Cultura

Orquestra Sinfônica da Paraíba homenageia Brasil e Argentina com músicas brasileiras e tangos

O maestro Gustavo de Paco de Gea define o concerto da Orquestra como comemorativo do 214º aniversário da Revolução de Maio de 1810.

Orquestra Sinfônica da Paraíba homenageia Brasil e Argentina com músicas brasileiras e tangos

Uma homenagem entre duas nações irmãs. É assim que o maestro Gustavo de Paco de Gea define o concerto que a Orquestra Sinfônica da Paraíba vai apresentar nesta quinta-feira, 23 de maio, em comemoração ao 214º aniversário da Revolução de Maio de 1810, data nacional argentina.

Realizada com a coparticipação do Consulado da Argentina no Recife, a apresentação começa às 20h30, na Sala de Concertos Maestro José Siqueira, no Espaço Cultural, com entrada gratuita.

O concerto terá, como solistas, o bandoneonista e compositor argentino, Rodolfo Mederos, e o trombonista paraibano Sandoval Moreno.

A abertura será com a execução dos hinos nacionais dos dois países e, após isso, o concerto terá duas partes bem definidas, com músicas do Brasil e da Argentina.

O maestro Gustavo de Paco de Gea explicou que a data comemorativa de 25 de maio de 1810 se refere à primeira revolução libertadora do continente sul-americano. “Foi o primeiro passo político pra derrocar o governo colonial da Espanha”, destacou.

“É um concerto muito rico, porque vai ter uma obra sinfônica armorial, uma obra para trombone tocada pela primeira vez e a parte do consulado argentino para homenagear também a Revolução de Maio”.

A consulesa da Argentina no Recife, Julieta Grande, disse ser um orgulho e uma alegria para o Consulado Argentino a realização no dia 23 de maio do concerto comemorativo à data nacional argentina junto à Orquestra Sinfônica da Paraíba e à Funesc.

“Para o Consulado, a troca cultural fortalece os laços de irmandade entre as sociedades e o conhecimento mútuo. É por isso que convidamos todos os paraibanos e argentinos para participarem da nossa comemoração com a melhor música argentina, com destaque para o tango. Será uma apresentação imperdível e emocionante”, comemorou.

Sempre nos sentimos muito bem acolhidos na Paraíba. Voltamos a realizar a comemoração da nossa data nacional no Estado depois de vários anos. Isso marca a importância estratégica que a Paraíba está ganhando para o Consulado e para a Argentina, que se demostra em agendas de trabalho em áreas diversas como educação, ciência, cultura e comércio”, afirmou a diplomata Julieta Grande.

Para o músico argentino Rodolfo Mederos, são grandes a animação e a ansiedade para voltar a esse grande país irmão, e a uma cidade que não conhece, mas da qual tem referências muito positivas em relação ao calor humano e conexão com a arte de seu povo.

“Desta vez, irei apresentar um espetáculo que chamei de ‘El Tango, uma escultura’. Espero que, como é meu desejo, possam apreciar essas maravilhosas músicas de diferentes épocas do tango, ao longo de mais de um século, com uma abordagem e tratamento diferentes do habitual, já que apresentaremos, junto com a Orquestra Sinfônica da Paraíba, obras da chamada Velha Guarda, da época de ouro e algumas composições mais recentes, de Astor Piazzolla e minhas”, destacou.

Será um grande prazer para mim compartilhar esse momento de festa com os músicos e todas as pessoas que comparecerem ao teatro na noite de 23 de maio. E também com quem conheço e guardo boas lembranças, como o maestro Gustavo de Paco, com quem compartilhei um lindo concerto na cidade de Recife anos atrás”, finalizou o bandoneonista.

O trombonista Sandoval Moreno disse estar muito feliz em estrear um concerto feito para ele pelo compositor Alfredo Moura, da Universidade Federal da Bahia (UFBA). “Agradeço enormemente essa homenagem. E o mais importante é que será com minha querida Orquestra Sinfônica da Paraíba, onde comecei em 10 de maio de 1980, que faz parte da minha história na música de concerto.

