Novidade que vem por aí

A Rede Click vai trazer muitas novidades. Você vai poder enviar notícias através do VCnoClick, anunciar gratuitamente seus produtos e serviços no Click Classificados e concorrer a prêmios com o Click Vantagens.

Deixe seu contato e seja um dos primeiros a ser avisado quando a Rede Click entrar no ar!

Por favor insira um e-mail válido
Contato registrado com sucesso!

Saúde

Editoria sobre Saúde ir para editoria →

Crianças

Entenda aumento de casos de síndrome respiratória aguda grave que causa filas nas UTIs pediátricas de Pernambuco

Uma bebê de 1 mês morreu antes da transferência para um leito de UTI, na terça (24).

Uma bebê de 1 mês morreu antes da transferência para um leito de UTI, na terça (24). (Foto: Reprodução/Pixabay)

Por

Em, pelo menos, oito dias de maio, o número de bebês e crianças aguardando por leitos de Unidade de Terapia Intensiva (UTI) em Pernambuco se manteve acima de 80. Dados enviados diariamente pela Secretaria Estadual de Saúde (SES) ao Ministério Público de Pernambuco (MPPE) mostram que as solicitações são, sobretudo, de leitos para pacientes com Síndrome Respiratória Aguda Grave (Srag).

Uma bebê de 1 mês morreu antes da transferência para um leito de UTI, na terça (24). A menina aguardava há quatro dias por vaga em UTI em Jaboatão dos Guararapes, no Grande Recife. Na segunda (23), um menino de 11 meses também morreu à espera de um leito de UTI em um hospital do Recife.

A situação é bem diferente com relação a leitos de adultos, que segue com número menor de solicitações, das quais poucas ou nenhuma são para leitos de Srag.

O g1 vem acompanhando a angústia de famílias e profissionais de saúde devido à espera de bebês e crianças por leitos de UTI e explica, a seguir, o que tem provocado essa situação no estado.

VSR e rinovírus
De acordo com o secretário de Saúde, André Longo, Pernambuco teve um aumento de casos de doenças respiratórias como nunca tinha tido e com um maior grau de severidade e também maior frequência de solicitação de leitos pediátricos.

Em entrevista coletiva na semana passada, o secretário afirmou que o foco é nas crianças de até 2 anos, predominando o Vírus Sincicial Respiratório (VSR), que é um dos principais agentes de uma infecção aguda nas vias respiratórias, a qual pode afetar os brônquios e os pulmões. Em crianças com mais de 2 anos, predomina o rinovírus, causador do resfriado comum.

O médico pediatra Eduardo Jorge da Fonseca Lima, representante da Regional Pernambuco da Sociedade Brasileira de Imunizações (Sbim), explicou que ainda não há uma vacina para o VSR. Ele também disse que, apesar de os adultos não apresentarem sintomas ou terem apenas sintomas leves, em crianças abaixo de 2 anos a infecção pelo vírus pode evoluir e até provocar morte.

"A maioria das infecções virais desse surto está sendo pelo VSR, que causa quadro de bronquiolite aguda e acomete crianças, principalmente menores de 2 anos. Esse é um fenômeno mundial. Após a pandemia, observou-se um grande aumento de infeção por esse vírus de crianças menores de 2 anos, que chamo de filhos da pandemia", explicou o pediatra.

Falta de anticorpos

Eduardo Jorge também afirmou que mulheres que engravidaram em 2020 e 2021, durante a pandemia da Covid-19, ficaram em casa, usaram máscara. Com os cuidados, elas, consequentemente, tiveram menos infecções respiratórias e passaram menos anticorpos para esses recém-nascidos, que são as crianças que tem, hoje, entre 1 e 2 anos e estão adoecendo.

"Elas ficaram pouco expostas aos vírus, mas especialmente ao VSR. As mães grávidas, apesar de terem esses quadros respiratórios ao longo da vida, quando têm contato novamente com esses vírus fazem quadros assintomáticos, mas é como se relembrassem e passassem anticorpos para esses bebês", declarou.

Com a flexibilização das medidas contra a Covid-19, fim da obrigatoriedade do uso de máscaras e retomada de aulas presenciais, o médico pediatra afirmou que o vírus "voltou e encontrou as crianças sem ter tido a imunidade treinada para responder melhor a esses vírus".

O representante da Regional Pernambuco da Sbim informou, ainda, que o VSR, tradicionalmente, já tem esse comportamento nos meses de abril e maio, mas que, desta vez, encontrou crianças mais susceptíveis a infecções graves.

"Essas duas últimas semanas de maio são as de maior circulação. A procura por leitos de UTI excedeu as expectativas. É surpreendente um quantitativo tão grande de crianças graves, porque a bronquiolite normalmente é uma doença leve, um pequeno percentual evolui para gravidade, mas a gente imagina que foi isso", disse.

Ele acrescentou que a expectativa é de que, a partir de junho, ocorra uma redução desses casos nas emergências.

Três vezes mais solicitações
De acordo com o secretário André Longo, o número de solicitações de UTIs para crianças neste ano teve um aumento de três vezes com relação à sazonalidade do ano passado.

