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Bolsonaro fala em interferências no Executivo horas antes de depoimento à PF

Ao falar em interferências, Bolsonaro comentava os desafios enfrentados pelo governo nos últimos anos, até chegar em 2021.

O presidente da República, Jair Bolsonaro (PL) (Foto: Fabio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil)

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BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS) — A poucas horas do prazo determinado para prestar depoimento à Polícia Federal (PF), o presidente Jair Bolsonaro (PL) falou sobre "interferências" no poder Executivo.

"[Em 2021] enfrentamos também outras atribulações. Interferências no Executivo, as mais variadas possíveis", disse o presidente, em cerimônia no Palácio do Planalto.

"Sempre, da nossa parte, jogando com aquilo que nós temos e aquilo que nós juramos respeitar por ocasião da nossa posse, a nossa Constituição", completou.

Ao falar em interferências, Bolsonaro comentava os desafios enfrentados pelo governo nos últimos anos, até chegar em 2021.

Ele não citou diretamente quem estaria realizando essas interferências, mas em outros momentos acusou o STF (Supremo Tribunal Federal), em especial o ministro Alexandre de Moraes, de fazê-lo.

Moraes é relator de inquéritos que tem Bolsonaro e seus aliados como alvo.

Nesta quinta-feira (27), o ministro do STF determinou que o presidente depusesse na superintendência da Polícia Federal de Brasília no âmbito da apuração sobre vazamento de inquérito sigiloso do TSE (Tribunal Superior Eleitoral) em live do presidente.

De acordo com o ministro, como Bolsonaro não indicou local, dia e horário dentro do prazo para ser ouvido pelos policiais, ele terá que comparecer na PF às 14h para o interrogatório.

Caso não compareça, o presidente descumprirá uma ordem judicial. Caberá a Moraes definir medidas, ainda não especificadas.

No ano passado, a Polícia Federal instaurou esse inquérito para saber como vazou investigação sobre o ataque hacker ao Tribunal Superior Eleitoral utilizada pelo presidente Jair Bolsonaro para levantar a tese de fraude na eleição de 2018 em entrevista no dia 4 de agosto.

Além da responsabilidade pela divulgação dos documentos, a PF pretendia apurar como o deputado Filipe Barros (PSL-PR), relator da PEC do voto impresso, soube da existência do caso sigiloso em andamento no órgão.

A apuração foi solicitada pelo TSE (Tribunal Superior Eleitoral) e sua abertura foi ordenada por Alexandre de Moraes. O ministro do STF entendeu que o caso tem relação com o inquérito das fake news e se manteve como relator do caso.

O inquérito apura o vazamento de dados sigilosos. Bolsonaro acessou e divulgou as informações sobre o ataque ao sistema do TSE após Filipe Barros, na condição de autoridade como parlamentar, pedir acesso à investigação ao delegado Victor Feitosa Campo, da superintendência da PF no Distrito Federal. O pedido foi atendido.

Na cerimônia desta sexta-feira, pela primeira vez, o presidente do PL, Valdemar Costa Neto, esteve no palco com o presidente. Bolsonaro filiou-se ao partido do centrão no ano passado para disputar a sua reeleição.

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