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Bento XVI rompe silêncio e diz que celibato é indispensável

Declaração chega em meio a debate levantado pelo Sínodo da Amazônia, em outubro de 2019. Opinião está em livro que será lançado pelo papa emérito

O tema está agora sob análise do papa Francisco, que deve publicar neste ano sua exortação apostólica sobre as conclusões da assembleia episcopal dedicada à Amazônia (Foto: Reprodução)

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O papa emérito Bento XVI rompeu seu silêncio sobre assuntos relativos à Igreja Católica e saiu em defesa do celibato, em meio às discussões levantadas pelo Sínodo da Amazônia sobre a ordenação de homens casados na floresta.

Em um livro escrito com o cardeal Robert Sarah, prefeito da Congregação para o Culto Divino e a Disciplina dos Sacramentos, Joseph Ratzinger afirma que o celibato dos sacerdotes tem um "grande significado" e é "indispensável para que nosso caminho rumo a Deus continue sendo um fundamento de nossa vida".

"Não posso me calar", escrevem o papa emérito e Sarah, citando uma frase de Santo Agostinho. O livro será publicado no próximo dia 15 de janeiro, na França, e teve alguns trechos divulgados pelo jornal francês  Le Figaro.

No Sínodo da Amazônia, realizado em outubro, os  bispos sugeriram a ordenação de homens casados e de mulheres diaconisas para combater a escassez de padres na floresta, o que abre espaço para o avanço de igrejas neopentecostais e impede que fiéis recebam os sacramentos com regularidade.

O tema está agora sob análise do papa Francisco, que deve publicar neste ano sua exortação apostólica sobre as conclusões da assembleia episcopal dedicada à Amazônia. No livro, Ratzinger e Sarah dizem que o "Sínodo da imprensa" prevaleceu sobre o "Sínodo real".

Segundo o papa emérito, a "impossibilidade de uma ligação matrimonial" nasce da "celebração cotidiana da eucaristia, que implica um serviço permanente a Deus". "Não é possível realizar simultaneamente as duas vocações, a sacerdotal e a matrimonial", acrescenta.

Já o cardeal Sarah explica que o celibato é uma "prova", mas também uma "libertação". "Não podemos propor sacerdotes de segunda classe", escreveu, acrescentando que a Igreja Católica não deve "se deixar impressionar pelas modas".

Pela proposta do Sínodo, homens casados, com liderança reconhecida pela comunidade e preferivelmente indígenas poderiam ser ordenados na Amazônia para administrar os sacramentos, mas não foi colocada em discussão a hipótese de padres se casarem.

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