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Não vai mudar nada na Petrobras, diz Mourão

"Esse novo presidente da Petrobras que vai ser nomeado, o Adriano Pires, se você ler tudo o que ele escreve vai continuar tudo como dantes no quartel de Abrantes. Não vai mudar nada", disse Mourão.

O vice-presidente Hamilton Mourão (Republicanos) (Foto: Reprodução)

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BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS) — O vice-presidente Hamilton Mourão (Republicanos) afirmou nesta quarta-feira (30) que "não vai mudar nada" na Petrobras com a demissão do presidente da estatal, Joaquim Silva e Luna, e sua substituição pelo economista Adriano Pires.

"Esse novo presidente da Petrobras que vai ser nomeado, o Adriano Pires, se você ler tudo o que ele escreve vai continuar tudo como dantes no quartel de Abrantes. Não vai mudar nada", disse Mourão, ao chegar em seu gabinete no complexo do Palácio do Planalto, em Brasília.

"A Petrobras é uma empresa com ação em Bolsa, tem conselho de administração, tem toda uma governança. Ela não pode voltar aos fatos que ocorreram no período dos governos do PT, onde um misto de incompetência, má gestão e corrupção deixou a empresa praticamente na lona. A empresa está recuperada, então esse assunto tem que ser discutido bem."

Na noite de terça (29), o jornal Folha de S.Paulo mostrou que executivos do mercado de combustíveis e pessoas próximas a Pires afirmam que ele deverá seguir com a política de preços da empresa, defendendo, inclusive, reajustes periódicos e com intervalos pequenos.

Os repasses da escalada de petróleo para o consumidor foram justamente a causa de atrito entre o general Silva e Luna com o Palácio do Planalto.

Por isso, investidores institucionais e grandes fundos ouvidos pela Folha avaliam que os atritos com o governo tendem a se repetir com Pires no comando.

No entanto, acreditam que a proximidade de Pires com o Congresso abrirá caminho para um plano B — a criação de algum mecanismo de compensação sempre que o petróleo estiver muito alto.

O aumento dos combustíveis é uma das maiores preocupações do governo, pois os reajustes, cada vez mais altos, são interpretados como um risco à reeleição do presidente, e tem gerado pressão dentro do próprio governo por uma solução para amenizar o preço para o consumidor final.

Pesquisa Datafolha divulgada nesta semana mostra que, para a maioria dos brasileiros (68%), o governo de Bolsonaro tem responsabilidade pela alta no preço dos combustíveis.

Também nesta quarta, Mourão elogiou Silva e Luna e minimizou o descontentamento do general com a forma como sua demissão foi anunciada.

"O Silva e Luna é um dos oficiais mais completos e preparados da nossa geração, digo o pessoal formado na Academia Militar na primeira metade dos anos 1970. Ele já foi ministro da Defesa, foi presidente de Itaipu; agora estava na Petrobras, fez um excelente trabalho na Petrobras, então ele está tranquilo, ele é um cara muito tranquilo", disse o vice.

Na terça, Silva e Luna declarou que a Petrobras não pode fazer "política partidária", e que não há lugar para aventureiro nela.

Em palestra no STM (Superior Tribunal Militar), ele disse ainda que "é difícil para a cabeça de muita gente" entender o papel da estatal e que já explicou para "autoridades de alto nível" a política de preços, mas que elas entram no "lado emocional" e questionam o motivo de ele não poder fazer política pública na Petrobras.

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