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Covid-19: Fiocruz recomenda novas medidas para evitar contágio em escolas e defende que aulas presenciais sejam mantidas

Fundação afirma que há ‘disseminação limitada’ da doença nas unidades, mas reforça importância de testes, isolamento de casos sintomáticos e vacinação.

Atividades presenciais em escolas. (Foto: Marco Ankosqui/Agência O Globo)

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Em nota técnica, a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) defendeu a manutenção das aulas presenciais nas escolas em meio à alta de casos de Covid-19 no país – que registra a maior média móvel de diagnósticos por dia desde março. Elaborado por pesquisadores da fundação, que fazem parte de um grupo dedicado a avaliar a doença nas escolas, o documento afirma que as unidades escolares “não têm sido associadas a eventos de maior transmissão do vírus”. 

No entanto, orienta medidas como afastamento de casos positivos ou com sintomas respiratórios, disponibilidade de testes e vacinação – com a dose de reforço no caso de adolescentes e adultos – para evitar o contágio.

“Decorrido todo este tempo de convivência com períodos de maior ou menor transmissão do Sars-CoV-2, pode-se afirmar que as atividades presenciais nas escolas não têm sido associadas a eventos de maior transmissão do vírus”, afirmam os pesquisadores.

"A detecção de casos nas escolas não significa necessariamente que a transmissão ocorreu nas escolas. Em sua maioria os casos são adquiridos nos territórios e levados para o ambiente escolar. Nesse sentido, a experiência atual, comprovada por estudos científicos de relevância, revela disseminação limitada da Covid-19 nas escolas”, complementa o grupo de trabalho formado por membros da fundação.

A nota defende que o controle da pandemia, com índices mais baixos de novos casos e, especialmente, de novas mortes, resultou na retomada plena das atividades presenciais nas escolas em 2022, “constatando as consequências e prejuízos pedagógicos e psicossociais da pandemia Covid-19”.

De acordo com o documento, situações identificadas como agravos associados à Covid-19 devem ser referenciadas para as equipes de atenção primária à saúde, vinculadas a unidades básicas de saúde. Afirma ainda que a transmissão de trabalhadores para trabalhadores é mais frequente do que aquela de alunos para trabalhadores; trabalhadores para alunos ou entre os estudantes.

Sobre o momento atual, embora defenda que não demanda uma interrupção das atividades presenciais, a Fiocruz ressalta que o início do inverno, no último dia 24, traz um aumento na incidência de infecções por vírus respiratórios e, por isso, pede medidas. Assim, afirma que “atenção especial à ventilação dos ambientes, higiene das mãos e uso de máscara nos sintomáticos leves devem ser incentivados''.

Cobertura vacinal precisa melhorar

O documento informa que, no último dia 21, o Brasil contava com 77,8% da população geral, e 85,5% dos acima de 5 anos, com as duas doses da vacina. Porém, alerta que somente 46% estão com o ciclo completo, ou seja, com todas as doses de reforço indicadas para a idade – aplicação indispensável no contexto da variante Ômicron, que tem maior escape da imunidade conferida por infecção ou vacina.

Na faixa etária entre 5 e 11 anos, o índice também é considerado aquém do necessário pela fundação, com apenas 63,69% das crianças com a primeira dose e somente 38,86% com a segunda. Segundo os pesquisadores, essas informações revelam um maior risco para internação, gravidade e morte relacionadas às crianças não vacinados.

“É necessário um avanço nas taxas de vacinação, para que possamos proteger toda população e tentar reduzir a taxa de transmissão. (...) Apesar de a vacina não ser esterilizante, no sentido de eliminar o vírus completamente, além de proteger o vacinado contra as formas graves da doença, ela reduz a carga viral do contaminado. O Brasil precisa avançar na vacinação para as doses de reforço para as populações mais vulnerabilizadas e definir a vacinação para a faixa etária acima dos seis meses, como forma de reduzir a carga viral circulante nas escolas e em outros ambientes”, diz a nota técnica.

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