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Em primeira reunião presencial em 6 meses, papa Francisco pede orações pelo Líbano

Depois de fazer uma oração silenciosa pelo país, o papa convidou Breidi a segurar a bandeira enquanto fazia um apelo pela paz e pelo diálogo.

O pontífice convidou católicos e fiéis de outras religiões a tornarem a próxima sexta-feira (4) uma "jornada universal de jejum e oração" pelo Líbano. (Foto: Reprodução)

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SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) — O papa Francisco realizou, nesta quarta-feira (2), a primeira audiência pública presencial após seis meses de restrições impostas para tentar conter a propagação do novo coronavírus no Vaticano.

Visivelmente feliz pelo retorno, Francisco anunciou um dia de oração e jejum pelo Líbano, país devastado por crises no campo econômico, político e humanitário que se agravaram após a megaexplosão em Beirute no início de agosto.

Francisco beijou uma bandeira do Líbano entregue a ele pelo padre libanês Georges Breidi. Depois de fazer uma oração silenciosa pelo país, o papa convidou Breidi a segurar a bandeira enquanto fazia um apelo pela paz e pelo diálogo.

O pontífice convidou católicos e fiéis de outras religiões a tornarem a próxima sexta-feira (4) uma "jornada universal de jejum e oração" pelo Líbano.

A data marca um mês da explosão na zona portuária de Beirute que destruiu mais da metade da cidade e deixou ao menos 190 mortos, 6.000 feridos e mais de 300 mil desabrigados.

"Um mês depois da tragédia que castigou a cidade de Beirute, penso de novo no querido Líbano, em sua população particularmente colocada à prova", disse o papa.
"Diante dos dramas repetidos que os habitantes desta terra vivem, temos consciência do extremo perigo que ameaça a própria existência do país. O Líbano não pode ser abandonado à própria sorte."

O papa também anunciou o envio do cardeal Pietro Parolin, seu secretário de Estado e número dois na hierarquia do Vaticano, a Beirute para representá-lo.

O líder católico fez referência ao centenário do Grande Líbano, comemorado nesta terça-feira (1º), e disse que, neste período, "o Líbano foi um país de esperança".

"Nos períodos mais sombrios de sua história, os libaneses mantiveram sua fé em Deus e demonstraram a capacidade de fazer de sua terra um lugar de tolerância, respeito e coabitação único na região."

Segundo o papa, o Líbano hoje é "mais que um Estado" e passa "uma mensagem de liberdade e um exemplo de pluralismo tanto para o Oriente como para o Ocidente".
"Pelo bem do país, mas também do mundo, não podemos nos permitir perder este patrimônio", disse Francisco.

Ele também fez um apelo aos líderes políticos e religiosos libaneses para que se comprometam com "sinceridade e transparência na reconstrução, deixando de lado os interesses partidários e tendo em mente o bem comum e o futuro da nação".

Os cerca de 500 visitantes no pátio do Palácio Apostólico do Vaticano tiveram suas temperaturas verificadas e quase todos usavam máscaras de proteção. As cadeiras foram dispostas de forma a garantir distanciamento físico.

"Depois de tantos meses, retomamos nossos encontros cara a cara, e não tela a tela", disse o pontífice ao abrir a audiência, sob muitos aplausos.

A última reunião pública no Vaticano havia ocorrido no início de março. Desde então, o líder católico foi forçado a realizar audiências virtuais transmitidas pela televisão ou pela internet, experiência que ele descreveu como semelhante a estar "enjaulado".

Embora o público presente ainda tenha sido pequeno em comparação com as dezenas de milhares de pessoas que costumam lotar a praça São Pedro, o papa parecia energizado pela multidão. Caminhando entre os convidados, distribuiu sorrisos e abençoou fiéis a distância.

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