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Internada

Após jantar comida japonesa, jovem é internada em UTI com doença da “urina preta”

Conforme a família, Kelly começou a se sentir mal no último dia 24, um dia depois de ir ao restaurante japonês.

A jovem Kelly Silva, de 27 anos, está internada há duas semanas em uma Unidade de Terapia Intensiva (UTI) de Goiânia (Foto: Reprodução)

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A jovem Kelly Silva, de 27 anos, está internada há duas semanas em uma Unidade de Terapia Intensiva (UTI) de Goiânia (GO) por causa da Síndrome de Haff, conhecida como doença da “urina preta”. De acordo com a família da jovem, ela começou a apresentar os primeiros sintomas da doença após comer comida japonesa com uma prima, em Goianésia (GO).

Conforme a família, Kelly começou a se sentir mal no último dia 24, um dia depois de ir ao restaurante japonês. Já no dia 26, a jovem precisou ser internada. “Ela começou com sensação de desmaio e foi perdendo muita força. Ela foi carregada para o hospital porque não conseguiu ir com as próprias pernas”, disse ao G1 a mãe da jovem, Maria da Conceição.

Segundo a assessoria de imprensa da prefeitura da cidade, o local onde Kelly jantou com a prima passou por uma fiscalização. Ainda de acordo com a família de Kelly, o estado de saúde dela é grave, mas ela reage bem ao tratamento.

Nas redes sociais, a administração municipal informou que até o momento, o caso de Kelly é o único notificado na cidade. “A Vigilância em Saúde e a Vigilância Sanitária, estão acompanhando o surgimento de possíveis novos casos. Para tanto, foi emitido um comunicado oficial de alerta epidemiológico para as instituições hospitalares a respeito de sinais ou sintomas relacionados à doença”, informou a prefeitura.

Síndrome de Haff
A Síndrome de Haff, conhecida como doença da “urina preta”, é causada por uma toxina que pode ser encontrada em determinados peixes e crustáceos. A substância gera danos no sistema muscular e em órgãos como rins.

Ela se constitui em um tipo de rabdomiólise, nome dado para designar uma síndrome que gera a destruição de fibras musculares esqueléticas e libera elementos de dentro das fibras (como eletrólitos, mioglobinas e proteínas) no sangue.

O nome foi dado em razão da descoberta da doença em um lago chamado Frisches Haff, na região de Koningsberg em 1924. O território, à beira do Mar Báltico, pertencia à Alemanha, mas foi incorporado à Rússia posteriormente, constituindo um enclave entre a Polônia e a Lituânia.

A doença de Haff gera uma rigidez muscular. Além disso, frequentemente ocorre como consequência o aparecimento de uma urina escura em função da insuficiência renal, razão pela qual essa expressão é utilizada para se referir à enfermidade.

Em artigo sobre a doença, médicos do Hospital São Lucas Copacabana explicam que ainda não houve confirmação sobre a natureza da toxina constante nos peixes cuja ingestão provocou a doença. Em alguns livros, ela está associada ao envenenamento por arsênico.

Ao G1, a infectologista Mariana Tassara explicou que a toxina pode ser desenvolvida em peixes crus ou cozidos, já que ela é termoestável, ou seja, não é eliminada em altas temperaturas. “O acondicionamento desse peixe pode causar essa toxina que provoca a intoxicação alimentar. Por ser uma síndrome bem rara, não é preciso ter pânico”, explicou a médica.

Ainda conforme os especialistas, a toxina não tem nem gosto nem cheiro específicos, o que torna mais complexa a sua percepção. Ela também não é eliminada pelo processo de cocção do peixe.

Nos relatos registrados ao longo dos anos, pessoas acometidas da doença ingeriram diferentes tipos de peixe, como salmão, pacu-manteiga, pirapitinga, tambaqui, e de diversas famílias, como Cambaridae e Parastacidae.

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