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Premiê da Itália renuncia, mas crise segue sem solução

O encerramento prematuro do governo, iniciado há 14 meses, foi provocado por um dos seus integrantes, o vice-premiê e ministro do Interior Matteo Salvini

Ao dar o passo para derrubar o governo, Salvini se dirigiu aos italianos citando uma famosa frase do ditador fascista Benito Mussolini proferida em 1922, quando o Duce chegou ao poder: "Peço aos italianos para me dar plenos poderes" (Foto: AFP/Getty Images)

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ROMA, ITÁLIA (FOLHAPRESS) - Após mais de dez dias de caos, o governo da Itália foi oficialmente encerrado na tarde desta terça-feira (20), após um duro discurso no Parlamento do primeiro-ministro, Giuseppe Conte, que anunciou sua demissão do cargo.

A crise, contudo, ainda está longe do fim.

O encerramento prematuro do governo, iniciado há 14 meses, foi provocado por um dos seus integrantes, o vice-premiê e ministro do Interior Matteo Salvini.

Líder da Liga, partido da ultradireita que compunha a aliança com o populista Movimento 5 Estrelas, Salvini detonou a crise no último dia 8, quando apresentou uma moção de desconfiança contra o próprio Conte.

A decisão surpreendeu a todos sobretudo pelo momento - no início das férias de verão.

Salvini, aliás, apresentou o documento após um tour nas praias italianas onde fez inúmeras selfies sem camisa com admiradores e dançarinas.  

Ao dar o passo para derrubar o governo, Salvini se dirigiu aos italianos citando uma famosa frase do ditador fascista Benito Mussolini proferida em 1922, quando o Duce chegou ao poder: "Peço aos italianos para me dar plenos poderes".

Seu objetivo é se tornar o próximo primeiro-ministro da Itália. Se houver eleição até novembro, como deseja o líder da Liga, não parece haver outro adversário capaz de derrotá-lo nas urnas. Ele se transformou no último ano no político mais popular do país (tem cerca de 36% das intenções de voto). Contudo, a atual crise poderá ser resolvida no Parlamento, onde seu partido não tem maioria. 

Ao discursar no Parlamento, ao lado de Salvini, Giuseppe Conte fez duras críticas a ele: "O ministro do Interior age por interesses pessoais e partidários, não se importando com as consequências da decisão, que coloca em risco o país do ponto de vista econômico, político e social". E ressaltou: "Preocupa que você peça plenos poderes e invoque o poder do povo". 

Como a Itália é um regime parlamentarista, a convocação da próxima eleição ainda depende de uma série de fatores -a sua realização ainda não é certa. A decisão caberá ao presidente da República, Sergio Mattarella, espécie de árbitro que tem funções decorativas e não participa do governo. 

Antes, Mattarella consultará os partidos com representação no Parlamento, e dessa consulta poderá sair um novo governo entre o Movimento 5 Estrelas (crítico a elite política) e o Partido Democrático (a centro-esquerda tradicional), adversários no passado que teriam maioria para um novo mandato.

O objetivo dessa manobra, como dizem os integrantes das duas siglas, seria barrar a ascensão do radicalismo de Salvini. 

Um dos líderes europeus da direita populista, as referências políticas do líder da Liga -citadas por ele recentemente- são o russo Vladimir Putin, o americano Donald Trump, o húngaro Viktor Orban e o brasileiro Jair Bolsonaro. 

Radical em temas como o casamento gay e a defesa da família, linha-dura em relação à segurança pública e com uma política anti-imigração, levando o governo italiano a fechar seus portos para embarcações que socorrem refugiados no Mediterrâneo, o político pode ter dado um passo em falso ao provocar o fim do governo. 

"Provavelmente Salvini errou no tempo e não calculou as reações contrárias, mas não sabemos se essas reações contrárias vão prevalecer. A política na Itália é sempre maquiavélica e psicótica", afirmou o historiador e cientista político Giovanni Orsina, diretor da Escola de Governo da Luiss, uma universidade romana. Orsina admite ter enormes dificuldades para analisar o cenário e o que deverá acontecer. 

Se não houver um acordo entre os partidos políticos, o presidente Sergio Mattarella poderá escolher um governo técnico até que sejam realizadas novas eleições e para tratar de temas urgentes, como a aprovação de um orçamento nacional que deverá ser apreciado pela União Europeia até o próximo mês.

Há ainda o risco da crise política deteriorar ainda mais a cambaleante economia do país. Não está descartado um aumento dos impostos. 

Se a decisão for ir às urnas, o partido de Salvini, muito provavelmente, tentará uma aliança com Força Itália, sigla de direita de Silvio Berlusconi, e Irmãos da Itália, outro partido da direita radical e anti-imigrantes. 

Desde o fim da Segunda Guerra Mundial, há 74 anos, a Itália já teve 65 governos -um dos mais instáveis do mundo.

O futuro do governo que agora se encerra estava comprometido pelo menos desde maio, após o resultado das Eleições Europeias, que confirmou a popularidade da Liga de Matteo Salvini. O resultado do pleito mudou a correlação de forças entre o partido e o Movimento 5 Estrelas. 

A Liga obteve o maior porcentual de votos, 34%, enquanto o aliado ficou com 17% -praticamente uma inversão do resultado da eleição nacional de março de 2018.

O governo foi formado em junho do ano passado, com um contrato assinado em cartório (outro ineditismo na confusa política italiana) entre a Liga e o 5 Estrelas. Mas, desde então, Salvini tornou-se o protagonista do governo, dominando a agenda política em temas como o combate à imigração e polemizando com líderes europeus como o presidente francês Emmanuel Macron. 

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