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Aline Lins

Editora geral do Portal ClickPB.

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Calote da Prefeitura de JP em hospitais ameaça atendimento pelo SUS

Sindicato afirma que atraso nos repasses tem sido em média de 60 dias. Hospital referência em cardiologia na Paraíba já não realiza cateterismo cardíaco ambulatorial pelo SUS

Atraso nos repasses a hospitais ultrapassa dois meses, diz presidente de sindicato (Foto: Walla Santos)

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Fama de caloteira a Prefeitura de João Pessoa já sacramentou. O presidente do Sindicato dos Estabelecimentos e Serviços de Saúde do Estado da Paraíba, o cardiologista Francisco Santiago Pereira, denunciou nesta quinta-feira (21) que a prefeitura da Capital não está em dia com os repasses para os hospitais que atendem pelo SUS. O atraso tem sido em média de 60 dias. A reclamação é geral entre os hospitais privados que atendem pelo SUS.

“O Ministério da Saúde repassa os recursos, e eles só nos pagam geralmente com mais de 60 dias”, afirmou o médico, ressaltando que as verbas são carimbadas para os hospitais e não poderiam ser utilizadas para outros fins. 

Diretor da clínica Dom Rodrigo, referência em cardiologia na Paraíba, Francisco Santiago disse que por causa dos atrasos nos repasses a instituição não está mais realizando cateterismo cardíaco ambulatorial pelo SUS. Os médicos suspenderam esse atendimento devido à defasagem dos valores pagos. O médico recebe em torno de R$ 90 pelo procedimento. 

“Faz 70 dias ou mais que não se faz um exame de cateterismo na Paraíba pelo SUS”. O atendimento é feito pelo SUS apenas em casos de urgência, e quando há vaga.
A clínica Dom Rodrigo é referência em cardiologia no estado. Segundo Francisco Santiago, no entanto, os gestores públicos nem incentivam os hospitais privados nem abrem serviços públicos. “Não tem mais ninguém. Só tem o Dom Rodrigo fazendo alta complexidade, o resto que faz por aí é clínica. O Santa Isabel é só atendimento clínico.

Quando precisa fazer uma angioplastia, uma cirurgia cardíaca, um cateterismo de urgência, quando precisa de um marca-passo, vem pra cá pra Dom Rodrigo, é no Estado inteiro, de Cajazeiras a Cabedelo, só quem coloca é o Dom Rodrigo. Tem gente morrendo há muito tempo por falta de assistência, a verdade é essa, sem chegar nem a ser diagnosticado”, disse o médico. 

Segundo ele, nos últimos dez anos a taxa de mortalidade por infarto aumentou 20% na Paraíba. 

Francisco Santiago disse que para não fechar as portas, é possível que a clínica Dom Rodrigo tenha que deixar de atender pelo SUS. “Eu estou com dificuldades. Faz seis meses que eu estou com dificuldade de pagar meus impostos”, desabafa. 

De acordo com o Sagres do TCE, nos primeiros três meses deste ano, de um total de R$ 208.192.794 empenhados para serem pagos com recursos do Fundo Municipal de Saúde, constam como pagos apenas R$ 59.533.860 nesse período. 


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