Horcher
Peso-palha: Rose Namajunas x Tecia Torres
CARD PRELIMINAR (a partir de 17h de Brasília):
Peso-leve: Beneil Dariush x Michael Chiesa
Peso-galo: Bethe Correia x Raquel Pennington
Peso-meio-médio: Court McGee x Santiago Ponzinibbio
Peso-pena: Cub Swanson x Hacran Dias
Peso-galo: John Dodson x Manny Gamburyan
Peso-meio-médio: Randy Brown x Michael Graves
Peso-leve: Drew Dober x Islam Makhachev
Peso-médio: Oluwale Bamgbose x Cézar Mutante
Peso-meio-médio: Elizeu Capoeira x Omari Akhmedov 

Combate

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