E ainda teremos como regente o meu querido Gustavo Paco de Gea. Contamos com vocês nessa estreia mundial no dia 23 de maio, na Sala José Siqueira, no Espaço Cultural”, destacou.

Sobre o concerto, o maestro explicou que após a execução dos hinos, terá uma obra chamada Baião Armorial Sinfônico. “A gente lembra que normalmente as obras armoriais têm a formação de orquestra de câmara, orquestra de cordas, com duas flautas e percussão, e em alguns casos, algumas músicas com um cravo.

Mas neste caso, um compositor pernambucano chamado Dadá Malheiros teve a ideia de fazer uma obra, um baião armorial, com uma orquestra sinfônica grande. Ele vai vir para o concerto e é um dos compositores que vai ser homenageado”, disse.

A segunda peça já vai ser o concerto de trombone, que é outra homenagem. No caso, um compositor da Bahia chamado Alfredo Moura, que escreveu uma peça para trombone solista para nosso querido professor de trombone Sandoval Moreno, que por muitos anos foi músico da nossa orquestra”, destacou Paco.

A participação do solista de bandoneón, tocando músicas argentinas, vem em seguida. “São 11 músicas predominantemente tango.

O solista Rodolfo Mederos, através do seu roteiro de músicas, vai explicando a história do tango, desde sua criação, mais ou menos no início do século XX, passando pelos mais famosos, que foram os de Carlos Gardel, na década de 1930, até o tango de hoje, mais moderno, que é o tango de Astor Piazzolla”, explicou.

Programa do concerto

A apresentação começa com a execução do “Hino Nacional Brasileiro”, de Francisco Manuel da Silva, e do “Hino Nacional Argentino”, de Blas Parera. Em seguida vem “Baião Armorial Sinfônico”, do pernambucano Dadá Malheiros; e “Trombone, Concerto nº 1 (Marcha, Valsa Brasileira, Xaxado)”, composto pelo baiano Alfredo Moura e dedicado ao trombonista paraibano Sandoval Moreno, que será o solista.

A parte de músicas argentinas, intitulada ‘El Tango, Uma Escultura’, terá “La Biblioteca”, de Augusto Berto; “El Caburé”, de Arturo De Bassi, “El Esquinazo”, de Angel Villoldo; e ainda composições de Rodolfo Mederos, “Cerezas” e “Azúcar (Candombe de la Resurrección)”; de Astor Piazzolla, “Oblivión”, e de Carlos Gardel, “Volver”, “Mi Buenos Aires Querido”, “Por Uma Cabeza”, “Melodía de Arrabal” e “El día que me quieras”.

Os solistas

Rodolfo Mederos (bandoneón)

Nasceu em Buenos Aires (Argentina) e iniciou os estudos musicais em 1960, na província de Córdoba, com O Octeto Guardia Nueva, chamando a atenção de todos os especialistas, incluindo Astor Piazzola, que o convidou para trabalharem juntos. Fez também parte da Orquestra de Osvaldo Pugliese.

É bandeonista e arranjador de música popular e sinfônica. Foi professor titular da cadeira de Elementos Técnicos da Linguagem do Tango, na Escuela de Música Popular de Avellaneda e formou o Generación Cero, conjunto cujo surgimento foi pouco convencional e irreverente. Seu som tentou uma fusão tripla entre o jazz, o rocky e a canção de Buenos Aires.

Rodolfo Mederos apresentou-se como solista em vários concertos e gravações com orquestras sinfônicas do Brasil, Colômbia, Espanha, Itália, Tailândia, Filipinas e Argentina, também com orquestras de câmera e quintetos de cordas.

Com o pianista Daniel Barenboim, regeu, entre outras, a Orquestra Sinfônica de Berlin. Formou um trio junto com o contrabaixista Héctor Console e um quinteto com Hernán Posetti, Damián Bolotin, Armando de la Veja e Sergio Rivas.

