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Facebook tira do ar 39 milhões de posts de clientes da mLabs

A mLabs tem acesso a login e senha de seus clientes para oferecer o recurso de agendamento de stories no Instagram.

"Não nos avisaram sobre o problema nem nos deram tempo para nos adequar a API", diz Kiso. (Foto: Reprodução)

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SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) — A empresa mLabs, plataforma que presta serviço de gerenciamento de mídias sociais, divulgou um comunicado em seu site oficial nesta sexta (11) afirmando que o Facebook tirou do ar postagens de 330 mil empreendedores feitas a partir de seu sistema para agendamento de publicações.

Segundo a mLabs, que tem a empresa de pagamentos Stone como sócia, seu aplicativo para publicação em redes sociais saiu do ar por volta das 18h desta quinta (10), sem aviso prévio, derrubando 39 milhões de publicações feitas a partir dele.

Também foram desativadas as páginas oficiais da mLabs no Facebook e no Instagram, bem como perfis profissionais da empresa.

Rafael Kiso, fundador da mLabs, diz que seu serviço de gestão de redes sociais é usado principalmente por pequenos empresários e agências de publicidade. Também é adotado por hospitais e órgãos de governo, afirma.

Segundo o empresário, o Facebook teria afirmado que a autorização para agendamentos de postagem no Instagram não poderia ser feita pela empresa. Segundo a rede social em post em blog para desenvolvedores, a autorização para o serviço dependeria do uso de uma API (integração entre sistemas) após análise prévia do aplicativo pelo Facebook.

A mLabs tem acesso a login e senha de seus clientes para oferecer o recurso de agendamento de stories no Instagram.

Kiso defende a publicação programada e lembrou que o Facebook disse, em postagem de seu blog para desenvolvedores em janeiro, que o agendamento de postagens é importante para empresas e que iria liberar APIs (integrações entre sistemas) para facilitar que o processo fosse feito via outros aplicativos.

"Não nos avisaram sobre o problema nem nos deram tempo para nos adequar a API", diz Kiso.

A decisão do Facebook teria sido tomada nos Estados Unidos e, por isso, há pouco espaço para diálogo, afirma Kiso. Como a comunicação direta com a empresa está difícil, o empresário conta que fez contato com um escritório de advocacia nos Estados Unidos para tentar reverter a situação, e não descarta recorrer à Justiça americana.

Procurado, o Facebook afirmou que "a mLabs estava envolvida em coleta não autorizada de dados e de credenciais de usuários, o que são violações dos termos de uso do Facebook e do Instagram".

A companhia diz ter suspendido o acesso da mLabs aos seus serviços e enviado uma notificação extrajudicial à mLabs sobre o ocorrido.

Kiso critica a decisão que, segundo ele, além de prejudicar a mLabs, prejudica seus clientes, que não têm envolvimento com o debate e amanheceram sem suas postagens.
A mLabs diz na nota divulgada aos clientes que enfrentou situação semelhante em 2019, quando as postagens ficaram fora do ar por dois dias.

Na ocasião, segundo Kiso, novos algoritmos do Facebook detectaram uma postagem que infringia as regras de conteúdo permitido pela empresa e, como consequência, todos os posts feitos a partir de sua plataforma ficaram temporariamente suspensos.

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