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Fragmento de mariposa é a causa das lesões de pele que provocam coceira em Pernambuco

O inseto, do gênero Hylesia, libera cerdas corporais minúsculas enquanto vooam em torno de focos de luz.

Os médicos conseguiram identificar cerdas da mariposa em amostras de pele coletadas dos pacientes via raspagem. (Foto: Reprodução)

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RIO — Membros da Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD) descobriram que fragmentos da área abdominal de um tipo de mariposa é a causa das lesões de pele que provocam coceira em Pernambuco. O inseto, do gênero Hylesia, libera cerdas corporais minúsculas enquanto vooam em torno de focos de luz. Essas pequenas partes penetram profundamente na pele humana e causam uma intensa dermatite.

Os casos da lesão corporal, até então misteriosa, começaram em uma região residencial que fica próximo a uma área de reserva de mata Atlântica do Parque Estadual de Dois Irmãos, em Recife (PE). Por conta do período de reprodução, as mariposas ficam em maior número na natureza e costumam invadir as casas, atraídas pelas luzes das residências, aumentando o contato com os humanos.

Segundo a Secretária Estadual de Saúde de Pernambuco (SES-PE), 485 casos foram notificados desde novembro, quando as primeiras pessoas começaram a apresentar a lesão misteriosa. Já são 17 cidades com casos ativos.

Várias hipóteses foram levantadas para o surto e incluíram intoxicação por ivermectina, escabiose, picadas de insetos e outras, mas sem nenhuma comprovação.

Um trabalho conjunto da dermatologista Cláudia Ferraz, que pesquisou a história epidemiológica correta e descreveu adequadamente as lesões, além de suspeitar a provável etiologia, e do dermatologista Vidal Haddad Junior, que havia testemunhado e publicado outros surtos, esclareceu a etiologia da erupção cutânea.

Os médicos conseguiram identificar cerdas da mariposa em amostras de pele coletadas dos pacientes via raspagem.

— A dermatite ocorre quando as cerdas entram em contato com a pele das pessoas, causando uma reação intensa até que sejam retiradas. A pessoa pode permanecer com coceira por até 14 dias. Observamos que essas lesões não são contagiosas e ocorrem em áreas do corpo normalmente mais expostas ou em regiões com dobras, que podem acumular cerdas — explica Ferraz, que além de ser membro da SBD também é professora de dermatologia da Universidade Federal de Pernambuco.

"Com a comprovação das cerdas no exame direto, história clínica e epidemiológica extremamente compatível e relato de mariposas no local feito pelos moradores, concluímos que o mistério está resolvido e esperamos que os tratamentos corretos sejam ministrados à população.", escreveu a SBD em nota.

Como as mariposas são atraídas pela luz, a médica recomenda que as pessoas fechem as janelas no período noturno, apaguem as luzes das áreas externas da casa, evitem deixar roupas estendidas à noite em locais iluminados. Além disso, ela orienta que superfícies e o chão sejam limpos com um pano úmido para evitar o contato das cerdas com a pele. Caso uma pessoa encontre uma mariposa dentro de casa, deve apagar a luz e esperar o inseto sair da residência.

— Ao entrar em contato com a cerda da mariposa, o paciente pode tomar um banho ou fazer compressas de água gelada. Em caso de coceira intensa, ele deve procurar atendimento médico. Caso haja necessidade, o especialista pode recomendar anti-histamínicos ou corticóides tópicos. Se a lesão for mais grave, um corticoide oral pode ser recomendado — afirma Ferraz.


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