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Kamaru Usman diz que Durinho acredita em si mesmo, mas sabe que vai perder no UFC 258

Detentor do cinturão dos pesos-meio-médios do Ultimate, nigeriano afirma que ascensão do brasileiro foi inspirada em seu exemplo nos treinos. Ele também diz que representa o Brasil como campeão.

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Kamaru Usman e Gilbert "Durinho" Burns se conhecem muito bem. Uma estatística não-oficial repetida ad nauseam durante a promoção do UFC 258 do próximo sábado, onde os dois disputam o cinturão peso-meio-médio, é que eles já fizeram mais de 200 rounds de sparring juntos. E talvez seja por isso que, apesar de demonstrar respeito e admiração pelo ex-companheiro de treinos, o atual campeão mundial se mostre tão confiante na manutenção do título.

- Eu vencerei do jeito que eu quiser. Daniel Cormier (ex-lutador e atual comentarista do UFC) disse esta semana que, no fundo, nós sabemos o que vai acontecer. E eu acredito de verdade que Gilbert sabe disso também. Eu acredito que ele acredite em si mesmo, ele tem confiança em si mesmo e isso aparece agora nas suas lutas. Gosto disso, eu aplaudo isso, mas eu não comecei a fazer isso há dois anos, estou fazendo isso por toda minha carreira. Não deixo nada descoberto quando me preparo para estas lutas, e acho que isso vai me ajudar a prevalecer no sábado - afirmou o "Pesadelo Nigeriano" em entrevista.

Quando Usman menciona que "não começou há dois anos", ele se refere ao período em que Durinho está lutando como peso-meio-médio no UFC. Após sua vitória sobre Tyron Woodley em maio de 2020, o brasileiro citou que, mais do que a subida de peso, sua boa fase se devia a uma dedicação quase maníaca à preparação pré-luta. O campeão acredita que isso é consequência da inspiração que ele tirava ao vê-lo na academia.

- Menos de dois anos atrás, Gilbert perdeu uma luta. (NOTA DO EDITOR: a última derrota de Durinho no MMA, na verdade, foi em julho de 2018, contra Dan Hooker). Obviamente, assistindo e seguindo as coisas que já fiz, e é claro que fomos colegas, é uma inspiração para ele e ele mesmo já disse isso. Depois disso, ele mudou muita coisa na sua rotina e isso o ajudou a ser bem sucedido. Mas ele vem fazendo isso há quase dois anos e eu venho fazendo por toda minha carreira. Por isso acho que serei bem sucedido no sábado.

Usman não divide mais o tatame com Durinho há pouco mais de seis meses. Ele passou a treinar no Elevation Fight Team de Denver, Colorado (EUA), na mesma época em que o brasileiro foi anunciado como seu próximo desafiante, no UFC 251 de julho (Durinho acabaria substituído por Jorge Masvidal após contrair Covid-19 pouco mais de uma semana antes do evento). O nigeriano jura que a mudança não foi motivada pelo iminente confronto, mas admite que o casamento da luta foi um fator.

- Era algo que eu já estava pensando antes mesmo de casarem a luta. O time estava mudando muito. Neste ponto da minha carreira, eu precisava de algo um pouco diferente, precisava de mais atenção, porque uma coisa é treinar e conquistar o título, mas é outro desafio manter o título e defendê-lo. Eu precisava de um pouco mais de atenção, um pouco mais de especialização que achei que não tinha lá.

- Sou um cara de bom coração. As pessoas meio que veem isso de forma errada, como uma fraqueza. Eu genuinamente quero que as pessoas se deem bem. Esta era a única razão pela qual eu ia ao Brasil ajudar o Gilbert a ser bem sucedido em suas lutas, porque eu genuinamente me importava muito para ajudar como eu poderia. Infelizmente, esta situação surgiu e ele disse, "Isto é o que eu quero, quero tomar o que é seu". Então no sábado terei que entrar e defender isso - disse o campeão.

Os dois lutadores se distanciaram uma vez que Usman passou a treinar em Denver, mas mantêm o respeito mútuo. Ambos se ofereceram a pagar uma cerveja para o outro após a luta e acreditam que a amizade entre eles pode sobreviver ao combate. Mas o campeão antecipa que a dinâmica possa mudar.

- Depende dele. Acho que sim. Depois de eu entrar lá e fazer meu trabalho, depende dele. Foi ele que me desafiou. Ele ainda vai querer ser amigo após eu vencê-lo e manter o cinturão? Se ele quiser, então sim. Em algum momento, acho que podemos ser. A dinâmica da relação vai mudar? Um pouco, porque quando você compartilha tempo naquele cage com tudo que está em jogo, sim, vai mudar um pouco.

Filha brasileira - Apesar de estar no caminho de um lutador brasileiro, Kamaru Usman garante que também representa o país quando entra no octógono. O motivo disso é sua filha de seis anos de idade, Samirah, que tem nacionalidade brasileira através de sua mãe, Eleslie. Usman faz questão de manter a menina conectada à cultura brasileira e mostra muito orgulho por esta herança cultural.

- Ela adora coxinha e eu também, nós adoramos coxinha. Sua bebida favorita, ela me disse hoje que é (suco de) maracujá. Minha filha fala português fluente. Eu tento garantir que mantenhamos este elo e esta proximidade (com o Brasil). Meu amor pela nação brasileira é grande e profunda. Brasil vocês ainda têm seu campeão. Depois de sábado, o Brasil ainda terá seu campeão, que é o "Pesadelo Nigeriano" - afirmou Usman.

UFC 258             
13 de fevereiro de 2021, em Las Vegas (EUA)
CARD PRINCIPAL (0h, horário de Brasília):         
Peso-meio-médio: Kamaru Usman x Gilbert Durinho
Peso-mosca: Maycee Barber x Alexa Grasso
Peso-médio: Kelvin Gastelum x Ian Heinisch
Peso-leve: Jim Miller x Bobby Green
Peso-médio: Maki Pitolo x Julian Marquez
CARD PRELIMINAR (20h15, horário de Brasília):              
Peso-médio: Rodolfo Vieira x Anthony Hernandez
Peso-meio-médio: Belal Muhammad x Dhiego Lima
Peso-palha: Polyana Viana x Mallory Martin
Peso-galo: Andre Ewell x Chris Gutierrez
Peso-pena: Ricky Simón x Brian Kelleher
Peso-meio-médio: Gabriel Green x Phil Rowe
Peso-mosca: Gillian Robertson x Miranda Maverick

Fonte: Combate.com

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