Dados da SES apontam que a Central de Regulação registrou 131 solicitações por leitos de UTI para crianças e bebês na semana epidemiológica entre 1 e 7 de maio, 149 na semana de 8 a 14 de maio e 228 na semana entre o dia 15 de maio até a quarta-feira (25). No mesmo período de 2021, foram 64, 58 e 64 solicitações, respectivamente.

Longa fila de espera
Nesta quinta-feira (26), dados enviados ao MPPE pela SES mostram que 89 crianças e bebês aguardavam por leito de UTI, sendo 73 por síndrome respiratória. Com relação aos adultos, 65 esperavam por um leito em UTI geral e dois por leitos para pacientes com Srag.

Na quarta (25), eram 84 crianças e bebês na fila e 63 aguardavam um leito de Srag, enquanto 71 adultos aguardavam por leito em UTI geral e nenhum esperava por leito de Srag.

Mortes de bebês e crianças
Um levantamento feito pela SES-PE mostra que, entre o domingo (15) e a quarta-feira (25), 29 crianças com idades entre 0 e 5 anos morreram em virtude de doenças respiratórias que não eram Covid-19 em Pernambuco. O número não é muito diferente do que no mesmo período do ano passado, quando 28 crianças de 0 a 5 anos morreram por doenças respiratórias que não eram Covid.

Falta de profissionais

O governo autorizou o reforço nas escalas de plantão de pediatria e de fisioterapia nas Unidades de Pronto-Atendimento (UPAs) estaduais e convocou 90 profissionais para reforçar as escalas das unidades de referência em pediatria da rede estadual de saúde, entre fisioterapeutas, fonoaudiólogos e pediatras.

Uma dificuldade para a abertura de leitos de UTI no estado é achar profissionais especializados, segundo a SES. A secretaria informou que, por ano, são formados três cirurgiões pediátricos, dois intensivistas pediátricos, menos de 10 neonatologistas e pouco mais de 30 pediatras.

O g1 consultou a Comissão Estadual de Residência Médica, do Ministério da Educação (MEC) sobre a informação, mas não obteve resposta até a última atualização desta reportagem.

Eduardo Jorge afirmou que a falta de profissionais para esse tipo de UTI é algo que afeta o país todo. "Existe carência no Brasil inteiro de leito de UTI pediátrica porque a formação desse profissionais é bem mais demorada. Requer três anos de residência em pediatria, dois anos em UTI pediátrica, são profissionais com cinco anos de formação e poucos no Brasil", contou.

Alerta para os pais
A recomendação da Sociedade Brasileira de Imunizações é que os pais e responsáveis deixem as crianças em casa, ao menos, até o fim da próxima semana. Se for possível, creches devem ser evitadas.

A recomendação também vale para a circulação de bebês e crianças em festas infantis, shoppings e outros lugares onde há aglomeração. Eduardo Jorge também alertou que os próprios familiares podem transmitir o VSR para as crianças.

"As medidas que a gente recomendava para Covid também valem. Os pais, ao chegar em casa, devem tomar banho antes de pegar na criança. Recomendo lavar o nariz e, nas próximas duas semanas, usar máscara perto do bebê menor de 2 anos. Sei que todo mundo já está cansado de máscara, mas estamos passando por um momento muito particular com essas crianças pequenas", declarou.

Abertura de leitos
Pernambuco atualmente tem 280 leitos infantis, sendo 150 de UTI e 130 de enfermaria — Foto: Reprodução/TV Globo

Segundo a SES, Pernambuco tem atualmente 280 leitos infantis, sendo 150 de UTI e 130 de enfermaria, que é o maior número de leitos que já teve para a população nessa faixa etária.

Para enfrentar esse quadro de superlotação de leitos de UTI, o governo abriu 60 leitos de UTI pediátrica, sendo 10 em Araripina (Hospital e Maternidade Santa Maria); 10 em Serra Talhada (no Hospital Eduardo Campos); 10 em Olinda (na Maternidade Brites de Albuquerque); e 10 em Palmares (no Hospital Regional de Palmares).

Na noite da segunda (23), outros 20 leitos de UTI foram abertos, sendo 10 em Goiana (na UPAE), e 10 no Recife (no Hospital Maria Lucinda). Ainda nesta semana, está prevista a abertura de outros 10 leitos em Jaboatão dos Guararapes (no Hospital Memorial Guararapes) e 10 em Bezerros (no Jesus Pequenino).

Segundo o governo, ainda há a previsão da abertura de mais 10 leitos de UTI pediátrica no Instituto de Medicina Integral Professor Fernando Figueira (Imip), no Recife, nesta semana.



Compartilhe:

Comentários (0)

Comentar

Destaque

ir para editoria →

Varíola dos macacos: contato pele com pele durante o sexo é a forma dominante de transmissão da doença, diz estudo

O que se sabe sobre o Langya, novo vírus identificado na China

Henipavírus: novo vírus de origem animal infecta 35 pessoas na China, aponta estudo

Paraíba registra dois internamentos por covid-19 nas últimas 24h