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Vaticano

Papa defende vacina, condena desinformação e critica 'cultura do cancelamento'

'As vacinas não são instrumentos mágicos de cura, mas representam certamente, junto aos tratamentos que estão sendo desenvolvidos, a solução mais razoável para a prevenção da doença', disse Francisco.

Papa Francisco celebra missa para marcar o Dia Mundial da Paz na Basílica de São Pedro no Vaticano neste sábado (1º). (Foto: Guglielmo Mangiapane/Reuters)

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O Papa Francisco pediu nesta segunda-feira (10) à comunidade internacional para "continuar os esforços" para vacinar a população e combater a desinformação sobre o coronavírus.

Ele também criticou, em discurso feito a embaixadores na Santa Sé, a chamada "cultura do cancelamento", que segundo o pontífice cria um "perigoso pensamento unilateral".

Vacinas são importantes

"É importante que os esforços continuem para imunizar a população o máximo possível", disse o líder da Igreja Católica.
Em seu tradicional discurso no início do ano ao corpo diplomático, Francisco afirmou que é necessário um "compromisso múltiplo" para enfrentar a pandemia.

"As vacinas não são instrumentos mágicos de cura, mas representam certamente, junto aos tratamentos que estão sendo desenvolvidos, a solução mais razoável para a prevenção da doença", explicou.

O Papa também condenou a propagação de mentiras e convidou todos a imporem "uma cura da realidade" diante da pandemia de coronavírus.

"Infelizmente, cada vez mais constatamos como vivemos em um mundo de fortes contrastes ideológicos. Muitas vezes nos deixamos influenciar pela ideologia do momento, geralmente baseada em notícias sem fundamento ou em fatos pouco documentados", disse.

O pontífice argentino, de 85 anos, se pronunciou várias vezes a favor das campanhas de vacinação contra a Covid-19 e voltou a pedir "que as regras dos monopólios não constituam mais obstáculos à produção e a um acesso organizado e coerente aos tratamentos a nível mundial".

Cultura do cancelamento

Francisco criticou também a chamada "cultura do cancelamento" e afirmou que a pretensa "proteção da diversidade" acaba anulando "qualquer senso de identidade".

"As agendas são cada vez mais ditadas por uma mentalidade que rejeita os fundamentos naturais da humanidade e as raízes culturais que constituem a identidade de muitos povos", disse o Papa.

"Como já afirmei em outras ocasiões, considero isso uma forma de colonização ideológica, que não deixa espaço para a liberdade de expressão e agora se dá na forma de uma “cultura de cancelamento” invadindo muitos círculos e instituições públicas".

"Sob o pretexto de defender a diversidade, acaba anulando todo o sentido de identidade, com o risco de silenciar posições que defendem uma compreensão respeitosa e equilibrada das várias sensibilidades".

Mundo sem armas nucleares

O Papa também manifestou hoje sua "preocupação" com a produção de armas nucleares e reiterou que sua posse é "imoral", após pedir a retomada das negociações sobre este assunto com o Irã.

"Entre as armas que a humanidade produziu, as nucleares são motivo de preocupação especial", afirmou o papa.

"Um mundo sem armas nucleares é possível e necessário", acrescentou o pontífice ao mencionar a X Conferência para a Revisão do Tratado de Não Proliferação das Armas Nucleares que estava prevista em Nova York e foi adiada devido à pandemia.

"A Santa Sé continua insistindo que as armas nucleares são instrumentos inadequados para responder às ameaças à segurança no século XXI e que sua posse é imoral", afirmou.

"Seu uso, além de produzir consequências humanitárias e ambientais catastróficas, ameaça a própria existência da humanidade", destacou.

Para o pontífice argentino, é de "suma importância" que sejam retomadas as negociações sobre o acordo nuclear com o Irã.

As negociações para salvar o acordo de 2015 e evitar que o Irã desenvolva armas atômicas foram retomadas em novembro de 2021 em Viena, após uma pausa de cinco meses.

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