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Descaso

Sem funcionário para operar equipamento, IML não libera corpo de criança morta a tiros no Rio

De acordo com o advogado Rodrigo Mondego, da Comissão de Direitos Humanos da OAB-RJ, não havia no plantão funcionários treinados para operar o scanner corporal.

Seu corpo chegou ao IML no fim da manhã deste sábado (21), mas não havia sido liberado até às 19h. (Foto: Arquivo pessoal)

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Por falta de funcionários habilitados para operar um equipamento, o corpo de Ágatha Félix, 8, passou quase todo o dia no IML (Instituto Médico Legal) do Rio. Ágatha morreu após ser baleada no Complexo do Alemão na noite de sexta (20).

Seu corpo chegou ao IML no fim da manhã deste sábado (21), mas não havia sido liberado até às 19h. De acordo com o advogado Rodrigo Mondego, da Comissão de Direitos Humanos da OAB-RJ, não havia no plantão funcionários treinados para operar o scanner corporal.

O equipamento, equivalente aos utilizados em aeroportos mais modernos, é usado para localizar o projétil, ou fragmentos de projétil, no corpo da vítima. Ágatha foi baleada nas costas dentro de uma kombi. Ela estava com sua mãe a caminho de casa, em uma localidade chamada Alvorada, no alto da comunidade.

Parentes acusam a polícia de ter feito o disparo com o objetivo de acertar um motociclista, mas o tiro acabou atingindo a menina dentro da kombi. A polícia diz que foi atacada por criminosos e houve troca de tiros. O caso está sendo investigado pela Delegacia de Homicídios.

Por volta das 18h30, a Polícia Civil informou, por meio de sua assessoria de imprensa, que o corpo de Ágatha já estava sendo periciado. Não foi dada, porém, previsão de liberação do corpo. Normalmente, o IML só realiza este procedimento até as 20h.

Durante a manhã, moradores do Complexo do Alemão foram às ruas protestar contra a morte de Ágatha e pelo fim das operações policiais na região, que nesta semana resultaram em seis mortes.

No fim da tarde, a OAB-RJ divulgou nota criticando a política de segurança do governo Wilson Witzel (PSC). "A OAB-RJ lamenta profundamente que ,horas antes da morte de Ágatha, o governador tenha dito, conforme informou a imprensa, que promoveria 'combate e caça' nas comunidades", diz a entidade.

O texto refere-se a declarações feitas por Witzel em lançamento de esquema de policiamento presente em Bangu, na zona oeste do Rio. No evento, ele afirmou que criminosos "serão combatidos, serão caçados". "Não merecem viver aqueles que atiram contra o povo e contra a população", concluiu.

Para a OAB, a política "afronta os parâmetros básicos de civilidade". "A morte de Ágatha evidencia mais uma vez que as principais vítimas dessa política de segurança pública, sem inteligência e baseada no confronto, são pessoas negras, pobres e mais desassistidas pelo Poder Público".


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