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Jabuti

Escritora paraibana vence principal prêmio de literatura do Brasil

Rezende já havia vencido nas categorias Infantil e Juvenil. O Jabuti, na sua 57.ª edição, é atribuído pela Câmara Brasileira do Livro (CBL) em 26 categorias, qu

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A escritora paraibana Maria Valéria Rezende, com se define a freira paulista, venceu o mais cobiçado prêmio da literatura brasileira: o primeiro lugar da categoria romance do Prêmio Jabuti. A autora, de 73 anos, estreou na literatura aos 60 anos e arrebatou o prémio por Quarenta Dias, o seu segundo romance adulto.

Rezende já havia vencido nas categorias Infantil e Juvenil. O Jabuti, na sua 57.ª edição, é atribuído pela Câmara Brasileira do Livro (CBL) em 26 categorias, que vão de Projeto Gráfico a Reportagem, de Direito a Arquitetura, entre outras.

O romance de Maria Valéria Rezende conta a história de uma professora de 60 anos que tem de mudar a sua rotina para cuidar do neto. A agitada vida da autora, que, mesmo freira desde os 24 anos, teve intensa atividade política durante a ditadura militar brasileira, reflete-se na sua personagem, a viúva de um desaparecido, cuja morte é atribuída ao regime.

A escritora, ex-integrante da Juventude Estudante Católica, na sua juventude, chegou a conhecer Fidel Castro e Che Guevara, e era um contato entre os militantes na hora de conseguir empregos de fachada e obter passaportes falsos. Maria Valéria Rezende chegou a ser exilada, licenciou-se em Literatura Francesa e fez Mestrado em Sociologia, e viajou por todo o mundo e depois pelo Brasil, onde se dedicou à alfabetização de presos e a formação de sindicalistas em lugares remotos do país - isso tudo até à sua estreia tardia na literatura. Desde 1976, Mari Valéria Rezende vive na Paraíba e em meados da década de 80, reside em João Pessoa.

O prêmio atribuído a Maria Valéria Rezende foi inesperado, já que a crítica apostava no retorno de antigos vencedores do Jabuti, especialmente Cristóvão Tezza e Chico Buarque, que não ficaram nem entre os três primeiros colocados. O segundo colocado foi João Anzanello Carrascoza, por Caderno de um Ausente, e o terceiro foi Evandro Affonso Ferreira, por Os Piores Anos da Minha Vida Foram Todos.

Uma mulher também venceu o primeiro prémio na categoria Contos e Crónicas, com Sem Vista Para o Mar - Contos de Fuga, de Carol Rodrigues. Luiz Carlos Mello foi o premiado na categoria Biografia, por Luís Carlos Prestes - Um revolucionário Entre Dois Mundos, de Daniel Aarão Reis. Corpo de Festim, de Alexandre Guarnieri, foi escolhido o melhor livro de Poesia.

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