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Pantoja e a jornada dupla antes de última luta: “Trabalhava por 100 dólares e depois lutei por 100 mil”

Brasileiro venceu Brandon Royval no último sábado, mas passou por uma série de dificuldades antes de subir ao octógono.

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Alexandre Pantoja foi um dos destaques do UFC no último sábado, em Las Vegas, quando finalizou Brandon Royval no segundo round, o que garantiu a ele também um prêmio de US$50 mil (cerca de R$260 mil) pela “Performance da Noite”.

Em entrevista, o brasileiro contou como foram os problemas que enfrentou até finalmente pisar no octógono para enfrentar Royval.

- Eu tive uma contusão cerca de um mês e dez dias antes da luta e ela foi bem séria. Eu não quero falar qual foi a lesão porque a gente quer ver o que será feito, pois há uma grande possibilidade dessa luta (contra o Brandon Moreno pelo cinturão) realmente acontecer. O UFC gostou muito desse casamento, por eu ter vencido o Brandon. Foi uma lesão muito séria, e ela poderia não somente me tirar da luta, como também me atrapalhou a treinar. Eu praticamente fiquei um mês só fazendo manopla e drills, e tive praticamente um treino intenso apenas, pra ver o que eu conseguiria fazer na luta. Meu medo era me machucar na luta e perder pra mim mesmo, não perder lutando. Isso seria horrível.

- Além disso, o (Marcus) Parrumpinha, que é meu treinador principal, teve um problema muito grave e ficou duas semanas internado. E isso abalou muito a gente. Foi um problema muito grave, mas ele conseguiu superar, e eu conversava com ele diariamente, mas conversava mais sobre a saúde dele do que sobre o andamento dos treinos, pra não estressá-lo ainda mais. Eu falei pra ele que ele não ia pra luta comigo, pois seria um grande desgaste pra ele, mas ele foi ficando com um quadro melhor e essa ida dele pra luta foi fundamental pra minha vitória.

Radicado na Flórida, onde treina na American Top Team, Pantoja passou ainda por dificuldades financeiras antes da luta contra Royval, obrigando o lutador brasileiro a ter uma jornada dupla durante seus treinamentos para a disputa.

- Eu investi em uma casa após minha última luta, em fevereiro. Foi um valor alto, mas então pude trazer minha família que estava no Brasil aqui pra perto de mim. Eu estava longe deles há nove meses. Eu tenho uma esposa e dois filhos, e pra um pai ficar tanto tempo afastado dos filhos é muito duro, então por mais que eu ficasse apertado de dinheiro, eu consegui trazê-los. Mas eu fiquei apertado de uma maneira que eu passei a fazer entrega de delivery aqui após os treinos. Se eu não estivesse fazendo, iria me complicar, pois eu estava fazendo alguns exames e outras coisas, e acabei gastando bastante dinheiro. Se eu não estivesse trabalhando, iria ficar com a corda no pescoço. No fim de semana antes da luta, eu estava trabalhando por 100 dólares e na semana seguinte lutaria pra fazer 100 mil. 

-Uma semana antes, estava chovendo na Flórida e eu fazendo as entregas, não queria parar. Peguei uma gripe forte e fiquei três dias sem ir pra academia, fiquei alguns dias tomando xarope. Meu maior medo era não conseguir bater o peso e não lutar. Foi um corte de peso difícil porque eu não estava treinando direto e estava tomando remédios, então o corte de peso dá uma travada, então no momento que eu consegui bater o peso eu agradeci muito a Deus, porque pelo menos o dinheiro da bolsa de participação da luta eu teria. Naquele momento eu agradeci a Deus, e é claro que eu queria a vitória, mas eu já estava grato. Acabou que Deus olhou tanto pra mim, pelo que eu batalhei pra conseguir lutar, que fui abençoado em também ganhar o bônus depois da vitória. E talvez ainda venha a luta pelo cinturão. Foi uma grande carga de emoções. Foi uma coisa muito forte pra mim.

As dificuldades de Pantoja surpreenderam até seus parceiros de treinos, que não sabiam sobre o problema financeiro que ele vinha passando.

Pantoja falou ainda sobre a possibilidade de enfrentar Brandon Moreno pela terceira vez - o brasileiro venceu as duas anteriores. O lutador contou também como foi sua trajetória até chegar ao Ultimate.

- Eu até falei com a minha esposa que depois da luta eu continuaria trabalhando, mas graças a Deus não será necessário. Meus amigos da academia quando souberam o que eu tinha passado falaram que eu era doido, que se tivesse falado com eles, eles me ajudariam de alguma forma. Mas minha vida nunca foi fácil, eu venho de uma família onde minha mãe segurou a barra de três filhos sozinha. Fui muito acostumado a não ter muita gente pra me apoiar. Claro que eu sempre tive, Deus sempre colocou pessoas boas na minha vida, mas eu sempre tentei resolver os meus problemas. Eu sabia que eu sempre poderia contar com os meus amigos, mas enquanto eu tinha saúde, dois braços e duas pernas, eu iria fazer por mim. Lutei muito por isso, e talvez se não fosse tudo isso que passei eu não estaria tão forte mentalmente pra vencer essa luta. Finalizou.


Fonte: Combate.com

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