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Pandemia

Bélgica detecta primeiro caso de nova variante da Covid-19 na Europa

Variante foi encontrada em um viajante que voltava do Egito para a Bélgica em 11 de novembro. Paciente desenvolveu os primeiros sintomas em 22 de novembro.

Mulher usa máscara para se proteger contra o coronavírus ao passar por um terraço vazio no bairro de Marrolles em Bruxelas, na Bélgica, na quarta-feira (17). (Foto: Olivier Matthys/AP)

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A Bélgica detectou um caso de infecção por Covid-19 ligado à variante B.1.1.529 do coronavírus nesta sexta-feira (26). Esse é o primeiro da nova variante a ser registrado na Europa, informou um virologista ligado à agência de saúde do país.

Identificada pela primeira vez na África do Sul, várias nações já vêm restringindo voos devido e ampliando as restrições de circulação para tentar conter esta nova cepa.

Em uma rede social, o cientista Marc Van Ranst, colaborador do Sciensano – instituto nacional de saúde pública da Bélgica – afirmou que a variante foi encontrada em um viajante que vinha do Egito em 11 de novembro. O paciente teria desenvolvido os primeiros sintomas da doença em 22 de novembro.

A variante preocupa pois tem 50 mutações — algo nunca visto antes —, sendo mais de 30 na proteína "spike" (a "chave" que o vírus usa para entrar nas células e que é o alvo da maioria das vacinas contra a Covid-19).

O anúncio foi feito um dia após o Reino Unido restringir viagens à África do Sul e mais cinco países do continente devido à variante e no dia em que a Comissão Europeia propôs aos 27 países membros da União Europeia a suspensão dos voos do sul da África.

Antes mesmo da reunião do bloco europeu, a Alemanha já anunciou que não aceitará a entrada de viajantes procedentes da África do Sul e a Itália informou a proibição de entrada em seu território de qualquer pessoa que esteve em 7 nações do sul da África nos últimos 14 dias.

Veja abaixo os países que já registraram casos da nova variante:

  • África do Sul: 77 casos
  • Botsuana: 4 casos
  • Hong Kong: 1 caso
  • Israel: 1 caso confirmado, e mais 2 casos suspeitos

A variante B.1.1.529

A descoberta da variante B.1.1.529 do novo coronavírus foi anunciada na quinta-feira (25) pelo virologista brasileiro Túlio de Oliveira em entrevista coletiva online supervisionada pelo Ministério da Saúde da África do Sul.

Até o momento foram registrados 77 casos na África do Sul, principalmente em jovens. Também foram relatados 4 casos na vizinha Botsuana, 1 em Hong Kong (uma pessoa que voltou de uma viagem à África do Sul) e 1 em Israel (uma pessoa que voltou do Malaui).

A equipe do instituto de pesquisa de Túlio de Oliveira, o KRISP, é vinculado à Universidade de Kwazulu-Natal e foi quem descobriu a variante beta, uma das quatro cepas consideradas de preocupação global (VOC) pela Organização Mundial da Saúde (OMS).

Segundo o virologista, a B.1.1.529 é potencialmente muito contagiosa e tem um número "extremamente alto" de mutações. "Podemos ver que [a variante] tem potencial para se espalhar muito rapidamente".

Os cientistas ainda não têm certeza da eficácia das vacinas contra a Covid-19 existentes contra a nova variante.

"O que nos preocupa é que esta variante pode não só ter uma capacidade de transmissão aumentada, mas também ser capaz de contornar partes do nosso sistema imunológico", disse o professor Richard Lessells, outro pesquisador da Universidade de KwaZulu-Natal na África do Sul.

Situação no Brasil

Não há, até a última atualização desta reportagem, casos da nova variante da Covid-19 registrados no Brasil. A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) recomendou que o governo brasileiro adote medidas de restrições para voos e viajantes vindos de parte da África.

Os países identificados na nota técnica são, especificamente, África do Sul, Botsuana, Eswatini, Lesoto, Namíbia e Zimbábue.

A Anvisa informa, contudo, que a efetivação das medidas sugeridas depende de portaria interministerial editada conjuntamente pela Casa Civil, pelo Ministério da Saúde, pelo Ministério da Infraestrutura e pelo Ministério da Justiça e Segurança Pública.

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