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'Puxão de orelha'

Bolsonaro é alertado de que, se tentar flexibilizar isolamento ‘na canetada’, sofrerá revés na Justiça

Apesar dos alertas, neste domingo, Bolsonaro decidiu sair do Palácio da Alvorada para o que chamou de tour "aleatório" pelo Distrito Federal.

O governador do Piauí, Wellington Dias (PT), disse ao GLOBO que Bolsonaro “continua na lógica da sobrevivência política em primeiro lugar”. (Foto: Valter Campanato/Agência Brasil/Arquivo)

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O presidente Jair Bolsonaro foi alertado de que, se tentar flexibilizar as regras de isolamento social por conta do novo coronavírus na “canetada”, enfrentará uma difícil batalha na Justiça.

O EXTRA apurou que o recado foi dado ao mandatário do Palácio do Planalto em reunião neste sábado da qual participaram o ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal, e os ministros da Secretaria-Geral da Presidência, Jorge Oliveira, da Advocacia-Geral da União, André Mendonça, e do Desenvolvimento Regional, Rogério Marinho.

A avaliação levada ao presidente é a de que o momento exige uma ação coordenada entre o governo federal, Estados e municípios para controlar o avanço da pandemia no país e, ao mesmo tempo, evitar um colapso nos serviços e atividade essenciais.

Apesar dos alertas, neste domingo, Bolsonaro decidiu sair do Palácio da Alvorada para o que chamou de tour "aleatório" pelo Distrito Federal. O presidente parou em vários pontos para cumprimentar apoiadores.

A visita do presidente a locais com concentração de pessoas aconteceu menos de 24 horas após o ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, defender o distanciamento social neste momento para evitar um colapso do sistema de saúde.

No Congresso e no Judiciário, a avaliação é a de que o presidente é “incontrolável” e “incorrigível”. Por isso, a ordem é a de manter ações coordenadas com os Estados e municípios, tendo com base dados da ciência e da medicina.

Ao retornar ao Palácio da Alvorada, Bolsonaro afirmou a jornalistas estar com vontade de ampliar o número de atividades que não podem parar durante a crise epidemiológica.

— Eu estou com vontade, tenho como fazer, estou com vontade: baixar um decreto amanhã. Toda e qualquer profissão, legalmente, existente ou aquela que é voltada para a informalidade, se for necessária para o sustento dos seus filhos, levar o leite dos seus filhos, arroz e feijão para sua casa, vai poder trabalhar — disse Bolsonaro.

— Me deu um insight, me deu uma ideia aqui agora e falei que estou pensando em fazer um decreto desses, para ver se cabe. Acho que ajuda um decreto desses. O cara vai cortar grama. Se não cortar grama, não tem dinheiro para comprar o leite, arroz e feijão para as crianças, ele vai cortar grama.

Procurado pelo EXTRA, o governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha (MDB), afirmou que continuará a seguir as recomendações do ministro da Saúde.

— Prefiro seguir as recomendações do Mandetta, que é o ministro da Saúde. Aliás, nem sei [qual é] a formação do presidente — disse.

Ibaneis foi um dos primeiros governadores do país a impor medidas restritivas à população, como o fechamento de escolas e do comércio.

O governador do DF disse, ainda, ter ficado “feliz” em ver o presidente “bem de saúde”.

— Afinal, vamos precisar muito dele para cuidar das pessoas e dos empregos. Até acho legal esse jeito espontâneo dele, mas em, questões de saúde, prefiro os especialistas.

O governador do Piauí, Wellington Dias (PT), disse ao GLOBO que Bolsonaro “continua na lógica da sobrevivência política em primeiro lugar”.

— O preço será muito alto. Se o mau exemplo vem lá de cima, quem segura aqui em baixo? Quero saber se ele assume a responsabilidade por cada morte?

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