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Mendonça vai dar abraço em Bolsonaro mas 'descobre' viagem do presidente ao Rio de Janeiro

"Ah, ele foi para o Rio? Então, vou lá falar com Pedro e com o Célio", disse, ao ser informado por jornalistas que Bolsonaro estava viajando.

O novo ministro do STF, André Mendonça e o presidente Jair Bolsonaro (PL) (Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil)

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BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS) — Aprovado pelo Senado após quase cinco meses de espera, o mais novo ministro do STF (Supremo Tribunal Federal), André Mendonça, foi na manhã desta quinta-feira (2) ao Palácio do Planalto para "dar um abraço" em Jair Bolsonaro (PL), mas assim que chegou descobriu que o presidente estava em viagem.

"Ah, ele foi para o Rio? Então, vou lá falar com Pedro e com o Célio", disse, ao ser informado por jornalistas que Bolsonaro estava viajando.

O ex-AGU se refere a Pedro Cesar Sousa, subchefe de Assuntos Jurídicos, e Célio Faria Júnior, chefe de gabinete do presidente. Os dois são conselheiros da área jurídica de Bolsonaro.

O presidente participou pela manhã de uma solenidade de formatura na escola de Sargentos e Logística, no Rio de Janeiro. A cerimônia consta da agenda oficial desde a noite de quarta-feira — o que nem sempre acontece, uma vez que o mandatário participa de muitos eventos sem informá-las.

Segundo indicado de Bolsonaro para o Supremo, Mendonça contou que, logo depois de sua aprovação, o chefe do Executivo ligou para parabenizá-lo.

Ele estava voltando de uma viagem a Anápolis (GO), onde também participou de uma cerimônia militar. "Ontem [quarta-feira] falei com o presidente [Luiz] Fux [do STF], a expectativa é [que a posse seja] neste ano ainda", disse o ex-ministro da Justiça.

Mendonça foi aprovado pelo plenário do Senado com 47 votos a favor e 32 contra -houve duas ausências dentre os 81 senadores -margem mais apertada entre os atuais ministros do Supremo.

"Sabia que ia ser bem difícil, mas que íamos vencer", disse ao chegar no Planalto.
O ministro enfrentou uma sabatina de oito horas na CCJ (Comissão de Constituição e Justiça), onde o presidente do colegiado, Davi Alcolumbre (DEM-AP), trabalhou até o último momento contra a sua indicação.

Com a ida do ex-AGU para o Supremo, auxiliares palacianos esperam que a interlocução do Executivo melhore com a corte. Há também uma expectativa de que ele represente o "conservadorismo" que Bolsonaro defende.

Já no STF e no Congresso, integrantes comemoraram os gestos do ex-ministro da Justiça "terrivelmente evangélico", mas adotaram cautela a respeito da atuação que ele terá quando sentar na cadeira.

A expectativa em torno da postura de Mendonça é maior nos mundos político e jurídico não apenas por ser um novo integrante do Supremo, mas pelo fato de ele poder representar o voto de desempate em matérias importantes em um tribunal rachado.

O antecessor de Mendonça na Justiça e hoje provável adversário de Bolsonaro em 2022, Sergio Moro, parabenizou o seu ex-colega de Esplanada no Twitter, e ressaltando formação religiosa e técnica de Mendonça.

"Parabenizo o Ministro André Mendonça pela aprovação para o STF, com seus atributos técnicos e sua formação cristã. Desejo que o fortalecimento do combate à corrupção, marca da sua trajetória na AGU, guie suas decisões; razão pela qual o Podemos aprovou a sua indicação", escreveu Moro.

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