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Censo 2022 aponta crescimento da alfabetização na Paraíba; estado tem segundo maior avanço da taxa no país

O Censo 2022 registrou crescimento da alfabetização na Paraíba; estado tem segundo maior avanço da taxa no país. Apesar do crescimento de 5,9 pontos percentuais, frente a 2010, taxa estadual ainda é a 3ª menor do Brasil.

Censo 2022 aponta crescimento da alfabetização na Paraíba; estado tem segundo maior avanço da taxa no país

Foto: Pixabay

A taxa de alfabetização da população da Paraíba cresceu 5,9 pontos percentuais (p.p.), entre 2010 e 2022, subindo de 78,1% para 84%, respectivamente, conforme mostram os resultados do Censo 2022 para o tema alfabetização. Os dados foram divulgados nesta sexta-feira (17) pelo IBGE. Esse resultado confirma a tendência de elevação da alfabetização na Paraíba, assim como ocorre no restante do país, com os Censos Demográficos de 1991 e 2000 tendo mostrado taxas estaduais de alfabetização de 58,3% e 70,3%, respectivamente.

A variação do indicador paraibano entre 2010 e 2022 foi a segunda maior do país, inferior apenas à observada em Alagoas (6,6 p.p.), e corresponde a um aumento de 448.254 pessoas de 15 anos ou mais de idade no contingente de pessoas alfabetizadas no estado, que passou de quase de 2,2 milhões, em 2010, para mais de 2,6 milhões de pessoas nessa faixa etária. Apesar desse avanço, a taxa paraibana de alfabetização ainda é a terceira menor do país, superior apenas às registradas nos estados de Alagoas (82,3%) e do Piauí (82,8%), além de ser bem inferior à média brasileira (93%) e menor que a nordestina (85,8%).

Os levantamentos censitários ocorridos nas últimas décadas mostraram que o aumento da taxa de alfabetização foi mais intenso nas Regiões Nordeste e Norte, contribuindo para a redução das desigualdades regionais nesse indicador. No Caso da Paraíba, verificou-se uma redução paulatina da diferença entre as taxas estadual e nacional, que era de 21,6 pontos percentuais (58,3% para a Paraíba e 79,9% para o Brasil), em 1991, e diminuiu para 9 pontos percentuais, em 2022.

O avanço da alfabetização nas últimas décadas, constatado pelos Censos Demográficos, proporcionou, por sua vez, reduções sucessivas na taxa de analfabetismo estadual, que passou de 41,7% da população de 15 anos ou mais, em 1991, para 29,7%, em 2000, 21,9%, em 2010, e 16%, em 2022. Mesmo assim, esse último percentual corresponde a um total de 502.449 pessoas com 15 anos ou mais de idade para quem, em 2022, o analfabetismo ainda era uma realidade.

Dessas pessoas, 279.479 (55,6%) eram do sexo masculino e 222.970 (44,4%) do sexo feminino, o que mostra que a condição de pessoa analfabeta permanecia mais comum entre os homens do que entre as mulheres, embora essa diferença tenha se reduzido entre 2010 e 2022. De fato, em 2022, a taxa de analfabetismo da parcela masculina da população paraibana era de 18,7%, enquanto entre o grupo feminino essa taxa era de 13,5%, uma diferença de 5,2 pontos percentuais. Em 2010, essa diferença era de 6,1 p.p. (25,1% e 19%, respectivamente).

A comparação dos resultados por grupos etários entre os Censos de 1991 e 2022 indica que a queda na taxa de analfabetismo ocorreu em todas as faixas etárias, refletindo, principalmente, a expansão educacional, que universalizou o acesso ao ensino fundamental no início dos anos 1990; e a transição demográfica, que substituiu gerações mais antigas e menos educadas por gerações mais novas e mais educadas.

A pesquisa também mostra que a taxa de analfabetismo é diretamente proporcional à idade, sendo mais alta entre os mais idosos, os quais tiveram menos acesso à educação que os mais jovens. Em 2022, na Paraíba, a taxa de analfabetismo entre as pessoas com idade acima de 65 anos era de 40,5%, mais do que o dobro da média estadual (16%), o que corresponde a um total de 177.717 pessoas. Para os grupos etários mais jovens, as taxas eram menores: de 13,7%, para a faixa de 40 a 44 anos; de 4,9%, para os que tinham entre 30 e 34 anos; de 2,7%, para a população de 20 a 24 anos; e de 2,6% para os jovens de 15 a 19 anos.

A taxa de analfabetismo elevada entre os mais velhos é um reflexo da dívida educacional brasileira, cuja tônica foi o atraso no investimento em educação, tanto para escolarização das crianças, quanto para a garantia de acesso a programas de alfabetização de jovens e adultos por uma parcela das pessoas que não foram alfabetizadas nas idades apropriadas, conforme almejado pela Constituição de 1988.

Quando analisado de acordo com a cor ou raça, o Censo 2022 constatou ainda que a proporção de analfabetos na população do estado também era mais elevada entre as pessoas pretas (22,4%), indígenas (18,6 %) e pardas (16,7%), do que entre as brancas (13,1%) e as amarelas (12,9%). Na comparação com os resultados do Censo 2010, verifica-se que a redução da taxa de analfabetismo ocorreu em todos os grupos, sendo mais acentuada entre os pretos, de 8,2 p.p. (passou de 30,6%, para 22,4%), e os pardos, de 7,6 p.p. (de 24,3%, para 16,7%), bem como os indígenas (25,5% e 18,6%) e os amarelos (19,8% e 12,9%), ambos grupos com redução de 6,9 p.p.. A taxa de analfabetismo entre os brancos, por sua vez, caiu 4,2 p.p., entre 2010 e 2022, passando de 17,3%, para 13,1%, respectivamente.

O Censo 2022 também constatou que as taxas de alfabetização são geralmente mais elevadas nos municípios das capitais, em relação aos demais municípios do interior. É o caso de João Pessoa, cuja taxa de alfabetização passou de 81,6%, em 1991, para 87,7%, em 2000, 91,9%, em 2010, atingindo 93,9%, em 2022. Apesar disso, sua taxa de analfabetismo em 2022 (6,1%) era a 5ª maior dentre as capitais do país.

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Com informações do IBGE

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