
O pastor Clóvis Bernardo revelou que escapou da morte porque aprendeu a pedir esmola. Na entrevista ao Click Trend, com o jornalista e influenciador Hyldo Pereira, nessa sexta-feira (31), o líder religioso contou das dificuldades da vida no Rio de Janeiro com a mãe e o padrasto.
O pastor Clóvis contou que o seu pai abandonou a família e mudou-se para o Rio de Janeiro e que a mãe dele foi atrás do marido. Lá, eles tiveram que refazer a vida sem o pai dele. Então, surgiu um padrasto que viveu com a família por um tempo e que havia pessoas querendo se livrar da criança que era o pastor Clóvis, naquele período.
“Na época, e para minha sorte, eu escutei uma conversa do meu padrasto com três rapazes jogando Sueca no Rio de Janeiro e dizendo: ‘a gente vai matar ele. Tu vai com a mãe dele, que tem 28 anos e é novinha, e amanhã a gente joga ele no valão’. Era um valão bem grande de lama e tudo e eles iriam me jogar lá”, revelou o pastor.
No entanto, uma mulher cruzou o caminho do pastor Clóvis.
“Só que, quando foi a tarde, uma senhora dona da vila olhou para o meu padrasto e disse: ‘deixa esse menino ir comigo, que eu vou para a feira de São Cristóvão pedir esmola’. Meu padrasto me liberou para ir”, relatou.
O religioso disse ter se tornado a ‘bola de ouro’ do padrasto.
“E, nessa tarde, eu pedi tanta esmola que eu vim com dinheiro por tudo que é lugar. Quando eu chego, eu chamo meu padrasto e entrego uma bolsa de comida e mostro que estou cheio de dinheiro no bolso, na cueca, aquela coisa toda. E meu padrasto me chama e pergunta: ‘como você conseguiu?’. E eu disse que vi a senhora pedindo e pedi também”, acrescentou.
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“Então ali eu comecei a ser a ‘bola de ouro’ para o meu padrasto. Então aquele menino que ia morrer naquele dia foi livre por causa daquela senhora. Eu comecei a pedir esmola para sustentar meus irmãos e meu padrasto. Aos nove anos, eu batia o Rio de Janeiro todo de Saquarema e Coelho da Rocha. Dormia três a quatro dias na rua, depois eu voltava com o dinheiro, ele jogada Sueca, pagava aluguel. Mas, mesmo assim, era espancado, era a criança que não era o filho, que ele olhava como ‘pedra de tropeço’, mas do outro lado eu era a ‘bola de ouro’ deles, dos nove aos 15 anos”, contou o pastor.
