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Papa condena "ressurgimento bárbaro" do antissemitismo, ódio e indiferença

"Isso cria um terreno fértil para as formas de partidarismo e populismo que vemos ao nosso redor, onde o ódio brota", disse o papa Francisco

A França tem a maior comunidade judaica da Europa — cerca de 550.000 — e ataques antissemitas são comuns. (Foto: Reprodução)

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O papa Francisco condenou nesta segunda-feira o "ressurgimento bárbaro" do antissemitismo em todo o mundo, vinculando-o à ascensão do populismo. O 75º aniversário da libertação do campo de extermínio de Auschwitz, na próxima semana, deve servir como um lembrete para não sejamos indiferentes, disse Francisco a uma delegação do grupo de pesquisa e direitos humanos Simon Wiesenthal Center.

"É preocupante ver, em muitas partes do mundo, um aumento no egoísmo e indiferença, falta de preocupação com os outros e a atitude que diz que a vida é boa desde que seja boa para mim e, quando as coisas dão errado, raiva e a maldade é desencadeada", disse Francisco.

"Isso cria um terreno fértil para as formas de partidarismo e populismo que vemos ao nosso redor, onde o ódio brota rapidamente... onde o ódio é disseminado", disse ele. "Testemunhamos um ressurgimento bárbaro de casos de antissemitismo."

Ele não mencionou especificamente nenhum país ou movimento populista.

No mês passado, no leste da França, dezenas de sepulturas judaicas foram encontradas profanadas em um cemitério, horas antes de parlamentares adotarem uma resolução que equipara antissionismo a antissemitismo.

A França tem a maior comunidade judaica da Europa — cerca de 550.000 — e ataques antissemitas são comuns.

"Mais uma vez, condeno firmemente todas as formas de antissemitismo", disse Francisco à delegação.

Uma pesquisa global pela Liga Anti-Difamação dos EUA em novembro constatou que as atitudes antissemitas haviam aumentado em muitos lugares do mundo e significativamente na Europa Central e Oriental.

A sondagem também mostrou que grandes percentagens de pessoas nos países da Europa Oriental e Ocidental acham que os judeus falam demais sobre o Holocausto.

Na pesquisa, cerca de 78% dos entrevistados na Polônia, onde o campo de extermínio nazista de Auschwitz estava localizado durante a ocupação alemã na Segunda Guerra Mundial, responderam afirmativamente à declaração: "Os judeus ainda falam demais sobre o que aconteceu com eles no Holocausto."

Os nazistas e seus colaboradores mataram cerca de seis milhões de judeus na tentativa de exterminar os judeus europeus. Milhões de outros também foram mortos, incluindo homossexuais, ciganos e dissidentes políticos.

Francisco, que visitou Auschwitz em 2016, disse que lembrar o Holocausto é vital para garantir que atrocidades semelhantes não ocorram novamente.

"Se perdermos nossa memória, destruiremos nosso futuro. Que o aniversário da crueldade indescritível que a humanidade descobriu há 75 anos sirva como uma convocação para fazer uma pausa, ficar quieto e lembrar. Precisamos fazer isso, para não nos tornarmos indiferentes", disse ele.

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