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Países adotam regras distintas para vacinação contra a Covid de pessoas com comorbidades

No entanto, as regras variam quanto à vacinação do último grupo, que inclui uma parte considerável da população global.

Nesta segunda (26), o ministro da saúde Marcelo Queiroga reclamou que as mudanças no Plano Nacional de Imunizações (PNI) por estados e municípios dificultam uma estratégia de vacinação desse grupo no país. (Foto: Reprodução)

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SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) ANA BOTTALLO — A vacinação contra Covid-19 na maioria dos países — com algumas exceções, como a Tailândia — começou pelos grupos prioritários, que incluem profissionais de saúde e pessoas com maior risco de agravamento do quadro, como idosos e portadores de doenças preexistentes (ou comorbidades).

No entanto, as regras variam quanto à vacinação do último grupo, que inclui uma parte considerável da população global.

No caso do Brasil, de acordo com o Plano Nacional de Operacionalizações de Vacinação contra a Covid-19, elaborado pelo Ministério da Saúde, são quase 18 milhões de pessoas com idades de 18 a 59 anos classificadas como "portadoras de comorbidades", que incluem pacientes de câncer, doenças pulmonares, hipertensão, diabetes, doenças hepáticas (como cirrose), doenças cardiovasculares e cerebrovasculares (AVCs), doentes renais crônicos, imunossuprimidos, portadores de anemia falciforme e outras doenças do sangue, obesidade mórbida e síndrome de Down.

Nesta segunda (26), o ministro da saúde Marcelo Queiroga reclamou que as mudanças no Plano Nacional de Imunizações (PNI) por estados e municípios dificultam uma estratégia de vacinação desse grupo no país.

Além da inclusão de grupos prioritários em dissonância com o plano federal, como profissionais da educação e trabalhadores do setor de transportes — que, pela regra, entrariam só depois dos portadores de doenças crônicas —, representantes de associações médicas e de pacientes reclamam na dificuldade de comprovar a condição preexistente, como a exigência de atestado médico.

O epidemiologista e professor da Faculdade de Medicina da USP Paulo Lotufo diz que são muitas as condições preexistentes de saúde que podem ser um fator de risco para a Covid, e é difícil traçar uma linha. 

"Uma pessoa com diabetes que toma insulina desde os dez anos já tem provavelmente um acometimento dos rins devido ao uso prolongado [de medicamento]. Não é a mesma situação daquela pessoa que está com o que chamamos de síndrome metabólica, isto é, sobrepeso, colesterol alto, glicemia alta, mas é possível reduzir se fizer dieta e exercícios físicos."

Para ele, o ideal seria usar sistemas públicos e bancos de dados de pacientes para incluí-los automaticamente na lista prioritária. "Pelo SUS temos o cadastro de todas as pessoas no Brasil que são transplantadas, que fazem uso de medicamentos de alto custo [para doenças crônicas], que tratam doença renal com hemodiálise. Essas pessoas deviam ser automaticamente incluídas na fila."

Nos Estados Unidos, cada estado criou suas regras para a vacinação de pessoas com comorbidades, mas, desde o último dia 20, o país já ofereceu a vacina contra a Covid-19 para qualquer indivíduo com mais de 16 anos.

Quando ainda estava em vigor a regra prioritária, para comprovar a condição preexistente a pessoa poderia apresentar um atestado médico ou ainda fazer um exame no local da vacinação. Alguns estados não exigiam nenhum atestado, como era o caso de Maryland, enquanto outros locais estavam vacinando em dias específicos, como a capital Washington D.C. "Havia postos de vacinação em Washington onde calculavam o IMC [índice de massa corporal] da pessoa na hora. Um caos total", afirma Lotufo.

Na América do Sul, apenas o Chile já começou a vacinação das pessoas com comorbidades. O país já vacinou cerca de 40% da sua população.

No Canadá, cada província adotou regras próprias sobre como deve ser a vacinação, ainda restrita a profissionais de saúde e pessoas com idade acima de 60 anos (como na Columbia Britânica) ou incluindo também todos aqueles com 18 a 59 anos com condições preexistentes (como em Alberta). Como a regra muda de estado para estado, também é diferente a exigência de atestado médico. O estado de Ontário, onde fica a capital, Toronto, por exemplo, decidiu não exigir prova de condição médica preexistente.

A Austrália incluiu pessoas com doenças crônicas logo após os profissionais de saúde e pessoas vivendo em residências de longa permanência, mas não é necessário apresentar atestado. As pessoas que tiverem uma das condições listadas no governo podem apenas agendar a vacinação pelo site oficial do governo.

A mesma coisa para o Reino Unido, onde pessoas com qualquer condição preexistente já podem se vacinar por meio de um agendamento eletrônico no site do serviço nacional de saúde.

França e Alemanha incluíram pessoas com fatores de risco para agravamento da Covid-19 no grupo prioritário de vacinação com exigência de atestado médico ou prescrição. Desde o dia 12 de abril, a França está vacinando todos os indivíduos com mais de 55 anos, embora no país haja uma restrição para o uso da vacina de Oxford/AstraZeneca até o limite dessa idade.

Já em Portugal, desde fevereiro pessoas com condições como insuficiência cardíaca, doença coronária, insuficiência renal ou doença pulmonar obstrutiva crônica (DPOC) estão aptas a receber uma vacina contra a Covid. No país, a vacinação não é obrigatória, e a população recebe um SMS do governo informando que chegou a sua vez de vacinar. O cadastro com as informações de idade, condições preexistentes, local, etc. é feito pela internet.

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