Dono de uma extensa discografia, em 1985 Mederos recebeu seu primeiro Prêmio Konex, na categoria, Conjunto de Tango/Tango de Vanguarda. Em 2005, recebeu o Diploma al Mérito de los Premios Konex a la Música Popular, como um dos melhores instrumentistas de tango da década, na Argentina. Seus recentes Discos 13 (2016), com sua orquestra típica, e En su Huella (2017), com seu trio, foram indicados ao Grammy Latino.

Sandoval Moreno (trombone)

Natural de João Pessoa (PB), iniciou na música na Banda do Colégio Diocesano Dom João da Mata, em Itaporanga (PB), em 1977. É graduado em Música (Instrumento/Canto) pela Universidade Federal da Paraíba (UFPB), em 1983, e mestre em Música (Práticas Interpretativas) pela mesma instituição, em 2012. Atualmente, é coordenador do curso de Regência de Bandas e Fanfarras na UFPB.

O trombonista e professor tem uma extensa atuação em todo o Brasil e no exterior como solista e professor em diversos festivais de música, conciliando as suas atividades com a participação em grupos musicais, a exemplo do Brazilian Trombone Ensemble, com o qual gravou CDs.

Foi responsável pela criação da Banda Sinfônica José Siqueira da UFPB, no ano de 1986; e do Quarteto de Trombones da Paraíba, em 1990, grupos dos quais faz parte desde que foram fundados. Sandoval integrou a Orquestra Sinfônica da Paraíba de 1980 a 2010.

O regente

Natural de Buenos Aires (Argentina), Gustavo de Paco de Gea graduou-se pelo Conservatório Juan José Castro. Depois de atuar como docente e flautista em orquestras argentinas, foi convidado pela Universidade Federal da Paraíba para ser professor do Curso Superior e de Extensão de Flauta, onde ensina até hoje.

Foi membro fundador do Quinteto Latinoamericano de Sopros e da Orquestra Sinfônica da Paraíba, atuando como primeiro flautista, e desde 1985, é primeiro flautista da Orquestra Sinfônica do Recife (PE). Detentor de vários prêmios nacionais e internacionais, Gustavo de Paco de Gea tem se apresentado nos mais importantes festivais do Brasil.

É regente de orquestra desde 2001, ano em que criou a Orquestra de Câmara Municipal de João Pessoa, sendo diretor artístico e regente titular até 2010. Em 2012 foi nomeado maestro e diretor artístico da Orquestra Criança Cidadã, em Recife (PE), e, no ano seguinte, foi designado para reger o Concerto de Estreia da Orquestra Sinfônica da Universidade Federal da Paraíba (OSUFPB), regendo desde então recorrentemente esse organismo como maestro convidado.

De 2014 a 2018, foi maestro assistente da Orquestra Sinfônica Municipal de João Pessoa e atualmente é o regente titular da Orquestra Sinfônica da Paraíba.

Corrente do Bem

A Fundação Espaço Cultural da Paraíba (Funesc) está realizando uma campanha de arrecadação de donativos para as vítimas das enchentes no Rio Grande do Sul. Estão sendo arrecadados: agasalhos, calçados, roupas íntimas, produtos de higiene e limpeza; colchões/colchonetes, cobertores, roupas de cama e banho; cestas básicas, água mineral e ração para animais.

As doações devem ser entregues na recepção do Espaço Cultural ou no Cine Banguê, das 8h às 16h30.

Entrada gratuita

Não é cobrado ingresso para os concertos da Orquestra Sinfônica da Paraíba. Idosos, cadeirantes e demais pessoas com dificuldade de locomoção têm entrada acessível na lateral da Sala de Concertos, ao lado do palco da Praça do Povo. Há também cadeiras especiais para esse público. O programa do concerto ficará disponível na bio da página da OSPB no Instagram: @orquestra.ospb.

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