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Agendamento

Ainda com aulas suspensas, escolas particulares reabrem para crianças usarem parquinhos

A permissão para que os alunos usem os espaços das escolas, ainda que não seja para aulas, contraria os decretos municipais e estadual de São Paulo.

As escolas de educação infantil vivem uma crise durante a pandemia. (Foto: Reprodução)

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SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Sem a liberação das autoridades de saúde para a retomada das atividades presenciais, escolas particulares estão reabrindo com agendamento e rodízio para que as crianças possam usar os parquinhos.

A permissão para que os alunos usem os espaços das escolas, ainda que não seja para aulas, contraria os decretos municipais e estadual de São Paulo sobre a suspensão de atividades presenciais em todas as unidades, sejam públicas ou privada, por causa da pandemia do novo coronavírus.

O Semeei (Sindicato das Escolas de Educação Infantil de São Paulo) disse ter recebido a consulta jurídica de diversas unidades que tentam caminhos para manter a relação com as famílias e evitar maior perda de matrículas. No entanto, a entidade diz não haver respaldo jurídico para qualquer tipo de flexibilização e reabertura dos colégios.

A escola Abilità, na Saúde, zona sul da capital, enviou um comunicado aos pais na semana passada comunicando que iria "disponibilizar o parque, com horário marcado, para até quatro famílias pelo período de uma hora" para que as crianças possam "interagir, pegar sol e brincar".

A reabertura do espaço começou nesta segunda (13). As famílias deveriam agendar um dos seis horários disponibilizados pela escola. A sugestão da unidade era para que crianças da mesma sala combinassem de ir no mesmo período para "facilitar a integração".

Entre cada turma de crianças, há um intervalo de 30 minutos para a higienização dos brinquedos. A escola não informou se os alunos têm de manter distância entre eles, apenas que o uso de máscaras e a lavagem das mãos na entrada são obrigatórios.

Questionada sobre a desadequação ao decreto, a direção da escola informou que não está reaberta, mas "apenas cedendo o espaço" para que as famílias tenham um local para as crianças brincarem. Disse ainda que era "responsabilidade dos pais" já que os funcionários ou professores não acompanham os alunos nesse momento.

Depois do contato da reportagem, a escola enviou novo comunicado aos pais informando que, "para evitar qualquer complicação", iria cancelar o projeto "Parque Aberto", que tinha como objetivo proporcionar às crianças um espaço para "brincar, entrar em contato com a natureza e treinar o uso de máscara".

Em Belo Horizonte, a escola Vila da Criança também abriu o parquinho para as crianças há duas semanas. Na unidade, no entanto, só é permitido o uso de um aluno por vez, em horários agendados. A permanência máxima é de 40 minutos, com a supervisão dos pais.

A direção também nega que a escola esteja aberta, já que não está desenvolvendo atividade pedagógica. Eles afirmam que "não há abertura, apenas a possibilidade de uso do espaço recreativo".

Os decretos de suspensão das aulas, no entanto, proíbem a realização de atividades presenciais com alunos nas dependências das escolas.

"Muitas escolas nos procuraram para questionar se poderiam fazer essa flexibilização e fomos categóricos em dizer que não há amparo jurídico para isso. Vão criar um novo problema", disse Eliomar Pereira, presidente do Semeei.

As escolas de educação infantil vivem uma crise durante a pandemia. Com dificuldade em manter as atividades de forma remota, especialmente para crianças com menos de três anos, muitas famílias cancelaram as matrículas. Nessa faixa etária, o ensino também não é obrigatório no país.

Segundo o Semeei, o estado de São Paulo tem 12 mil escolas de educação infantil particular, com 533 mil alunos de até três anos -a estimativa é de que até 80% podem ser desmatriculados pelos pais até setembro, quando está prevista a liberação para a retomada gradual das aulas presenciais.


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