
Dafne Keen interpreta Laura Kinney, o experimento X-23 que rouba a cena de formas sempre inesperadas. — Foto:Reprodução
Logan é sem sombra de dúvida um épico final pra uma das maiores sagas do universo do cinema. Fazendo jus a tudo que X-Men significa, o filme de James Mangold consegue misturar de forma harmoniosa o western, o noir e o road trip, com um apelo emocional extremamente forte nos seus momentos de clímax.
Possivelmente amparado pelo inesperado sucesso de Deadpool, James Mangold conseguiu fazer de seu Logan um filme R-Rated (para maiores de 16 anos), e inserir nele toda a violência gráfica e tragédia necessária para passar a mensagem de horror do mundo real: as garras decepam membros, furam crânios e deixam poças de sangue, mas é nos gritos desesperados de quem morre (e de quem mata), que reside a tragédia de estar envolto em violência. A dor (tanto física quanto psicológica) é sentida de forma crua, pesada, real.
Com um visual ocasionalmente lembra Mad Max, Logan transmite uma sensação de desolação, escassez e decrepitude. Uma intensa necessidade de família.
A temática da inevitável passagem do tempo, da velhice com todos os seus remorsos, agruras e mágoas, da solidão e da violência se misturam com a trágica e inevitável busca por propósito e significado – e acima de tudo isso, de aceitação da própria identidade.
A performance de Hugh Jackman como um Logan envelhecido e exausto nunca foi tão convincente, e nunca antes gerou tanta empatia. A sensação de cansaço e desespero, de avidez por um fim digno é gritante e cativante. Seja nas cicatrizes cada vez mais numerosas, seja no óculos de leitura, seja nos gritos de exasperação que antecedem a fúria com garras.
Patrick Stewart comove e diverte como um Charles Xavier nonagenário, dependente de cuidados e velho demais pra tudo isso, lutando com seus poderes (imensos, e agora descontrolados), contaminados uma doença degenerativa que o deixa instável e perigoso. O homem conhecido pelo cérebro mais poderoso do mundo definha em sua luta final contra a senilidade inevitável.
Dafne Keen é uma surpresa incrível, conseguindo ao mesmo tempo ser a figura que precisa de ajuda e proteção uma fera medonha que precisa ser controlada. Todo o desenvolvimento da personagem é legítimo e provoca sentimentos, e a ligação dela com Logan vai sendo construída de forma natural ao longo do filme, até um final emocionante.
Se Dafne é a filha, Logan é o pai e Professor Xavier é o avô de uma família em busca de refúgio num mundo desolado.
Os vilões nunca foram tão pouco explicados, e tão bem compreendidos: desde os capangas brutamontes com implantes cibernéticos (aparentemente comuns neste árido 2029) a cientistas inescrupulosos chefiando experimentos desumanos, conseguem ser ao mesmo tempo novos e clássicos, fazendo jus àquilo contra qual os X-Men sempre lutaram nos quadrinhos: a violência sem rosto que automatiza seres humanos em máquinas de matar, que tornam o indivíduo um produto a ser usado pelos poderosos.
Ao fazer o “lugar seguro” ser além da fronteira, o filme sensibiliza e nos manda um lembrete sobre os seres humanos que hoje lutam por asilo, fugindo de guerras e da violência. Em pleno 2017, com crises de imigração, essa crítica nunca foi tão atual.
Aliás, falando em quadrinhos, a capacidade que o filme tem de incorporar, de forma quase metalinguística, os eventos mais estapafúrdios dos filmes anteriores da saga X-Men no cinema é bem-pensada e criativa.
Logan é um filme ousado em diversos aspectos. Aposta num fim legítimo e verdadeiro, numa época onde os estúdios tentam cada vez mais expandir franquias e esticar a carreira de atores nos mesmos papéis em universos compartilhados.
Oferece um desfecho satisfatório (mais do que isso: emocionante) ao mesmo tempo para um personagem exausto de uma longa vida de batalhas e agruras, como para o ator que o interpreta incansável e cada vez melhor há mais de 17 anos – e para as gerações de fãs que acompanham o personagem nos quadrinhos e no cinema.
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