MMA

Após morte de ex-lutador órgão regulatório diz que eventos de boxe sem luvas não seguem o mínimo de regras médicas

Associação de Comissões de Boxe dos EUA condena práticas de organizações que não exigem exames de imagem e contratam ex-lutadores que não seriam licenciados para lutas profissionais de MMA.

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A morte do ex-lutador de MMA Justin Thornton no início desta semana, pouco mais de um mês após uma derrota por nocaute em sua estreia no boxe sem luvas, assombrou a comunidade da luta. A Associação de Comissões de Boxe dos EUA (ABC, na sigla em inglês), que supervisiona as comissões atléticas estaduais responsáveis pela regulamentação dos esportes de combate no país, emitiu na terça-feira um comunicado assinado por seu comitê médico.

O texto condena más práticas que se tornaram comuns no boxe sem luvas, esporte em ascensão nos EUA. Entre elas, a idade e nível de habilidades dos lutadores escalados, assim como a escalação de lutadores vindos de longos períodos de inatividade. "O comitê está especialmente preocupado que atletas competindo no boxe sem luvas estejam sob riscos maiores de lesões agudas e crônicas devido a esses e outros fatores", diz um trecho.

Thornton morreu aos 38 anos de idade com um cartel de seis vitórias e 18 derrotas em combates oficiais de MMA, e havia sido finalizado ou nocauteado em suas últimas cinco lutas antes de estrear no boxe sem luvas pelo evento "Bare Knuckle Fighting Championship", um dos torneios emergentes do esporte. Thornton foi nocauteado em apenas 19s de luta por Dillon Cleckler em 20 de agosto, e permaneceu hospitalizado desde sua derrota, também por conta de uma infecção decorrente de uma lesão na medula espinhal.

Em julho, a ABC criou um comitê para examinar o boxe sem luvas e formular sugestões de unificação de regras para os eventos. No entanto, a associação alega que "apesar de nossas recomendações, algumas jurisdições que regulamentam esses eventos ainda não seguem as mínimas guias médicas determinadas pela ABC e pela Associação de Médicos de Ringue (ARP, na sigla em inglês). Mais preocupante é o fato que muitas comissões ainda não exigem nenhum estudo de imagem (seja tomografia computadorizada ou ressonância magnética) num esporte em que os indivíduos estão sob risco de lesões crônicas e agudas na cabeça".

Segundo o presidente da ABC, Mike Mazzulli, comentou ao site "MMA Junkie", a ABC ainda serve apenas como um guia para o boxe sem luvas, sem poder de agir mais diretamente na regulamentação. Ele se mostrou decepcionado que promotores e órgãos regulatórios não têm sido mais precavidos ao licenciar lutadores e confrontos.

- Toda comissão estadual e tribal precisa cuidar da segurança (dos lutadores). A ABC não está aqui para dizer a vocês como devem fazer. Estamos aqui para ajudá-los a fazê-lo, mas tem sido muito decepcionante. (...) Esses caras estão reciclando lutadores MMA que não deveriam mais estar lutando. Eles não passam em exames para lutas de MMA, então vão para o boxe sem luvas. (...) Este é um grande exemplo do que está errado com o boxe sem luvas e o que eles estão fazendo com esses lutadores. Isso me incomoda. Nós falamos sobre a segurança dos lutadores e em proteger os lutadores a todo custo. Isso (falta de cuidado) precisa parar - disse Mazzulli ao "MMA Junkie".

O BKFC tem sido o evento de maior sucesso no boxe sem luvas, e tem seguido a fórmula de atrair lutadores aposentados do MMA para seus eventos. Entre os lutadores com passagem pelo UFC que se apresentaram no BKFC, estão nomes como Alan Belcher (não lutava desde 2013), Ricco Rodriguez (lutou na organização aos 40 anos), Chris Lyttle (lutou em 2018, não lutava desde 2011) e Chris Leben (na organização desde 2018, não lutava desde 2013), entre outros.

No comunicado, a ABC recomendou uma "triagem ampliada" dos lutadores considerando participação nesses eventos, incluindo exames médicos adicionais que não são exigidos atualmente.

"Dada a informação limitada sobre os riscos médicos do boxe sem luvas, o comitê médico da ABC implora que as comissões que considerem licenciar esses eventos procedam com precaução. Além disso, nós encorajamos essas jurisdições que ainda estão deficientes nessas guias e recomendações médicas mínimas a imediatamente atualizarem e revisarem seus requerimentos para incluir tomografia computadorizada, ressonância magnética e/ou liberação neurológica de um neurologista certificado pela comissão antes de liberar um lutador a competir", completa o comunicado.


Fonte: Combate.com

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