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Pandemia

Xangai diz que chegou a 'Covid zero', mas milhões permanecem confinados

O anúncio da meta de "Covid zero" e o do calendário de reabertura foram recebidos com ceticismo por parte dos moradores, que acumularam críticas ao longo das semanas de lockdown.

Ao todo, a China relatou 1.227 novos casos da doença, entre sintomáticos e assintomáticos, na segunda. (Foto: Reprodução/JC Concursos)

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SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - A cidade de Xangai, polo financeiro da China que está sob rígido lockdown há mais de seis semanas, anunciou nesta terça-feira (17) que alcançou a meta de "Covid zero" –estratégia de Pequim que visa eliminar por completo a disseminação do coronavírus que é questionada por autoridades mundiais de saúde.

O anúncio veio após a região de 25 milhões de habitantes não registrar, por três dias consecutivos, novos casos sintomáticos da doença fora das áreas delimitadas para quarentena. "Os 16 distritos de Xangai já alcançaram 'Covid zero'", disse o vice-diretor da Comissão de Saúde, Zhao Dandan, durante uma entrevista coletiva.

Os novos casos diários caíram pelo quarto dia consecutivo. Dados oficiais mostram 823 infecções nas últimas 24 horas, 12,3% a menos que no dia anterior. O número total de mortos chegou a 576 –menos de 0,1% dos 621 mil moradores da cidade que foram infectados pelo vírus–, segundo informações do jornal South China Morning Post.

Ao longo dos últimos dias, autoridades locais prometeram o retorno ao que chamaram de vida normal pré-Covid até 1º de junho. Naquele que foi o calendário de reabertura mais claro até o momento, Zong Ming, o vice-prefeito, informou que a cidade começou a reabrir supermercados e farmácias nesta semana, mas que as restrições de movimento nas ruas devem permanecer até pelo menos o dia 21.

Depois dessa data, os serviços de transporte público e os voos domésticos serão retomados gradualmente, mas a população ainda terá de apresentar um teste com resultado negativo para a Covid realizado até 48 horas antes do embarque para usar o transporte.

O anúncio da meta de "Covid zero" e o do calendário de reabertura foram recebidos com ceticismo por parte dos moradores, que acumularam críticas ao longo das semanas de lockdown. Relatos dão conta de falta de abastecimento de comida, desrespeito à privacidade e condições precárias nos centros de tratamento de doentes.

"Estamos trancados em casa há dois meses; essa história [de Covid zero] é só para pessoas que não sejam de Xangai", escreveu em uma rede social um usuário, segundo relato da agência de notícias Reuters. O comentário foi posteriormente deletado da plataforma.

De acordo com a Prefeitura, 3,8 milhões de habitantes permanecem sob uma forma severa de confinamento, como a proibição de sair de sua área residencial. O dado, no entanto, foi questionado por muitas pessoas, que acreditam que número real seja muito maior.

"Se a sociedade alcançou um nível de 'Covid zero', por que moradores do distrito de Songjiang só podem sair de casa a cada dois dias?", escreveu uma usuária na rede social Weibo, de acordo com a AFP. Outra pessoa perguntou se esta não é uma "Xangai de um universo paralelo".

Números divulgados nesta semana desenham o tamanho do impacto acarretado na economia devido ao lockdown de semanas em Xangai e restrições pontuais em outras grandes cidades. Pequim, por exemplo, assistiu à queda de 16% nas vendas do varejo em abril, segundo cálculos da Reuters. Já a venda de imóveis despencou 26%.
A capital de 22 milhões de habitantes, aliás, vê o regime apertar as regras sanitárias, com moradores temendo um confinamento severo como o de Xangai. O saldo diário mais recente de novos casos foi de 52, e testes em larga escala têm sido realizados diariamente.

Os serviços de alimentação estão proibidos, com alguns shoppings e empresas fechados. O transporte público foi reduzido, e muitos moradores foram aconselhados a trabalhar de casa. Residentes do distrito de Fengtai foram proibidos de deixar seus bairros nesta terça.

A pressão sobre o regime liderado por Xi Jinping deve crescer com o anúncio, feito nesta segunda (16), de que o primeiro caso da subvariante BA.2.12.1 da cepa ômicron, mais transmissível, foi identificado no país asiático. A informação foi confirmada pelo CCDC (Centro Chinês para o Controle e Prevenção de Doenças).

De acordo com as informações disponíveis, trata-se de um chinês de 27 anos que desembarcou na província de Guangdong em 23 de abril vindo de Nairóbi, no Quênia. Assim como os demais passageiros, ele foi transferido para um hotel, para a quarentena de duas semanas. Após confirmado que estava com Covid, testes mostraram, no último dia 30, tratar-se de infecção pela variante BA.2.12.1.

"Em comparação com outras subvariantes da ômicron, esta mostra um escape imune maior, mesmo após as pessoas terem sido vacinadas com a dose de reforço", disse o CCDC no comunicado. Cerca de 53% da população chinesa recebeu a dose de reforço do imunizante.

Ma Xiaowei, diretor da Comissão Nacional de Saúde da China, afirmou que mais cabines de testagem seriam construídas, para que moradores possam acessá-las em caminhadas de 15 minutos em todas as capitais de províncias e cidades com mais de 10 milhões de habitantes.

Ao todo, a China relatou 1.227 novos casos da doença, entre sintomáticos e assintomáticos, na segunda. A cifra é a menor desde 19 de fevereiro, mostram dados do CCDC. Quatro novas mortes em decorrência da Covid foram registrados.


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