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Queiroga admite 'falha' ter mostrado dedo para manifestantes

De volta ao Brasil, ministro falou sobre isolamento nos EUA, defendeu a vacinação e evitou falar sobre o próprio tratamento.

No retorno ao Brasil, Queiroga não quis falar sobre o tratamento usado contra a Covid-19 (Foto: JOEDSON ALVES/EFE)

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No primeiro dia de trabalho após o retornar de Nova York, onde participou da 76ª Assembleia-Geral da ONU e passou duas semanas em isolamento, o ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, admitiu ter errado ao mostrar o dedo para manifestantes contrários ao governo, evitou falar sobre o tratamento que fez para Covid e defendeu a vacinação da população. Durante 15 minutos de conversa nesta terça-feira (5), tempo não habitual para as declarações feitas por ele em frente ao ministério, Queiroga disse ainda que o cenário epidemiológico no Brasil é "cada vez mais satisfatório." 

Durante a passagem por Nova York, Queiroga disse que parte da hospedagem foi na casa de amigos. Ele estava acompanhado da esposa. No dia de retorno da comitiva ao Brasil, Queiroga foi diagnosticado com Covid. Ele disse que apresentou sintomas, como febre alta, no segundo dia após do diagnóstico. Perguntado se havia usado cloroquina para o tratamento, ele não quis falar sobre quais os medicamentos foram prescritos pelo médico que o atendeu nos Estados Unidos, mas defendeu a vacinação. 

"Sabemos que a forma de prevenção primária é por meio da vacinação e, no melhor cenário, a Covid-19 não vai acabar. As pessoas vão ter essa doença e alguns casos graves vão ocorrer. O que se quer é buscar a forma de tratamento e interromper o ciclo da doença. No meu caso, fui atendimento no primeiro dia. Fui medicado e a prescrição do meu médico é uma questão privativa. Mas, em algum momento, podemos falar sobre isso", disse o ministro.

Sobre o episório no qual foi flagrado apontando o dedo médio a um grupo de manifestantes em Nova York, ele disse que "todos somos seres humanos" e "falhas existirão". "Há aquela parábola clássica da bíblica: Quem não tiver pecado, que atire a primeira pedra. Sempre fazemos análises da maneira correta, do que podemos melhorar. É sempre um caminhar e avançar."

Agenda nos EUA

O ministro da Saúde negou ter encontrado com o presidente polonês, Andrzej Duda. Mas confirmou que esteve com o primeiro-ministro britânico Boris Johnson, a pedido do presidente Bolsonaro, para intervir em algumas questões envolvendo a vacina AstraZeneca. "Discutimos também peculiaridades entre nossos sistemas de saúde e agendas semelhantes em relação a temas de novas tecnologias e doenças raras, uma pauta sensível na qual precisamos solucionar com políticas publicas e, com sustentabilidade, dar respostas para a sociedade".

Queiroga aproveitou o momento para defender que o presidente Jair Bolsonaro não falou sobre kit-Covid durante a 76ª Assembleia-Geral da ONU, e, sim, de "autonomia médica e possibilidade tratamento para Covid-19".

Vacinação

O ministro afirmou que o cenário epidemiológico no Brasil é cada dia mais satisfatório e que o país tem uma das principais campanhas do mundo, com mais de 300 milhões de doses distribuídas. As doses de refoço para idosos e profissionais da saúde foram citadas pelo ministro como provas de sucesso do Plano Nacional de Operacionalização da Vacina. 

"Temos queda no número de óbitos, o que acontecido de maneira sustentada. Apesar do aumento no número de casos, que se deve por conta da maior abertura da economia, isso não tem correspondido no aumento expressivo de internações", disse o ministro da saúde. 

Planejamento para 2022

Queiroga informou que já foram recebidas 100 milhões de vacinas da Pfizer, previstas no primeiro contrato, e, até o final do ano, a expectativa é receber outras 100 milhões. Há ainda a previsão de recebimento das vacinas da Janssen. "Na realidade, em todos os países do mundo, não se sabe ainda quais são as melhores estratégias. Temos alguns caminhos e estamos discutindo com o corpo técnico. Assim que for definido, vamos comunicar", disse. 

O ministro da Saúde explicou que o primeiro contrato com o Instituto Butatan sobre a Coronavac foi finalizado. Esse regime foi feito em caráter emergencial. Caso o instituto consiga o registro definitivo pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), o imunizante entra no Plano Nacional de Imunicação. O mesmo deve ocorrer em relação à Janssen. 

"Quanto mais vacinas com o registro definitivo, mais oferta e, consequentemente, o preço cai. Assim, conseguimos usar esses recursos para pessoas com síndromes pós-Covid e manter os leitos habilitados para 2022". 

O Ministério da Saúde ainda vai receber, neste ano, mais de 30 milhões de doses da Janssen e está em negociação com outros imunizantes. "Já sabemos qual o caminho e vamos continuar. Asseguro que temos o SUS. E quem tem o SUS tem tudo. São mais de 39 mil salas de vacinação espalhadas pelo Brasil. Ultrapassamos mais de 12 milhões de vacinados. Quantos países fazem isso?", completou. 

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